The Black Crown

Entrevista: The Black Crown (2019)
Por: Miguel Ribeiro

Hintf: Obrigado por responderem a entrevista. Quais eram as vossas expectativas quando tudo começou?

Obrigado  pela entrevista! Respondendo à sua pergunta: Mais do que expectativas, gostaria de falar sobre metas. A única coisa importante no começo foi fazer o álbum que eu tinha em mente, e acho que consegui isso.

Hintf: Para aqueles que ainda não conhecem , quem são Black Crown?


Eu me apresento: sou Paolo Navarretta e sou músico da província de Nápoles, na parte sul da Itália. “The Black Crown” é o meu projeto pessoal. Eu lancei um álbum em 2016 chamado “Fragments” seguido de “Enthropy” no final de 2018. No momento,  sou guitarrista e vocalista, Scott Haskitt na bateria e Christopher Guyatt no baixo.

Hintf: Quais são as principais diferenças de agora para quando vocês começaram?

A principal diferença foi a mudança de alinhamento com a introdução de Christopher no baixo. Falando sobre composição e produção: Eu tentei cortar todas as secções repetitivas e chatas das músicas. A composição foi mais linear do que o álbum anterior, mas mais “focado” também. No lado da produção, eu fui em direção a um som mais “refinado” do que o álbum anterior. Essa foi uma decisão consciente. Eu queria que o primeiro álbum fosse mais “cru” e “agressivo”.

Hintf: O que influencia a vossa música?

Para este álbum, eu diria que o nascimento da minha filha foi a principal força motriz por trás dele. O álbum foi gravado e produzido durante a sua gestação e depois do seu nascimento. Houve alguns problemas com a mãe dela durante o parto, mas, felizmente, no final, tudo correu bem. Foi um período muito estranho e stressante da minha vida. Para mim, que vivo na minha mente 99% do tempo, tornar-me um pai me fez reconectar ao meu corpo e aos meus instintos. Foi fascinante, mas também foi realmente assustador, porque eu tive que enfrentar algumas partes profundas, enterradas e desconhecidas da minha mente.

Hintf: Consideram-se uma banda de Heavy Rock, porquê?

Heavy Rock é um termo amplo que pode conter muitas coisas. Não é metal, nem rock. É algo entre os dois.

Hintf: Como é a cena musical em Piano di Sorrento?

Esta é uma cidade pequena e pacata no sul da Itália: para encontrar algo mais próximo de uma cena musical “real”, temos que nos mudar para Nápoles, que fica a 1 hora daqui. Eu diria que na minha cidade, a cena musical é inexistente. Não há muito a acrescentar: D

Hintf: Quais são os vossos planos para o futuro?

Meu foco principal no momento é promover este álbum. Sobre música nova, tenho a certeza que levará algum tempo antes de publicar algo novo. Estes dois álbuns foram lançados  num período muito curto de tempo. Estou estudando. De momento,  preciso tentar coisas novas, porque eu quero evitar a todo custo para fazer o mesmo álbum de novo e de novo. Eu preciso sair da minha zona de conforto, por assim dizer.

Hintf: Por favor, defina a The Black Crown em apenas uma palavra …

Cinemática.

Hintf: Gostariam de deixar algumas palavras aos  fãs em Portugal e aos nossos leitores?

Se gostam de música pesada e evocativa, por favor, ouçam os nossos álbuns. não se vão  decepcionar!

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Entrevista: The Black Crown (2017)
Por: Miguel Ribeiro


Hintf: Muito obrigado por esta entrevista, podem dizer então como tudo começou?

Olá Miguel, muito obrigado por esta oportunidade! O meu nome é Paolo Navarretta e sou um produtor e músico oriundo de Itália. Os “The Black Crown” começaram por volta de 2010 quando a minha antiga banda, Mustywig, se desmantelou. Tenho estado em bandas ‘a sério’ desde os meus tempos de adolescente e nessa altura queria mudar a minha abordagem à forma de fazer música, por isso comecei a gravar algumas canções por minha conta. Produzi um EP chamado de “Waiting Room” que foi o embrião para o que os The Black Crown haveriam de ser. Nestes anos gravei algumas ideias gerais e em Maio de 2016 iniciei o processo final de gravação.

Hintf: Porquê o nome de The Black Crown, e qual o seu significado?

O nome surgiu de um verso da canção “Forge”.
Nessa canção eu queria falar dobre a guerra, religiões e ideologias mas sob uma perspectiva diferente da usual. De facto, eu avanço com a perspectiva da Ideia em si mesma.
A frase de que falo é a que diz “Com a vossa pena (dor) forjarei a minha coroa”. Decidi que queria ter um nome de três palavras e essa linha deu-me a ideia para tal. Gostei de como soou e isso durou por mais que uma semana, portanto foi daí que veio “The Black Crown”.

Hintf: Muitas alterações na formação da banda?

Para o álbum fomos basicamente um trio. Eu, como guitarrista e vocalista e dois amigos meus, Fulvio Di Nocera que tocou o baixo e o duplo baixo, e o Scott Haskitt na bateria. Para atuações ao vivo será uma banda totalmente diferente, comigo apenas nas vozes e 3 outros músicos a assumirem os lugares da bateria, baixo e guitarra.

Hintf: O que influencia a vossa música e letras?

Sou um grande amante de livros e filmes e gosto de histórias e do contar de estórias. Para o primeiro álbum optei por gravar as canções mais agressivas que tinha escrito, talvez consequência direta dos tópicos sobre que canto, nomeadamente religião e psicologia.

Hintf: Por favor definam The Black Crown em uma só palavra…

Evocativo.

Hintf: Por favor, falem um pouco acerca do novo álbum “Fragments”?

Eu comecei a produção do álbum em Maio de 2016 e conclui-a em Agosto desse ano. Foi gravado em 3 lugares; o meu estúdio caseiro, em casa do baterista e num outro estúdio chamado “Fade In”, situado aqui em Sorrento. Gravei e produzi pessoalmente as canções e também criei o artwork para o álbum. Posso dizer que sou muito fã da abordagem “Do It Yourself” (DIY). Foi uma longa viagem, mas aprendi bastante neste processo, e o mais importante de tudo, diverti-me imenso a fazê-lo.

Hintf: Quais são as vossas expectativas para com este álbum?

Não tinha nenhuma expectativa. A minha única preocupação era acabar a produção deste e lançá-lo. Apenas isso. Sem planear o que fosse. Como fiz tudo sozinho tive que faze-lo com passos pequenos, um de cada vez, caso contrário dava em ‘doido’. Por isso depois de lançar o álbum em Setembro comecei então a fazer um pouco de promoção e em Dezembro o contrato com a editora chegou.

Hintf: Algum conceito especial para “Fragments”?Como foi a recepção por parte dos fans e da Imprensa?

As letras estão muito “fragmentadas”, numa forma pouco linear de contar estórias, daí o título do álbum.
O álbum foi muito bem recebido, quer por parte do público quer por parte da Imprensa. Recebeu algumas críticas entusiastas de alguns magazines e webzines e tem sido já de há um par de meses, o n°1 na tabela italiana de Rock no ReverbNation.

Hintf: Como é a cena musical italiana, especialmente em Piano di Sorrento?

Na minha cidade natal eu diria que é inexistente, por acaso eu toquei com a minha antiga banda no The Whiskey a Go-Go em Los Angeles, mas nunca toquei na minha cidade! O facto é que há realmente algumas boas bandas aqui em Itália, mas o problema principal é a falta de espaços para a música mais pesada, especialmente aqui a Sul. Mas tenho que admitir, que pelo que me lembro sempre foi assim, por isso para mim acaba por não ser um problema. Com o advento da Internet quebram-se algumas barreiras, e assim tornou-se mais fácil chegar a uma audiência mais vasta. Mas ao mesmo tempo é uma altura estranha para a Indústria. A forma como as pessoas “consomem” música mudou bastante num espaço de apenas 10-15 anos. Estamos a meio de uma “revolução” e com imensos músicos, eu incluído, ainda a perceber como evoluir e sobreviver a estas mudanças.

Hintf: Como é a vossa relação com a Zombie Shark Records?

Fantástica! O Noah “Shark” Robertson, o dono da editora, é uma pessoa muito apaixonada. Tendo a mais-valia de também ele ser músico. É alguém que respire e vive a música a 360°, e a sua ajuda e conhecimento do funcionamento interno da indústria musical era o que precisávamos ao momento para o projeto.

Hintf: Quais são os vossos planos para o futuro?

Por agora estou a ensaiar as músicas com uns músicos locais e a contactar agências promotoras pois gostava imenso de trazer o álbum para o palco. Entretanto estou também a produzir o videoclip para o tema “Flames”, que espero em um mês esteja pronto.

Hintf: Qual é a vossa opinião sobre Portugal? A nossa música, a nossa cultura …

Infelizmente, para além de Moonspell, não conheço muitas outras bandas de Portugal, mas um dos meus escritores favoritos, Fernando Pessoa, é do vosso país. Nunca aí estive, mas parece ser um belo país e dado o facto de também eu ser do Sul da Europa, acho que ambas as nações têm muito em comum.

Hintf: Imaginem que podem ter um convidado especial no álbum, um qualquer, quem escolheriam?

Escolha difícil… agora assim digo a Lisa Gerrard. De certeza que na próxima semana será outra pessoa!

Hintf: Algo que queiram dizer que não tenha sido perguntado?

Antes de mais quero agradecer por esta entrevista. E quero dizer isto aos vossos leitores: dêem uma hipótese â minha banda. Não vou dizer “esta é a melhor banda do mundo”, porque isso seria estúpido, mas sem dúvida. “Fragments” é um álbum feito com muita paixão, e se gostam de música pesada, obscura e cinematográfica, dêem-lhe uma hipótese e digam-me algo!

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