Serrabulho

Entrevista Serrabulho

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá Serrabulho! Antes de mais queremos dar-vos os Parabéns pela excelente obra que nos proporcionaram ouvir e pelo vosso tempo que sabemos ser escasso, para com esta entrevista! Assim e sem delongas, urge como primeira pergunta saber de que forma aconteceu o nascer de Serrabulho e porquê a escolha deste nome para a vossa banda?

Paulo Ventura: Olá Paula e Hintf! Muito obrigado desde já pelo vosso apoio e convite para esta entrevista. Esperamos que tenham gostado da obra (risos), que apesar de já estar cá fora, continua a dar-nos trabalho, no bom sentido é claro.

Ui… ao tempo que já não nos faziam esta pergunta (risos), mas é bom quando ela surge, visto o nome ter sido, digamos, a “primeira pedra” lançada nesta banda, aquando da sua criação, por mim e pelo Tóká. O nome advém de duas origens, que foram fundamentais para esta banda surgir: as nossas raízes (de onde somos, tradições, costumes, etc) e o meio que nos envolve (ambiente e paisagem). Há depois um terceiro factor: a comida (risos). Sendo assim optamos por Serrabulho, tirando apenas o primeiro A e colocando o E, fazendo alusão às serras que envolvem Vila Real – Marão e Alvão – que, automaticamente, esclarecem de onde somos e como somos. Depois, o Sarrabulho (comida) também é muito apreciado pelas nossas terras, visto que a tradição da matança do porco é muito simbólica e importante nas terras de Trás-os-Montes.

Hintf: Atualmente ‘rotulados’ como praticantes de Party Death/ Grind e Grindcore/Goregrind, querem fazer o obséquio de por palavras vossas nos descreverem o que é realmente a sonoridade de Serrabulho, assim para leigos não muito dados a ‘rótulos’?

Guilhermino Martins: Olá Paula! Serrabulho é uma mistura de música extrema, humor, nonsense, uma espécie de fusão entre a modernidade da música com o ritual celebratório, inerente às festas tradicionais da nossa região. Pensa nos Caretos, pensa nos Pauliteiros de Miranda, adiciona-lhe um sentido de humor estapafúrdio, muita boa disposição e a fórmula está alcançada.

Hintf: Contam com 7 anos de existência, 3 álbuns e 1 split. Como têm sido estes 7 anos de Serrabulho? Revêem-se hoje no ponto onde ambicionavam estar quando tudo começou?

Paulo Ventura: Sete anos de Serrabulho têm sido, de facto, muito muito bons! Quando começámos, queríamos tocar o máximo que pudéssemos, tentar tocar fora do país e não só em Espanha (risos), visto que temos imensos amigos no estrangeiro e sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, iríamos conseguir. Depois, tentar lançar pelo menos um álbum com as músicas todas que tínhamos e pronto, era esse o primeiro – e longínquo – objectivo.

Hintf: Quais consideram ter sido até aqui as maiores dificuldades ultrapassadas?

Paulo Ventura: Bem, como todas as bandas, o que se pretende ultrapassar sem dúvida é a “fronteira”: sair de Portugal e tocar por essa Europa fora e não só claro. Actualmente, essa barreira está mais do que ultrapassada e a prova são os 14 países diferentes onde já tocamos, fruto do imenso trabalho e de muita dedicação que esta banda nos exige. Também a forma como tocamos, a peculiaridade e toda a performance em cima do palco pode ter, inicialmente criado alguns anticorpos, mas com o tempo, as pessoas começaram a perceber/respeitar esse lado mais exótico inerente à banda.

Hintf: Há um novo disco, o “Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)”, editado há apenas uns dias. Este apesar de já relativamente bem apresentado em alguns dos vossos muitos concertos, certamente tem sido alvo merecedor da apreciação e atenção dos vossos seguidores. Como está a ser o feedback? E como se sentem relativamente ao resultado final destes últimos meses de trabalho?

Paulo Ventura: É verdade o Porntugal (PVG) está ainda quentinho, como se costuma dizer! De facto, desde Agosto – mês dos emigrantes, note-se a coincidência (risos) -, no Vagos Metal Fest (VMF) até Outubro, ainda tivemos nove concertos da era do “Star Whores”, mas neles já incluímos alguns dos novos temas na set list, para ver a reação do público e testar a nossa própria execução. Uma coisa é criarmos os temas, ensaiar no estúdio e depois gravar, mas depois, a essência deles transfigura-se, quando temos o quinto elemento presente em Serrabulho: o público! Mas desde o VMF que temos recebido bom feedback, muito apoio, apreço e interesse da parte do público (e não só) pela realização deste álbum. Relativamente ao resultado final sentimo-nos orgulhosos, ver em mãos o nosso álbum que resume sete ou oito meses de muito trabalho, brainstorming, decisões, etc, faz com que fiquemos de sorriso de orelha a orelha.

Hintf: “Porntugal (PVG)” acaba por ser um álbum concetual. Era essa a ideia desde que o começaram a escrever? Em que se inspiraram para esta temática?

Paulo Ventura: Sim, tudo o que vocês vêm e ouvem no álbum, surgiu com a ideia inicial, que era a palavra Portugal e tudo o que lhe está associado. Claro que Serrabulho iria fazer das suas e demos o nosso toque, Porntugal. Aliado a isso, focámo-nos na zona de Trás-os-Montes e apenas isso bastou para nos inspirar, como de facto podem perceber no álbum, não só no seu artwork, mas também nas melodias e nas letras.

Hintf: Neste disco trazem ao de cima muitas das nossas raízes musicais e vincam bem parte do folclore regional do nosso país. Trazem também muitos e bons convidados que conferem uma certa originalidade ao vosso som. Falem-nos um pouco de como surgiram estas colaborações…

Paulo Ventura: Não só neste disco, mas nos primeiros e no split, sempre decidimos incluir o que é nosso e faz parte da identidade de Serrabulho, da qual nunca nos afastámos. Neste álbum, temos o Ricardo Santos (Velha Gaiteira, Bizarma, etc) e o Manuel Meirinhos (Galandum Galundaina, Trasgo, etc), a coincidência é que ambos foram convidados para tocar no segundo álbum (risos), mas tal não se concretizou devido às vidas pessoais na altura. O Ricardo já o conheço há uns anos, ele sempre acompanhou Serrabulho desde o início e esteve em alguns dos nossos concertos, não esquecendo que ele tem uma costela de entrecosto virada para a música extrema. O Manuel além de o conhecer, também já tinha uma ligação com o Guilhermino (baixista e produtor) aquando do seu anterior projecto musical, os ThanatoSchizO.

HIntf: Estão com a editora Rotten Roll Rex desde o vosso segundo álbum, o “Star Whores” de 2015. Como tem sido esta parceria que a nível nacional vos tem à data apenas vocês, Serrabulho?

Paulo Ventura: A parceria é incrível e extremamente saudável, aliás a Rotten Roll Rex (RRR, na pessoa do Marco Kunz) já surge por convite do Micael (Vomit Your Shirt, RDB e BACT), aquando do lançamento do Ass Troubles, para a distribuição desse primeiro disco. Com o crescimento da banda e a criação do segundo álbum, a RRR propôs-nos lançar o Star Whores e reforçar os alicerces entre editora e banda. O Marco é sem dúvida uma excelente pessoa e Serrabulho tem uma óptima relação com ele, estamos muitas vezes em contacto e encontramo-nos muitas vezes lá fora, nomeadamente em churrascadas em casa dele, com a família. De facto, somos a única banda nacional no chamado roster da RRR, mas a porta está aberta, disso tenho a certeza, uma vez que o Marco está sempre à espreita de novas bandas para assinar.

Hintf: Como estão entretanto de agenda de promoção e atuação para este novo disco? Que planos há para o futuro de Serrabulho?

Paulo Ventura: A agenda já conta com muitas datas, cá e la fora, pois pretendemos fazer uma boa promoção e divulgação do disco, mas também actuar em novos países e, quem sabe, num novo continente (risos). Esta nova tournée começou este passado Sábado (Dez, 29), com a actuação em Pindelo dos Milagres – Assembleia do Metal e em 2019 por cá, estamos já confirmados no XXXapada na Tromba, no SWR, no Um Metaleiro também Chora Fest, no River Stone e no Faro Alternativo 9, fora de Portugal estamos já anunciados no Nantes Deathfist IV (FR), Resurrection Fest (ES), Deathfeast Open Air (DE), Loud Farm (SK) e no Masters of Grind (BE), mas mais datas vão ser anunciadas, estejam atentos! O futuro, para já, passar por tocar este álbum, chegar a mais e diferente público e, como já tenho alguma ideias para temas novos, em tempo oportuno juntar-me-ei ao Guilhermino (baixo) e ao Ivan (bateria) e lá vamos nós cozinhar (risos) no estúdio.

Hintf: Por fim e agradecendo o excelente momento musical que nos proporcionam com este disco, deixem-nos uma festiva mensagem à la Serrabulho para os nossos leitores e claro, vossos acérrimos seguidores!!

Paulo Ventura: Bem, desde já agradecemos por esta entrevista à Hintf e pelo apoio ao nosso novo álbum, Porntugal (PVG). Queremos agradecer também a todos os leitores e aos nossos seguidores! Que essas festas natalícias tenham sido óptimas e que essas iguarias tenham sido tão exóticas como as que oferecemos neste trabalho, desde um Ela fez me um Grão-de-Bico de entrada, passando por um Pito Sem Penas e um Tofu au Cu, terminando com um óptimo Dingleberry Ice Cream…divirtam-se!!!

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