Serrabulho

Banda: Serrabulho

Titulo: “Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)”

Editora: Rotten Roll Rex

Data de Lançamento: 01.Dezembro.2018

Algures na pitoresca e culta cidade de Vila Real em meados de 2011 quiseram os Deuses que se juntassem artistas únicos em irreverência e original arte musical e formassem o que hoje conhecemos como sendo dos coletivos nacionais do nosso querido underground com mais destaque e crescente relevância, de seu nome, singelamente, Serrabulho.

Os Serrabulho são das formações nacionais mais musicalmente estranhas e apetecíveis de ouvir a todas as classes e faixas etárias, com tecnicismos musicais que derivam e prolongam as influências do Death Metal, aliviando a natural agressividade dos riffs e estampidos da bateria numa constante festa musical e escavando caminho por entre o Goregrind, numa desenfreada soltura de cuidado e extremoso uso do nosso calão sem no entanto roçar a obscenidade e que difere – de tão rica ser a nossa língua – de álbum para álbum, numa homogeneidade lírica invejável a muitos prosadores e poetas.

Desta feita, há novo prato no menu de Serrabulho, servido com pompa e circunstância em palcos nacionais e internacionais, tendo sido a sua data oficial de lançamento o passado dia 01 do corrente e com o selo de qualidade da editora Rotten Roll Rex, qual Michelin discográfica do nosso roteiro de delícias sonoras.

Intitulado de “Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)”, este é o 3º registo em longa duração da carreira de 7 anos dos Serrabulho e é um disco que se quer seja ouvido sem qualquer preconceito ou reserva gastronómica, contendo no seu menu ricas e variadas opções que irão agradar a todos mas o mais importante de tudo é mesmo a essência musical deste álbum, riquíssimo em conceitos e fusões estilísticas com a inclusão de instrumentos musicais típicos do nosso ibero folclore e sabiamente interpretados.

‘She Drinks Milk’ é por assim dizer o aperitivo leve e que prepara o estômago do ouvinte para a fluída rajada de dinâmicas sonoras, que se mantém no entanto a um ritmo alucinante e numa velocidade de execução que impelem ao constante movimento.  Nunca um ‘grão de bico’ foi tão fácil de confeccionar e nem um ‘Tofu au Cu’ se degusta avidamente e nos faz render às saudáveis evidências do vegetarianismo.

O bailarico que os Serrabulho nos proporcionam constantemente, dentro e fora de palco, é a sua marca de água e conseguem transportar-nos musicalmente para rurais e genuínas paragens do nosso Portugal, assegurando com ‘ Pito Sem Penas’ ou ‘Dingleberry Ice Cream’ elegantes e faustosos acordes folk, numa vocalização repartida entre voz limpa e ricos pig squeals, tendo também que se dar o devido mérito aos honrosos convivas que contribuem para esta imponente festa musical.

Melhor que nos debatermos sobre acordes ou ritmos ou prosa de invejar o Bocage, é mesmo obrigatoriamente ter este disco na mão, rodá-lo sem parar e assistir ao vivo à performance de Serrabulho num qualquer palco perto de nós. É imperativo que o façamos.

Pontuação: 9,7/10

Por: Paula Antunes

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