A Forest Of Stars

Entrevista: A Forest Of Stars

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes de mais agradecemos o vosso tempo e a oportunidade desta entrevista! Comecemos pelo principio, quando tudo começou lá atrás em 2007. Como é que os A Forest Of Stars surgiram e irrompem na cena metal?  

O Cavalheiro: Foi tudo muito por acidente, para ser perfeitamente honesto – éramos apenas quarto amigos que decidiram fazer um álbum pelo puro gozo de o fazermos. Não planeávamos nada além de o escrever e gravar (e em que nos divertimos imenso ao fazê-lo) – e até este dia, todos guardamos uma série de carinhosas memórias desse outono e inverno. Após isso, não sabíamos bem o que fazer com isso, além de fazer algumas cópias caseiras para os nossos amigos e para um par de outras pessoas que manifestaram interesse. Partimos então para outras coisas, mas contrariamente ao esperado espalhou-se rapidamente por todo o lado, foi até chocante na verdade – era a última coisa que esperávamos ou planeávamos e fomos muito preguiçosos e nada aborrecidos para fazer alguma promoção, muito menos concertos. E então, mais ou menos, aqui estamos agora. É muito estranho quando olhas para trás para algo assim, e é ainda difícil unir os pontos ou mapear o caminho ou algo assim.

Hintf: De que melhor for a descrevem a vossa sonoridade e onde é que a palavra ‘psicadélico’ alcança a sua plenitude na vossa música?  

O Cavalheiro: Sempre dissemos que ‘psicadélico’ representa um estado de espirito ou um sentimento textural mais que uma passagem específica na música ou instrumentalização ou efeito. Não diria certamente que tudo o que fazemos é psicadélico por natureza; nós temos vários estados e atmosferas. Mas, parece ser algo que as pessoas sentem relativamente à nossa música, e há aquela abordagem de vórtice turbilhante de algumas das nossas canções, ou aquela sensação de atravessarmos o universo sem sermos impedidos por um corpo corpóreo, em espiral ou empurrando as barreiras da realidade, que tentamos invocar. Duvido que o façamos, e é tudo disparate mas é o que é. Para contrastar com isto, também temos secções que são plenamente enraizadas na terra húmida, suja e fétida, sendo arrastada para baixo, sufocada, consumida e subsumida. Como eu disse podes pegar ou largar o que quiseres sobre isso. No final é apenas música, mas tentamos invocar sim certas atmosferas e apesar de nunca termos reclamado o nosso sucesso com isso, não deixa de ser divertida a tentativa e o erro.

Hintf: 11 anos se passaram e 5 álbuns de longa duração foram lançados. Quais são as principais diferenças desde o primeiro “The Corpse of Rebirth” e este recente “Grave Mounds and Grave Mistakes”?

O Cavalheiro: Penso que estamos mais velhos e mais sábios. Mas ainda bastante bem-parecidos. Claro que aprendemos com todos os erros anteriores: em todos os álbuns gravamos algo que aconteceu que nos fez aperceber que não deveremos voltar a fazer o mesmo ou que haveria uma melhor forma de fazê-lo. Depois há o simplesmente aprender a ser melhor na composição, quer em termos de estrutura das canções, fluxo e refluxo, mas também instrumentação e trabalhar no que não está a resultar da forma que queres e descobrir o motivo. Gosto imenso disto. Bem mais do que devia verdade seja dita. Não mudaria nada do que fizemos no passado (o que está feito feito está), mas estou agradecido por ainda podermos aprender e que sempre haja algo novo a descobrirmos. Mesmo com o novo álbum, na altura em que o acabámos tínhamos uma imensa lista de coisas que não resultavam e o porquê disso acontecer, pelo que aplicávamos isso a cada novo disco. Nunca descanses sobre os louros, melhora sempre. Mas não o faças só em nome da mudança – deve haver uma boa razão por trás disso, a sustentá-la.

Maldição: Pessoalmente, quanto mais porcaria atiras para a fogueira, mais te obrigas a reconciliar com o cheiro das fezes ardentes. Eu estou aqui engolido.

Hintf: O que mais vos inspira a que se sentem e escrevam os vossos discos?  

O Cavalheiro: Podem ser inúmeras coisas. E apenas posso falar por mim, não por nenhum dos outros membros. Para mim: sentar ao meu piano enquanto cozinho comida parece resultar muito bem, apenas esboçando e rabiscando. Muitas das canções começaram assim. Então, uma vez dito em conversa ou lido num livro, ou ouvido num filme pode despoletar uma ideia ou uma atmosfera ou um conceito; por fim há melodias ou canções ou riffs que apenas aparecem na mente já totalmente formadas (esta eu não entendo mesmo e assusta-me). Para mim essas são as minhas três principais formas de escrever, variando e deslizando escalas.

Maldição: Liricamente, o meu pensamento processa-se à volta do desfazer físico e mental e tende a estar na vanguarda. Emoções humanas padrão que envolvem perda, pavor, desprezo e inevitabilidade também desempenham um papel enorme.

Hintf: Ao longo destes 11 anos de formação algumas alterações aconteceram, mudanças de lineup e de editoras. Apesar de por vezes necessárias e devidas à natural evolução da banda, de que forma estas mudanças melhoraram a vossa música?  

O Cavalheiro: Elementos novos vão sempre injectar ideias frescas, o que é óptimo, e todos estão dispostos a dar o seu melhor e contribuir o máximo possível. Todos os que entram para o Club é antes de mais e principalmente alguém que se dá connosco e entende o que estamos a tentar fazer. É extremamente importante que todos sejamos harmoniosos, caso contrário não valeria a pena fazermos isto. Somos muito sortudos por todos os que nos têm batido à porta percebam isto, e é sempre triste quando alguém não pode continuar esta viagem connosco. Nunca tivemos sempre a mesma formação em dois álbuns, quão louco pode isto ser? Não parece assim, mas quando olhas para trás não podes negar a evidência! Em termos de editoras é facilmente identificável a comparação positive. Tivemos duas, ambas brilhantes e saltarmos de uma para outra significa que podemos fazer mais e ir mais longe, que é o que realmente se quer de uma editora – apoio e compreensão genuína, e com sorte, a Prophecy assenta perfeitamente.

Hintf: Falem um pouco mais sobre “Grave Mounds and Grave Mistakes”, de que nos fala este disco?

Maldição: Nesta altura, a inevitabilidade e o declínio estão no seu auge, liricamente. Resignação para o que tem de ser e não pode ser alterado. O perigo de nos descobrirmos a desviarmo-nos para longe a razoabilidade enquanto se abre caminho em direcção à escuridão e à incerteza. A potencial desconcertante realização de que não te importas de uma forma ou outra. Apodrecimento, o declínio emocional e o encolher de ombros num abraço a uma sepultura em que ainda não navegas com sucesso.

Hintf: Sendo este um disco lançado pela Prophecy Productions no passado Setembro, como estão os vossos seguidores e a Imprensa a reagir até agora?  

O Cavalheiro: Vou ser totalmente honesto; pessoalmente não tenho muita noção das coisas, uma vez que optei por me manter afastado de tudo isso. Fizemos alguns concertos assim que o álbum saiu, e trabalhamos na parte do merchandising, conheci imensas pessoas queridas que todas nos pareceram muito entusiastas com o que tínhamos feito, o que é algo de excelente de ouvir e também um pouco embaraçoso que não sou muito bom a assimilar elogios. Outros membros da banda responderão melhor que eu a esta questão, eu acho.

Maldição: Uma mistura de amor e ódio, pelo que vi. Sempre dissemos que preferimos as emoções reais a palmadinhas no ombro!

Hintf: Quais são os principais planos e objetivos para o futuro próximo dos A Forest Of Stars?

O Cavalheiro: Há algumas coisas que temos em mente – estamos a renovar o nosso set para incluir imensas coisas novas e velhas que ainda não haviam sido feitas em anos e a fazer uma limpeza geral. Temos algumas músicas que gravamos durante as sessões do álbum e que estavam acabadas mas não havia onde as encaixar, pelo que esperamos poder fazer um split ou um EP ou algo do género no próximo ano. Também gostaríamos de fazer a tour de suporte ao álbum mas que este ano infelizmente não podemos fazer. E já temos algumas ideias para como deve soar o próximo álbum e algumas canções escritas; o objetivo é não deixar passar muito tempo entre um e outro. Mas veremos!

Hintf: Por favor deixem-nos uma mensagem para os nossos leitores e vossos seguidores portugueses!

O Cavalheiro: Foi um privilégio e um prazer falar convosco, por isso obrigado pela oportunidade, e gostaria de agradecer a toda e cada pessoa que nos tem apoiado, seja desde o início, ou que apenas agora nos tenham descoberto com este novo álbum; vai dar ao mesmo para nós: estamos verdadeiramente mesmo gratos pelo vosso interesse e honrados que tenham ocupado algum do vosso precioso tempo a ouvir-nos. Esperemos nunca vos tomar como garantidos!

Maldição: Obrigada pelas vossas questões.

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