HochiminH

Banda: HochiminH

Titulo: “Ashes”

Editora: Raging Planet / Raising Legends Records

Data de Lançamento: 09.Novembro.2018

Falar ou escrever sobre o actual panorama do metal nacional é algo que dá pano para mangas se me permitem o coloquialismo desta introdução, e isto visto da forma mais positiva possível, dada a cada vez mais comprovada qualidade do nosso produto, maioritariamente em todas as suas vertentes e por conseguinte da matéria que aqui sujeitaremos a frugal análise, a música e seus praticantes em si. Restringindo a mesma ao amplo nicho e na variante estilística do metalcore, área este que tem saído de zonas cinzentas e que se vai apresentando com um cada vez mais colorido diferente, onde se verifica a sua particular dinâmica à custa de conseguidas experimentações (com outros estilos e influências) ou fusões se assim lhes quisermos chamar, que tanto novas e menos novas bandas ou projectos têm tido a audácia de arriscar fazer.

Os Ho Chi MinH são um destes exemplos, banda oriunda de mais comumente conhecidas como serenas e tranquilas paragens do território alentejano, sendo o Distrito de Beja o epicentro do furacão sonoro que este colectivo de cinco elementos já nos provou vezes sem conta ser quando sobe a um qualquer perto de nós.

Oficialmente no activo desde 2001, os Ho Chi MinH conseguem ao longo destes 17 anos de existência levar a cabo uma carreira de evolutiva solidez, apesar de com ainda poucas edições discográficas – no entanto as bastantes para nos manter presos ao seu percurso, inovando e renovando-se, embrenhando-se cada vez na direcção industrial, mantendo as suas raízes de metalcore bem vivas e intactas e “Ashes”, o EP acabadinho de sair do forno no passado dia 8 de Novembro, é apenas e somente uma das peças musicais mais interessantes deste ainda corrente ano de 2018.

Estruturado com apenas 4 temas, “Ashes” é uma autêntica bomba-relógio, 14 minutos de pura adrenalina musical, intensos, dinâmicos, pesados, ritmados e com uma complexidade melódica em que o Homem e a Máquina se fundem, e não apenas na objectiva programação que nos oferece acordes fluídos, mas como também nos riffs quer de guitarra quer do gravoso baixo que faz acelerar ainda mais o ritmo cardíaco de quem escuta.

Em ‘Madness’, tema 2 deste ep, provoca-se um estranho frenesim no ouvinte, a bateria é insana e habilmente executada, não há qualquer margem de erro, a perfeição chega ao segundo e a exasperantemente delicada voz de João Ramos mostra um Dr. Hyde mais Jekyll  e este por sua vez exulta nas sombras desta destemida loucura.

Os arranjos orquestrais e os samplers escolhidos são soberbos e creio que o tio Trent se lhes desse ouvidos se renderia a esta habilidade. ‘Alive’ fecha este Ep com tudo e a reverberação atingida com a atmosfera criada é hipnotizante e pede mais uma volta nesta montanha-russa sonora. Sem limite de voltas.

Pontuação: 9,6/10

Por: Paula Antunes

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