Drusuna

Entrevista: Drusuna

Por: Lígia Ferreira

Hintf: É um prazer falar convosco, falem-nos um pouco da história dos Drusuna, como se conheceram e como tudo começou…

O conceito de Drusuna começou a ser idealizado em 2008. Inicialmente foi criado por mim Sephirus e Alvahagal que apesar de não estar fisicamente presente na banda, estará para sempre ligado a ela.

A ideia inicial era fazer algo primitivo e ancestral com instrumentos feitos de materiais naturais… Pedras, paus, ossos, e outros objectos encontrados no bosque.

Foram feitos alguns registos em saídas para a floresta, com percussões e outros efeitos sonoros a partir de elementos naturais…

Alguns destes registos foram posteriormente tratados em suporte digital e utilizados nas primeiras composições.

Com o passar do tempo, fomos evoluindo com mais instrumentos étnicos e novos elementos (músicos) que se juntaram-se ao projecto.

Hintf: Drusuna é a Senhora da Floresta, porquê a escolhida para representar a banda?

Todas as culturas que surgiram ao longo da História, tinham a sua visão do mundo de uma forma particular e usavam essa mesma visão para tentar explicar e encontrar respostas para os enigmas do mundo.

Conceitos e entidades espirituais foram criadas com base no que observavam e as divindades foram uma das formas mais eficazes de o fazer.

Apesar de cada uma delas (culturas), criar o seu próprio conceito, de uma forma geral, podemos observar que muitas delas são transversais entre si.

Drusuna apesar de muito pouco conhecida, podemos saber a partir dos poucos vestígios arqueológicos encontrados na região de Soria (actualCastilla y Leon), que se tratava de uma divindade ligada à floresta e a todos os seres que nela habitam.

Podemos encontrar entidades similares como Arduinna, Medeina ou Abnoba, entre outras.

Uma vez que o nosso conceito musical está directamente ligado à floresta e a uma era ancestral, fomos buscar uma entidade ligada ás nossas raízes culturais. A escolha não poderia ser mais autêntica.

Hintf:  Quando compõem as vossas músicas de onde retiram a vossa inspiração? Vem naturalmente ou têm de ter a disposição certa para escrever?

Toda a criação musical e conceptual vem de uma inspiração directa da ligação com a natureza e mais propriamente com a floresta.

Quando nos isolamos dos centros urbanos e procuramos refúgio espiritual no mundo verde, conseguimos muito mais facilmente, ligarmo-nos ás nossas raízes enquanto seres/animais habitantes deste planeta.

Toda a energia acumulada na reconexão com a terra, traduz-se em inspiração que flui naturalmente e sem grande esforço… do simples escutar de uma corrente de um riacho, do ruído do vento nas folhas das arvores ou do zumbido de uma abelha a pousar numa flor para recolher pólen, surgem melodias e ritmos misturados num “caos harmonioso”. Só temos que juntar as peças e montar o puzzle… a escuta do próprio silencio, faz-nos apurar os sentidos para encontrar pormenores nunca antes observados… cada momento, cada situação, abre caminho para uma nova historia.

Hintf: O que pensam da cena folk nacional e o que é que precisa de ser melhorado para haver mais reconhecimento pela parte do público?

Falando da minha visão pessoal e não da banda, acho que a cena folk em Portugal é muito reduzida e infelizmente não há grande interesse de uma forma geral… infelizmente temos o hábito de importar tudo de fora e não damos valor ao que de genuíno temos… Por outro lado, somos bastante conservadores e limitamo-nos às mesmas rotinas consecutivamente…. Certamente haverá muita gente de acordo comigo quando digo que se observarmos os cartazes de festivais de música alternativa por ex. (metal), as bandas repetem-se ano após ano… com a quantidade de bandas e artistas fabulosos que existem por esse mundo fora, é uma opção bastante redutora.

Penso que a abertura a novas bandas e a novos conceitos pode trazer surpresas muito boas. A maior parte das pessoas não imagina a quantidade de projectos que são desconhecidos, mas que são de grande originalidade e qualidade.

Na minha opinião, grande parte do folk Português, fica-se pela música tradicional e roda sempre à volta das mesmas pessoas. A vertente mais ancestral do folk como o “Pagan Folk” e “Dark Folk”, é muito curta e reduz-se a meia dúzia de projectos muito interessantes. Os eventos que vão havendo como o Oestrymnis em Lisboa e outros eventos singulares que vão aparecendo, partindo do esforço de algumas pessoas por gosto ao movimento, vão sendo algumas iniciativas que evitam que esta vertente do folk não seja inexistente.

No caso de Drusuna, a maior parte dos seus seguidores/apreciadores são de fora de Portugal. Não vejo isso como aspecto negativo, mas é um reflexo dos interesses musicais da maioria das pessoas… 

Hintf: Como foi recebido até agora o vosso EP KaytosKom?

Kaytos Kom foi uma primeira abordagem ao nosso conceito musical. Apesar de ser uma pequena amostra do que fazemos, podemos dizer que foi bem recebido um pouco por toda a gente. Este primeiro lançamento foi um trabalho longo e cuidado, principalmente porque foi em altura de formação da banda e a dificuldade em arranjar músicos para o efeito ou a estabilização do lineup foi um processo muito complicado…, no entanto o objectivo foi conseguido.

Hintf: Como apareceu a oportunidade de trabalharem com a Friendly Folk Records e como é a vossa relação com eles?

Quando lançamos o nosso ep digitalmente nas plataformas online, começamos a receber feedback de aficionados a esta vertente musical, vindo de vários lados um pouco por toda a europa com especial interesse do Benellux. Um desses interesses veio de uma radio online, a Celtcast de Arjan de Groot, que é focalizada em música folk (Pagan Folk, celtic, pirate, etc…) e que procura bandas dentro do meio, um pouco por toda a europa e está directamente ligada aos maiores eventos musicais do folk europeu.

Foi precisamente Arjan que nos apresentou a Kathy Keller da Friendly Folk Records, que se interessou pela nossa música e estabelecemos uma ligação muito rápida, tanto a nível musical como ideológico.

Esta parceria cresceu rapidamente e de uma forma coesa. Apesar de algumas dificuldades normais do mundo da música, as coisas têm-se conduzido de uma forma bastante positiva, como foi o caso da nossa participação no Fantasy fest Rijswijk no passado 13 e 14 de Outubro.

Hintf: Têm dado vários concertos, um deles no Raíz Ibérica, vocês disseram que foi um evento inesquecível… O que há de tão especial no encontro? Contem-nos um pouco da vossa experiência lá.

O Raiz Ibérica é realmente um evento muito especial. Primeiro porque se trata de algo familiar, criado basicamente com o esforço dos seus criadores e com limitações orçamentais. No entanto, toda a energia depositada na construção do projecto, ultrapassa qualquer tipo de contrariedade e limitação que possam existir.

O ambiente é simplesmente mágico, o local é fantástico e a ligação entre todos os participantes é natural e singular, porque os interesses que movem as pessoas a participarem é forte e genuíno.

Apesar de alguns pormenores técnicos, a participação foi muito positiva e gostaríamos de voltar a participar numa edição futura.

Hintf: Têm mais algumas datas marcadas para breve?

Vamos agora preparar um novo trabalho pelo que de momento, temos uma actuação em Guimarães no dia 9 de novembro e que será provavelmente a última de 2018.

Hintf: Dentro do estilo que outras bandas recomendariam aos nossos leitores?

Existem muitas bandas e projectos interessantes actualmente dentro do meio.

A título de sugestão posso recomendar algumas assim de repente: Heilung, Danheim, Àrnica, Urze de Lume, Waldkauz, Seedpagan Folk, Sowulo, Forndom, Azagatel, TheMoonandthenightspirit, Nemuer e muitas mais…

Hintf: Chegamos ao fim da entrevista, há algo que queiram dizer aos vossos fãs?

Queremos agradecer o vosso interesse em Drusuna e na nossa música.

Esperamos dar mais concertos em Portugal porque também sabemos que existem muitas pessoas no nosso país que gostam deste vertente do folk e gostariam de ter mais eventos com bandas do género.

A todos eles e a todos os leitores da Hintf Webzine, os nossos agradecimentos.

Sephirus Oakborn

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.