Full Report Silveira Rock Fest

Silveira Rock Fest VI @ Casal da Silveira, Famões (15.Setembro.2018)

The Temple + Dollar LLama + Prayers Of Sanity + Inner Blast + All Against

Text: Paula Antunes
Photos:
Telma Silva

Thanks To: Silveira Rock Fest

[̲̅o̲̅][̲̅f̲̅][̲̅f̲̅][̲̅i̲̅][̲̅c̲̅][̲̅i̲̅][̲̅a̲̅][̲̅l̲̅] [̲̅s̲̅][̲̅p̲̅][̲̅o̲̅][̲̅n̲̅][̲̅s̲̅][̲̅o̲̅][̲̅r̲̅]: Hintf Webzine
Editor:
Miguel B. Ribeiro

Antes de mais caros leitores e seguidores da Hintf Webzine, importa salientar que o texto que se segue carece da que se promete ser breve apesar de longa introdução, por conta da merecida justiça e respeito ao trabalho e confiança mútuos do organizador (Ricardo ‘Ricky’ Matos) e demais envolvidos.

A 9 de Novembro do ano de 2013 iniciava-se uma nova etapa no calendário de festividades do underground musical nacional. O local escolhido, bem no centro dos arrabaldes da cidade lisboeta, ali entre Odivelas e Loures, no recinto do campo desportivo do clube de futebol ‘Os Silveirenses’ e que pela casuística da localidade, Casal da Silveira, dá assim também a designação a um dos atuais festivais nacionais com mais élan, termo este que merece desde já o devido crédito a amigo e participante dentro e fora do palco deste festival, de seu cognome ‘Marujo, Morde Essa Bolacha’.

Desde logo apostando num cartaz forte e lamento a quem não gosta do termo, eclético, e primando pelas vertentes estilísticas do Rock e do Metal mais abrangente (Toxic Room, Kormel, Deserto e Tones of Rock), este pontapé de arranque tem vindo a marcar golos com provas dadas nas suas sequentes edições, onde se nota gradualmente a evolução crescente na organização e preparo das comodidades a público e bandas, e sempre tendo em linha de conta a aposta em nomes mais escassos no circuito tradicional, possibilitando o bónus acrescido de interação e disseminação da arte dos artistas escolhidos e do público que com o seu trabalho tem uma eventual estreia.

Ainda com entrada paga num valor irrisório e com um intervalo de apenas 6 meses, a 31 de Maio de 2014, deu-se a 2ª edição com o acréscimo de mais uma banda (11th Dimension, Capitão Américo, Ol’Jolly Roger, The Bourbons e Booster). A partir daqui, se dúvidas havia sobre a continuidade do Silveira Rock Fest, estas dissiparam-se por completo e em Outubro de 2015, ao décimo dia, sobem a palco 6 bandas (Scum Liquor, Stonerust, Destroyers of All, Don’t Disturb My Circles, Terror Empire e Dollar Llama), mantém-se a variante da variável de estilos mas esta 3ª edição assinalavelmente mais ‘pesada’ tornou-se mais leve na carteira, com a entrada gratuita, permitindo um maior afluxo de pessoas e num quente entardecer dessa tarde de Outono uma maior correria às frescas bebidas e saborosas bifanas.

Se a edição de 2015 se pautou pelo elevar da fasquia a todos os níveis, a de 2016 não se ficou atrás, assinalando-se neste 4º cartaz a inclusão de atividades extra que nos permitiu o contacto mais próximo com o design in loco de grafismo e ilustração digital, com breves explanações sobre a forma de criação e visionamento deste processo, agregando e unindo convivas descontraidamente entre atuações das bandas convidadas a atuar nesse 08 de Outubro (Booze Abuser, Speedemon, Burn Damage, Bleeding Display e The Royal Blasphemy). Já em 2017, a 30 de Setembro, se aplaudiram outros tantos grandes nomes da nossa cena (Okkultist, Blame Zeus, Stone Cold Lips, Sacred Sin e Decayed), mantendo-se a dinâmica de atividades existentes e a sempre pertinente presença das bancas de merchandising que já fazem parte desta casa.

É chegada a vez de então se falar sobre o que aconteceu há uns dias atrás, em concreto no passado dia 15 de Setembro, a edição 6 do Silveira Rock Fest, o festival com mais élan!

De facto muito pouco – e ainda bem que assim é – há a acrescentar ao já dito sobre o festival em si, em termos de organização, a qualidade é reconhecida, o espaço mediante as condições que apresenta temo seu próprio carisma, agrega e permite aos melómanos pais de família levar a sua prole e mantê-la saudavelmente entretida, ao ar livre e em movimento, proporcionado uma comunhão com a natureza tão própria de quem se movimenta a gosto e ritmo musical, desmistificando e quebrando horrendos mas infelizmente presentes pré-conceitos sobre a malta que veste de preto e se junta para ouvir ruidosas bandas, que por azar dos azares até tocam de jeito e os decibéis não estilhaçam vidros porque os rapazes (e raparigas!) dentro e fora do palco até sabem o que estão a fazer. E já dizia a outra senhora que de pequenino se torce o pepino. O facto do SRF se manter até indicações em contrário com entrada livre ajuda mas não é por isso que tem mais afluência. Esta chega cedo, traja a rigor, ao seu próprio estilo, convive, felicita artistas, regozija-se por rever amigos e convivas como se as horas que passaram sobre o último momento de partilha musical tivesse sido há séculos e para muitos nem o relógio dera ainda a volta sobre as suas 24 horas. E este é um pouco do espirito que se respira no Silveira Rock Fest, a par de tantos outros eventos similares, felizmente.

Nesta 6ª edição do SRF manteve-se a qualidade da organização, o ânimo predisposto ao convívio e as condições meteorológicas, registando-se apenas o factor negativo do calor insuportável na sala que se revela cada vez mais reduzida para albergar o público apoiante das bandas presentes.

Os primeiros a subir ao palco foram os All Against, coletivo que tem vindo a aumentar a sua legião de seguidores com mérito conseguido por força da sua evolução musical, apresentando no seu set para além do seu EP de estreia, “Medusa”, na íntegra, também os novos temas malhados a bom ferro, e que serão oficialmente lançadas no próximo dia 29 de Setembro, integrantes do EP “Feed The Machine” inflamaram esta atuação. Arrancando estes  thrashers lisboetas em ritmo vertiginoso com o tema ‘Rise and Fall’, esta descarga elétrica foi contínua, arrebatando as hostes com ‘Cut in Blood’ e encaixando as novidades ‘Silver Bullet’ e ‘Feed the Machine’numa coesão musical que permitiu o constnte movimento à boca de palco e neste último tema que se encontra já disponível para escuta nas suas páginas oficiais se entendeu a abordagem a uma linha musical mais melódica, conjugando os riffs pesados das duas guitarras com a ainda experimental maleabilidade vocal de Rui Miguel. ‘Sociedade Hostil’, o único tema em português que homenageia as raízes mais punk/hardcore dos seus elementos foi dos mais aplaudidos e ‘Medusa’ fecha este set, onde tempo houve a pedido do público para um encore com o tema ‘All Against’.

Mantendo o ecletismo e o encaixe de bandas estilisticamente diferentes, a banda que se seguiu, também sediada na grande Lisboa, apresentou-se com a agora reduzida formação a 4 elementos e no entanto fortíssima. Os Inner Blast, que têm vindo a desenvolver o seu metal gótico de forma mais pesada, piscando o olho desavergonhadamente a um registo mais sinfónico e com laivos de death, trazem ainda “Prophecy” como seu atual disco recente e há que dar os parabéns à sua resiliência de 12 anos no ativo e com uma presença de palco sempre carismática, eficiente e muito acolhedora do seu público que não se roga a retribuir. Os temas falam por si e se nos rendemos ante a cristalina voz de Lilith em ‘Legacy’ ficamos em assombro com os graves growls que fazem de ‘Throne of Lilith’ uma das suas pérolas musicais. ‘There’s No Pride’, o tema que nos fala de guerras é intenso e o peso da dramaticidade imposta em ‘Insane’ dão aos Inner Blast momentos únicos de visível prazer musical partilhado com o público. Uma excelente atuação e apesar de sentirmos a falta da teclista Mónica, souberam bem dar a volta à orquestração, tanto que também fomos merecedores de encore.

Percorrendo alguns bons quilómetros para estarem presentes no SRF, os Prayers of Sanity são uma das bandas com mais movida de palco da atualidade, agarrando sem medos o público já bem aquecido e descarregando literalmente o seu thrash metal bem consolidado ao longo dos seus 11 anos de carreira e amadurecido em 4 registos discográficos -o mais recente datando de 2017, – extraindo do último “Face of the Unknown” os temas ‘Dead Alive’ – com que abriram, ‘Past Present None’ e ‘Unturned’, servindo este trio de faixas iniciais para avisar que esta 1ª parte do seu set é um aviso do seu poderio musical e que cansaço é palavra desconhecida no dicionário destes moços algarvios. A ‘barraca’ abanou com os temas mais antigos, ‘The End of All’ o mais explosivo, ‘Confrontations’ o mais rasgado e ‘Religion Blindness’ a catarse talvez por ser onde tudo começou para os Prayers of Sanity e ‘Evil May Die’ que fechou em apoteose; isto tudo apresentado e executado do coração, em constante movimento quer dos elementos quer do público que aguentou estoicamente a sauna.

Os Dollar Llama, repetentes no cartaz do SRF, coletivo lisboeta que tem o seu próprio séquito de seguidores, trouxe a Casal da Silveira o seu stoner/Southern metal Rock limpo e sem espinhas. Dada a sua vasta experiência musical é fácil assimilar temas mais complexos e passíveis de hipnotizar momentaneamente ouvintes mais propensos a estados zen, potenciados por riffs dissonantes e ritmados e uma intensidade e fluidez de acordes pejados de boa energia. Ainda em promoção do disco de 2017 “Juggernaut”, destaque absoluto para o desempenho com  ‘Nails’  e ‘Stagefires’ e aqui aproveitamos para dizer que nunca um título de tema fez tanto sentido como nesta edição do SRF; o palco que se confunde com a plateia foi constantemente incendiado e crê esta que escreve que podemos alternar o stagediving para palcos mais elevados e o stagefire para os mais térreos… A súmula é que nem ‘Jaws’ se partiram e nem ‘Semigods’ houve. Grandiosa atuação dos Dollar Llama que engrandeceram o trabalho desenvolvido ao longo destas edições do Silveira.

E comme d’habitude, o amargo de boca chega quando sabemos que teremos a última atuação da noite. Amargo apenas por ser o fim, mas o doce vai permanecer enquanto nos lembrarmos que os The Temple são daquelas cerejas no topo do bolo que se querem saboreadas com avidez e pecaminosa gula. Perfazem um quarto de século, passaram por alguns hiatos, e a força que transmitem com o seu thrash metal faz deles também professores da chamada velha escola deste metal que se quer rasgado, cru e por isso tão verdadeiramente exemplar e influenciador dos ritmos da atualidade. Sofrendo alguns percalços com o fornecimento da eletricidade, rapidamente solucionados, os The Temple jamais desarmaram; mantiveram-se atentos ao seu público, oferendo pérolas como ‘Nation on Fire’, ‘War Dance’ e ‘Release My Demons’ só para referir alguns dos 19 temas que se fizeram ouvir, entre eles, o entoado quase em uníssono pelos presentes, ‘Budapeste’, a sua versão de 2007 para o original tema dos Mão Morta. E lá fomos nós sempre a rock& rollar no traby dos The Temple, numa corrida contra o tempo e que se queria mais longa. Com ‘Save Me’ e ‘Millionaire’ se fechou esta atuação e se milionários não ficamos com o nosso belo underground, mais e melhores ricas pessoas nos sentimos ante almas que tão gentilmente nos oferecem a sua arte.

Foram 9 horas de uma jornada que se faz com gosto e sem grandes mostras de cansaço, uma corrida bem maior para a equipa da Rock’n’Raw Studios que assegurou as condições sonoras, para a equipa de voluntários na grelha das saborosas bifanas e nas sempre jorrantes torneiras de fresca cevada liquida, e seguramente outras tantas incontáveis para o Ricky e a Inês, sempre com sorrisos e boa disposição a quem a eles acorria, fosse para saudar, conversar um pouco e parabenizar por mais uma edição de sucesso. A todos eles que a recuperação já tenha tido lugar, às 5 fantásticas bandas, força aí e vemo-nos em breve!! A Hintf Webzine agradece o acolhimento e enaltece o evento!

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