Inkilina Sazabra

Entrevista Inkilina Sazabra

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá! Antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e para abrir as hostilidades nada melhor que relembrarmos um pouco da história dos Inkilina Sazabra e do vosso percurso de 8 anos pela cena musical nacional.

Os I.S começaram em 2010 com a ideia de musicar o livro; “Liberdade, Obscuridade” do Pedro Sazabra, na altura era apenas um projeto de estúdio entre o Carlos Maldito e o Pedro. Em 2011 com o lançamento da obra de estreia “A Divina Maldade”, Paulo Dimal e César Palma juntaram-se á aventura e a agora banda começou a tocar ao vivo. A boa receção fez a banda acelerar e no ano seguinte surgiu mais um álbum “Almas Envenenadas”, repetindo o processo de Maldito compor e gravar tudo e Pedro escrever as letras e cantar. Em 2014 foi lançado o “Maldita(mente)” que pela primeira vez abriu o leque em termos de composição, tendo temas escritos por todos os membros da banda. Em 2016 a banda lança “O rasto”, um dvd comemorativo do percurso da banda até então…

Em 2017 foi escrito o disco “Umbria Noite”, mas que acabaria por ser lançado em 2018 como um adeus e um obrigado a todos os que acompanharam a banda. Assim foram os Inkilina Sazabra!

Hintf: Cumprindo 8 anos de existência e sempre tendo tido a mesma formação desde a sua origem, decidem – para tristeza e espanto dos vossos seguidores – colocar um ponto final neste vosso projeto. A pergunta Porquê é pertinente, o que vos levou a esta tomada de decisão? 

Uma das coisas acordadas pelos membros fundadores desde o início de forma consciente foi que esta banda seria levada até ser prazerosa, quando a mesma deixa-se de o ser, seria terminada. Desde o início isto foi ponto assente! Chegámos a 2015 e começamos a reparar que a banda não estava a reunir a atenção e respeito que merecia na nossa opinião, sempre tivemos consciência que fizemos obras com qualidade e que tínhamos seguidores atentos mas o meio underground Português não nos estava a dar motivação, essa é a realidade.

Hintf: Os Inkilina Sazabra deixam-nos obra feita, 2 EP’s, 4 álbuns e ainda um DVD. Com esta variedade de edições, consideram ter alcançado o que haviam planeado fazer enquanto IS? O que mudariam se pudessem voltar atrás no tempo? 

Fizemos muito nestes 8 anos, e tudo sozinhos desde gravar, compor, videoclips até as artes gráficas sem apoios financeiros de ninguém! Poderá ser interpretada como arrogante esta resposta mas da nossa parte não mudávamos nada de muito significante, trabalhámos muito e apresentámos obra nestes 8 anos, a partir dai há um leque gigante de escolhas que não está nas nossas mãos desde a imprensa, a público e promotores, e quando não nos sentimos bem tratados podemos belamente voltar as costas e colocar um ponto final com o orgulho de saber que o que fizemos foi de qualidade! Ninguém dos Inkilina vive da música, é um hobbie que foi combinado ser prazeroso desde o início portanto não faz parte da nossa essência andar a choramingar a ninguém ou a pedir favores quando não vemos as coisas a acontecerem.

Hintf: “Umbria Noite”, o vosso último álbum, fecha este ciclo de 8 anos, é um álbum intenso e algo melancólico. De que nos fala este disco, o que vos levou a compô-lo e de que forma o sentem agora que tem também o peso de trabalho final da vossa carreira?

Neste album o Carlos Maldito compôs as musicas sem saber ao certo que letras iriam estar por cima. Entregou ao Pedro Sazabra as musicas em bruto com o completo livre arbitrio de fazer as letras à sua maneira. Ao que optou por relatar a história de uma noite. Não é autobiografico mas de certa forma em alguns pontos toca na vivência que aqui ou ali todos no universo de Inkilina Sazabra vivênciamos nas noites de boémia. O Pedro apresentou as letras, a banda concordou e assim ficou. O peso que tem o Umbria Noite no final de nossa carreira: é a que temos mais um orgulho enorme pela obra feita. A vida é feita de ciclos, Inkilina Sazabra teve o seu ciclo, tal como a boémia já teve vários ciclos. Fica o registo de boas memórias.

Hintf: Há uma convidada especial a participar no tema ‘Preciso De Um Copo’, falem um pouco de como se deu esta colaboração e o porquê da escolha deste tema em particular para a vossa convidada? 

Este tema em específico é um dos mais pesados do disco e desde sempre se sentiu a necessidade de inserir uma voz feminina no tema. A Mafalda gravou umas vozes pesadas que acabaram por não ser usadas no refrão porque mudámos de estratégia e usamos as vozes sussuradas dela, dando uma textura que queriamos.

Hintf: Estando “Umbria Noite” oficialmente lançado apenas de forma digital pela Dicepeca Records, há previsão de alguma futura edição física e se sim para quando e de que forma os ouvintes poderão obter um exemplar?

Para já não está nada agendado.

Hintf: Quais os atuais planos de atividades para os membros de Inkilina Sazabra, uma vez que vos sabemos ativos em outros projetos musicais? 

Os membros fundadores (Carlos e Pedro) estão juntos em Máquina Apollo, uma banda nova que irá lançar álbum de estreia este ano, depois Carlos, César e Dimal estão juntos em Cryptor Morbious family desde 2017.

Hintf: Com um agradecimento especial por parte da Hintf Webzine pelo vosso legado musical, deixamos-vos esta linha aberta para que nos deixem aos nossos leitores e vossos seguidores uma última mensagem de Inkilina Sazabra… 

A mensagem que deixamos aos seguidores de Inkilina Sazabra é de  gratidão. A vida é feita de ciclos e encaramos isso com naturalidade, sem amarguras. Alguma nóstalgia é certo porque vivemos momentos fantásticos e conhecemos através dos Inkilina Sazabra pessoas fantásticas. Essencialmente é isso, um sentimento de gratidão pelo tempo vivido e pela força que nos foi dada. Uma palavra também à Hintf Webzine por sempre ter estado atenta ao nosso trabalho. Obrigado e uma vénia aos malditos!

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