Caelestia

Entrevista Caelestia

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes de mais agradecemos o vosso tempo para com esta entrevista e também vos devemos dar os parabéns pelo excelente disco, “Thanatopsis”, poderoso e enérgico até ao âmago… Comecemos por apresentar a banda, digam-nos o porquê de se juntarem como Caelestia e qual o significado do nome da banda?  

Olá Paula, e muito obrigado pela oportunidade da entrevista e pelas simpáticas palavras acerca do nosso novo disco. Os membros da banda são: Dimitra Talamantes – Vintsou (vozes), Nikos Palyvos (vozes), Vassilis Thomas (guitarras), Vangelis Evangelou (guitarras) e o Stelios Varotsakis (baixo). De momento estamos a trabalhar com um baterista de sessão, o Defkalion Dimos, que está a substituir o afamado George Kollias (Nile) na sua anterior banda (Cerebrum). O nome da banda foi escolhido pelo Dimitra e significa “celestial” em latim; é uma ironia direta, porque a atmosfera musical da banda é tão obscura e queremos realçar este contraste.

Hintf: De que melhor forma descrevem a vossa sonoridade e falem também um pouco sobre o vosso percurso no cenário musical?

O nosso som é geralmente muito agressivo e obscuro ao mesmo tempo. Usamos muitos elementos do death e do black metal, e misturamo-los com todas as partes sinfónicas, que desempenham um papel muito importante, mas não se sobrepõem à nossa base característica de death / black metal. É por isso que o termo correto para a nossa música será “metal sinfónico extremo”. A banda começou em 2012 com o Dimitra e o Nikos, mudámos o nosso nome em 2013 e optámos por uma linha musical mais agressiva e pesada. Em 2015 lançamos o nosso álbum de estreia, ”Beneath Abyss” (Inverse Records) e em 2017 editámos o “Thanatopsis” (EMP Label Group / SPV GmbH).

Hintf: Caelestia é ainda uma banda muito jovem, formados apenas há 5 anos atrás; quais eram as vossas expetativas iniciais para este projeto e quais são as principais diferenças na vossa sonoridade ao longo deste curto período de tempo de existência?  

As nossas expetativas aumentaram com o segundo álbum, claro. Demos muita atenção à qualidade de produção; tivemos o gosto e o privilégio de trabalhar com m dos mais afamados produtores da cena metal, o Fredrik Nordstrom, que supervisionou a mistura e a masterização do álbum. Afinal de contas, o nosso produtor é amplamente conhecido por ter criado o famoso “som de Gotemburgo”, que influenciou inúmeras bandas. O sentimento geral da produção é mais agressiva e mais distinto ao mesmo tempo, não ‘turvo’ e opaco. Era o que queríamos alcançar em primeiro lugar: um som denso e agressivo que agarrasse o ouvinte de imediato ‘pelo pescoço’…

Hintf: Tiveram também uma ligeira alteração ao vosso lineup desde os vossos tempos de início; como foi a integração dos novos membros e quais foram as novas melhorias que estes trouxeram para Caelestia?

Sim, é verdade. Sempre tivemos as nossas alterações de lineup. Não é de todo fácil encontrar músicos que partilhem a mesma paixão, e que ao mesmo tempo tenham a mesma habilidade de produzir e executar um estilo de metal tão exigente, como o metal extremo. Por isso tivemos alterações na formação desde o início, até tivemos uma mais recentemente, há uns meses atrás (e.g. o nosso anterior baterista Socratis Panagouleas saiu da banda por razões pessoais, e foi substituído pelo baterista de sessão Defkalion Dimos, que vai trabalhar connosco de agora em diante). Os novos membros sempre trazem com eles a sua visão fresca das coisas, juntamente com a sua personalidade musical e talento, algo que melhora muito a imagem e o potencial geral da banda. No nosso caso, os novos membros (depois de 2015) permitiram-nos escrever música mais complexa e exigente para o disco “Thanatopsis”, e desta forma, demos um passo maior na evolução musical da banda.

Hintf: Agora, acerca do vosso novo disco, o álbum “Thanatopsis”, oficialmente lançado à escala mundial no passado Dezembro; quão bem está este a ser recebido pelo público em geral e pelos fãs de Caelestia e também pela Imprensa especializada?  

Até agora temos tido um feedback muito positivo; e continuamos a receber boas críticas, mesmo de países que produzem metal extreme eles próprios. Isso é mito importante para nós. Em todas as críticas até agora, temos uma média geral de avaliação de acima dos 7,5/10, algo que claro é excelente, especialmente quando muitas dessas críticas vem de países com uma larga tradição nos géneros de metal extremo (Suécia, Noruega, Finlândia, RU, Alemanha, etc.). Também recebemos muito feedback positive dos nosso fãs em todas as redes sociais e no nosso canal do YouTube, onde carregámos os nossos vídeos oficiais para o álbum “Thanatopsis” (2 vídeos de áudio e 1 lyric vídeo).

Hintf: Falem um pouco mais acerca de “Thanatopsis”, a palavra para a visão da morte ou a sua contemplação, expliquem-nos esta ideia conceptual do álbum, suas principais influências e inspirações?  

O título do álbum “Thanatopsis” foi concebido pela nossa vocalista Dimitra. É de origem grega e literalmente significa “a cara da Morte” em grego antigo. A ideia por trás deste álbum tem a ver com a Morte, o fim e a queda das coisas humanas. Tentámos criar uma obscura e agressiva atmosfera com este álbum, algo que desse ao ouvinte sentimentos intensos e fortes imagens. Se quiserem, tentámos introduzir uma sensação mais ‘teatral’, sempre tentamos fazer isso com a nossa música. A nossa música, metal extremo, tem muitos elementos de variados estilos de metal, tais como o death metal, black metal, metal sinfónico, metal gótico, etc.

Hintf: Neste disco, rodearam-se de alguns artistas bem conceituados em diferentes áreas de trabalho para colaborarem convosco. Quem são eles e em que partes vos ajudaram no processo de criação deste fantástico trabalho?  

Claro que há muitas áreas de especialidade que deves usar se queres criar um bom álbum de metal. O primeiro sector é o dos músicos convidados, onde colaboramos com o renomado baterista Jason Bittner (Overkill, Shadows Fall, ex-Flotsam & Jetsam etc), que nos deu o seu único e extremista estilo de bateria na nossa faixa “Martyrs”. Na nossa opinião, um produtor de som é também um artista, e o Fredrik Nordstrom deixou a sua enorme pegada no resultado final do álbum. Por fim mas não menos importante, a arte de capa foi feita pelo artista franco/grego Gogo Melone (GM Dark Fantasy Art), que desenvolveu uma capa de álbum que verdadeiramente acompanha a atmosfera musical do álbum (e fica lindamente no merchandise da banda).

Hintf: Como corre atualmente a cena metal na vossa terra natal, a Grécia? Qual a vossa opinião sobre a atual indústria musical?  

A Grécia sempre teve uma florescente cena metal ao longo dos últimos 15 anos, e atualmente produz bandas que dão passos muito significativos não só na Grécia, como também fora dela. Ao nosso ver, as bandas de metal gregas produzem música metal de elevado nível, que verdadeiramente merecem ser ouvidas e espalhadas além das nossas estreitas fronteiras natais. A Grécia também se tornou um roteiro para muitas das bandas internacionais da cena metal, e anfitriona alguns grandes festivais de metal, que atraem grandes multidões. A indústria musical da atualidade tornou-se tanto fácil quanto difícil ao mesmo tempo; ao usar as novas tecnologias (gravação caseira, mistura, redes sociais e auto promoção, etc) muitas bandas têm a oportunidade de tornar a sua música mais acessível a maiores bases de fãs do que tinham no passado. Mas ao mesmo tempo, há uma maior ‘feroz’ competição entre bandas, quando é altura de assinar por editoras ou encontrar um promotor de eventos ou agentes de gestão de carreira, que ajudem a banda a chegar a maiores audiências e com melhores resultados, do que conseguirem tudo isto em autogestão. Por isso cabe a cada banda escolher a parte que prefere n que toca á promoção da sua música. No que nos diz respeito, já estamos a trabalhar com uma agência de promoção alemã e esperamos bons resultados no futuro próximo.

Hintf: Planos e objetivos para o futuro próximo dos Caelestia e agenda de concertos? 

De momento estamos de mãos cheias; estamos a trabalhar intensamente na preparação do nosso som ao vivo desde o zero, ao usar monitorização interna no palco, em vez de confiarmos na estrutura “tradicional” (amps, cabeças, monitores etc). Tudo isto envolve muito equipamento e experimentação, mas estamos confiantes que o resultado final vai ser de facto extraordinário e vai mudar o nosso som ao vivo para melhor. Estamos muito ansiosos com o nosso próximo concerto no dia 25 de Março de 2018, fazendo o suporte para duas grandes bandas, os Insomnium e os Tribulation, na sala Athens Piraeus 117 Academy Live Stage. Depois deste concerto em Atenas, vamos concentrar-nos em acabar e lançar o nosso primeiro vídeo oficial. Também planeamos aparecer em programas de metal de TV da nossa terra natal, e começar a preparar a digressão fora da Grécia algures no Outono de 2018. Uma segunda volta de promoção e críticas ao álbum está também prevista opera Abril de 2018, pela nossa agência de promoção, a alemã EAM Agentur. Mais atuações ao vivo irão ser anunciadas nas próximas semanas.

Hintf: Por fim mas não menos importante, deixem-nos uma mensagem para os nossos leitores e os vossos seguidores portugueses!  

Obrigado mais uma vez por nos apresentarem aos fãs portugueses…! Mantenham-se heavy e esperamos mesmo vir a poder tocar no vosso país no futuro..!

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