Caelestia

Banda: Caelestia

Titulo: “Thanatopsis”

Editora: SPV GmbH

Data de Lançamento: 10.Dezembro.2017

Da velhíssima Grécia, berço da atual civilização europeia, não nos chegam só as fantásticas histórias da sua Mitologia clássica nem tão pouco postais de lindíssimas e apetecíveis paisagens turísticas. Há, desde há muito, um imenso frenesim musical, com uma cena metal bastante ativa que se espraia em vários estilos e prolífera quer em quantidade quer na qualidade das bandas que nos vão sendo dadas a conhecer.

Um destes casos é a da ainda muito jovem formação de seis elementos que dá pelo nome de Caelestia. Formados apenas em 2013, este coletivo radicado em Ática, pratica um forte e enérgico Death metal melódico que se atira de cabeça (tronco e membros!) à revigorada vertente sinfónica desta cornucópia musical que é o Metal.

Após um plenamente bem-sucedido disco de estreia em 2015 (Beneath Abyss), brindaram os seus seguidores e público em geral com o seu mais recente disco, “Thanatopsis” via a internacional SPV.

Se ouvido por esta que escreve aquando do seu lançamento, diria sem margem para grandes dúvidas, estar perante um dos melhores registos de 2017. Volvidas apenas algumas semanas, o conforto nesta assunção é perene e de facto “Thanatopsis” no seu conjunto de 10 temas que se encerram em 58 minutos de puro prazer musical, É um disco do ano.

Arrojado, elegante, dinâmico e original em toda a sua essência, “Thanatopsis” é uma pérola negra (a mais rara, dizem os entendidos…) no meio de tantas pérolas brancas que guardamos na nossa memória musical. Fazendo jus ao estilo base do Death metal com uns vocais masculinos graves e vigorosos que produzem uns nítidos e vibrantes growls, alia-se a doce voz de Dimitra, limpa e cristalina, maleável e cheia de força interior que nos arrebata a alma, incentivando a melodicidade técnica e exemplar na escolha de samples e acordes que espiralam e exalam num estertor cheio de vida e que abraçam esta nova vaga de cadências sinfónicas.

Aparte a pujante e brilhante composição de ‘Devil’s Game – Codex Gigas Part II’, o tema que capta e transmite o núcleo musical de Caelestia, ainda têm o celestial ‘Dancing With the Demons’ com a inclusão de alguns elementos mais tradicionais do folclore mediterrânico, vincado pela fantástica bateria que ribomba e produz efeitos de blast-beats diferentes do comum.

Para fechar este hat-trick de três de seguida, o ‘Travel To Eternity’ é o tema que ainda não fechando este set de 10 canções convida a que voltemos ao início, uma e outra vez; é um álbum que apetece, entranha-se rapidamente e num ímpeto de espiralante e contínuo bem-estar musical damos connosco a ouvi-lo em loop.

“Thanatopsis” é uma nova forma de respirar o melódico sinfónico, é um convite descarado a redescobrir estas paletas musicais um pouco esbatidas pelo cansaço do tempo que lhes provocou alguma estagnação e ainda conseguimos ouvir na bateria deste álbum a arte do convidado Jason Bittner (Overkill).

Imperdoável não ter esta peça musical em formato físico (com uma excelente arte visual) ou deixar escapar a oportunidade de escutar este disco. Venha o próximo!

Pontuação:  9,8/10

Por: Paula Antunes

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