Spiralist

Entrevista Spiralist

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá! Antes de mais obrigada pelo teu tempo para com esta entrevista e para abrir as hostilidades nada melhor que sabermos o que é este novo projeto de nome ‘Spiralist’ e de que forma chegas até à conceção do mesmo?

O prazer é todo meu. “Spiralist” foi concebido para ser sinónimo de mim mesmo, como um nome artístico. Quando me apercebi que tinha de materializar as visões artísticas que tinha e tenho na cabeça e que só poderia fazer jus total às mesmas trabalhando sozinho decidi criar a minha própria entidade artística.

Hintf: De acordo com a biografia disponível na apresentação de Spiralist, este projeto surge como uma espécie de catarse a experiências passadas, num momento de introspeção e com a música a servir de catalisador e por conseguinte de combustível a esta que acaba também por ser uma nova experiência musical. Fala-nos um pouco mais de como foi o desenrolar destes dias de ‘clausura’, de que forma evoluiu esta explosão de sentimentos?

Uma das coisas que mais me preocupa acerca de fazer uma gestão saudável dos meus sentimentos negativos é a ideia de que se não os deitar cá para fora eventualmente eles me vão consumir. Assim sendo, creio que fazê-lo num trabalho artístico pode ser extremamente terapêutico. Quando me fechei em casa durante 15 dias para gravar o “Nihilus” eu tinha já alguns anos de bagagem com coisas que precisava de deitar cá para fora, e infelizmente com bandas e projetos anteriores nunca tive a possibilidade de o fazer, por diversos motivos. Isso e o facto de os meses que antecederam a gravação do trabalho terem sido também emocionalmente exaustivos foram os catalisadores absolutos para criar o álbum. Não foi fácil ou um processo de tal maneira natural que não tenha requerido qualquer tipo de esforço da minha parte, nem resolveu de forma alguma todos os meus problemas e frustrações, mas não deixou de ser catártico e de constituir uma limpeza interior absolutamente necessária.

Hintf: A escolha de Spiralist, o nome deste projeto, tem algum significado especial, qual a sua mensagem?

“Spiralist” não é um nome com uma mensagem, é mais uma descrição de como trabalho. Começo a partir de conceitos, ideias gerais e cores e vou fazendo um zoom de ideias cada vez maior até ter tudo decidido. Depois disso, no centro dessa “espiral”, crio o corpo do trabalho, e depois faço o sentido inverso, aumentando esse corpo cru pela espiral fora até o trabalho final estar concluído. Existem outras razões para o nome, mas essa é de longe a mais importante.

Hintf: ‘Nihilus’ é então o disco de estreia que apresenta esta nova faceta do músico por trás de Spiralist. É um disco concetual, que aborda uma temática sempre difícil de encarar – a depressão, apesar de sempre presente no dia-a-dia, no nosso ou de pessoas mais chegadas a nós. Conta-nos de como foi explorar esta maleita do novo milénio, e de que forma achas que a música pode ajudar e minimizar o sofrimento e angústia de quem por ela passa?

Acho que a música no geral tem, entre vários poderes, o de reconfortar o ouvinte dentro dos limites do possível e mostrar-lhe que não é o único a passar pelo problema que tem no presente momento. Não quer isto dizer que vai curar o que quer que seja por completo. Isso é, aliás, praticamente impossível de fazer com a mera audição de um álbum, e é óbvio que quem sofre de depressão deve procurar ajuda médica acima de tudo e o mais rapidamente possível. Não tenho a certeza de que este álbum, por exemplo, possa particularmente ajudar ouvintes que estejam a sofrer de depressão… Acho que partir desse princípio seria excessivamente auto-elogiador, ainda mais tendo em consideração que há muita gente por aí com experiências bem mais assoladoras do que as minhas. Já para não falar de que, na história deste álbum, não há propriamente uma “luz ao fundo do túnel”. Mas estou absolutamente aberto a conversar com qualquer ouvinte que assim queira ou precise sobre o assunto. É uma escuridão que corrói tudo em nosso redor de uma forma aterrorizadora, com ainda muitas componentes inexploradas e nem sempre há cura para isto… Acho que as pessoas que sofrem de depressão ou têm alguma experiência particularmente difícil com ela nunca voltam verdadeiramente a ser as mesmas. Estas coisas têm o poder de mudar a perspetiva de uma pessoa sobre a vida, e francamente, pela minha experiência, sinto que também podem desafiar a nossa moralidade, ou pelo menos alguns valores que julgamos inabaláveis. É por vezes quando mais precisamos de auxílio que corremos o risco de perder a fé no outro e no mundo que julgamos zelar por nós.

HIntf: Musicalmente, fala-nos também um pouco sobre a tua experiência musical, um pouco do teu percurso nesta Arte, para quem só agora tem oportunidade de o conhecer?

Fui membro fundador dos Blackbird Prophet e dos The Wind Rises anteriormente, e já fiz coisas bem menos sérias ou minimamente ambiciosas a solo no passado, como Kymera. Tirando isso, tenho estudos em música.

Hintf: Quais são as tuas principais fontes de inspiração e influências musicais?

Demasiadas para enumerar aqui… Tenho um respeito tremendo por artistas “do it yourself” que começaram do zero e nunca comprometeram a sua visão artística por vontade de terceiros. Gente como Trent Reznor, Mike Patton, Jef Whitehead e Ben Weinman são apenas algumas das pessoas que, de vários campos musicais, me abriram a cabeça involuntariamente de muitas maneiras. Sou também um enorme fã de cinema e literatura, principalmente com componentes filosóficas e/ou vanguardistas. David Lynch, Friedrich Nietzsche, Cormac McCarthy e Richard Dawkins são outras figuras que admiro.

Hintf: Ainda sobre ‘Nihilus’, e estando previsto o lançamento oficial pela editora Microfome no próximo 4 de Maio, que mais planos há para o lançamento? Há previsão de alguma atuação ao vivo?

Estou a planear um par de “Listening Parties” de espero anunciar em breve e mais uma série de surpresas. Infelizmente não planeio realizar concertos até que seja logisticamente exequível. Mas que tenho saudades dos palcos, tenho.

Hintf: A arte de capa desenvolvida para este ‘Nihilus’, é da autoria de Joel Costa. De que forma chegas a esta colaboração? Qual o significado da imagem escolhida (que é lindíssima, se posso dizê-lo…)?

Joel Costa é o meu pai. Foi um “no brainer” trabalhar com ele visto que ele sempre teve um talento natural para a pintura e para o desenho. Trabalhamos em proximidade na ilustração, comigo a dar indicações e ele a fazer várias versões da capa até ter chegado à final e o resultado ser o mais indicado para o que tinha em mente. Trabalhar com o meu pai foi uma escolha que pode parecer meramente conveniente, mas para mim é, acima de tudo, uma questão de legado familiar.

Hintf: Planos e objetivos para o futuro de Spiralist?

Há planos… Mas tudo a seu tempo. O objetivo principal agora é crescer interna e externamente e nunca parar de trabalhar e desenvolver novos projetos dentro de “Spiralist”. Se o fado não for cruel, não se vão ver livres de mim tão cedo.

Hintf: Deixa-nos uma mensagem aos nossos leitores e já teus seguidores!

Obrigado HINTF pela entrevista, e obrigado leitores por lerem a mesma. Sigam Spiralist online, há vários anúncios e surpresas para breve.

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