Sérgio Duarte

Entrevista Sérgio Duarte

Por: Maria joão Tavares

Hintf: Antes de mais obrigada pela disponibilidade de entrevista. Tiveste muitos projectos anteriormente como Gang, the Coven e Re:aktor, que tiveram uma grande influencia e peso no underground nacional. Por isso podes-me dizer: Quem é Sérgio Duarte?

Sérgio: Acima de tudo considero-me um músico. Sou aficionado por fazer o que gosto e quero. Nunca quis fazer algo só por fazer, mas sim fazer sempre o melhor possível. Dou tudo o que tenho no momento e isso deixa-me realizado. As bandas referidas fazem parte do meu percurso e evolução enquanto músico e enquanto pessoa, mas todas têm um denominador comum… dei sempre tudo o que tinha. O peso e a influência que referes, será fruto de da ideia de alguém que não eu ou seja, não faço as coisas com esse intuito. Mas de alguma maneira lá vou abrindo alguns caminhos que estariam fechados. Fruto do trabalho e da entrega, nada mais…

Hintf: Quando começaste a tua envolvência do metal?

Sérgio: O meu contacto com o Metal aconteceu já eu tinha 15 anos. Foi por interferência do meu colega de turma António Freitas. Apresentou-me uma série de sonoridades que me deixaram fascinados. O primeiro tema que me marcou foi o “Evil” dos Dinamarqueses “Mercyful Fate”. A partir desse exacto momento a minha vida mudou para sempre…

Hintf: O que é que os teus pais te diziam acerca disso? É que, és tu e o teu irmão (Rui Duarte).. nunca vos tentaram dissuadir?

Sérgio: Sempre senti o apoio dos meus pais, principalmente da minha saudosa Mãe… Sempre um amor enorme pelos projectos dos filhos.

Hintf: A banda Sérgio & Animais tem um álbum de originais de 1999. O que aconteceu para deixarem de produzir e a banda virar-se para as covers?

Sérgio: Bem, na realidade existe um segundo álbum gravado comigo, o Tó Pica e o Marte Ciro. Mas nunca chegámos a editar por termos abraçado na altura outros projectos. O Marte nos Peste & Sida e eu nos Re:aktor. Mais recentemente reactivei o projecto para fazer alguns covers de rock sem qualquer vestígio de Metal.

Hintf: Tens uma sala de concertos com o nome de uma das tuas bandas, RCA, de facto, estando no mundo da música e tendo uma banda, a criação deste projecto foi muito inteligente. Como surgiu a ideia e porquê?

Sérgio: O RCA CLUB é já uma ideia muito antiga, mas que só começou a ganhar forma depois de conhecer aquele que viria a ser o meu maravilhoso sócio, o Miguel Fernandes. Desde que o Rock Rendez Vous desapareceu, sempre tive na ideia que podia marcar a diferença com um clube/sala de espectáculos com uma lotação semelhante. E quando comecei a privar com o Miguel (fã de RCA que assistia á maior parte das actuações), começou o bichinho a crescer dentro de nós de uma maneira irreversível. Em Março de 2012, depois de um par de anos á procura de um espaço, acabámos por encontrar o actual espaço que alberga o clube e lançámo-nos nesta cruzada.

Hintf: O RCA Club é uma sala de concertos que recebe bandas de originais nacionais e internacionais, bandas de covers e bandas de tributo. Há muita controvérsia e separação em relação às bandas de originais e de tributos, sejam elas feitas pelas próprias bandas ou pelo público. O RCA parece o sítio certo para que originais e tributos estejam em harmonia. Que pensas sobre este assunto?

Sérgio: A música não tem sexo, nem preconceito. Sempre fiz originais e covers, tenho álbuns de originais e de covers. Pelo mundo inteiro assim se faz. Qualquer discussão á volta deste assunto é perder tempo precioso de vida.

Hintf: Neste momento, tens uma banda de originais, 2 de covers (mas não só) e 2 de tributo, respectivamente Nine O Nine, Sérgio & Animais, RCA, Alice in Pain (tributo a Alice in Chains) e Hybrid Park (tributo a Linkin Park). Como consegues conciliar os eventos, os ensaios e ainda gerir o RCA Club?

Sérgio: Não há segredo. Amor e dedicação, juntamente com a vontade de fazer coisas e ser feliz a fazê-las.

Hintf: Nine O Nine é um projecto de originais ainda no inicio, como e porquê a ideia de formar novamente uma banda de originais?

Sérgio: Era algo natural. Neste caso quase obrigatório, pois é feito com um dos meus compositores favoritos que é o Tó Pica. Nunca deixei de querer fazer música e foi um aproveitamento da oportunidade, nada mais.

Hintf: Os vossos 3 singles, “The Time is Now”, “The Rush” e “Beauty Femme”  estão a ter uma boa aceitação pelo público que já vos conhece bem. Sei que vai ser lançado o álbum “The time is Now” em Fevereiro pela Raising Legends Records. Qual é a vossa expectativa em relação a este álbum?

Sérgio: Sinceramente, não tenho. É um trabalho de amor e não com o intuito meramente comercial, pelo que se houver quem goste tal como eu, ficarei muito satisfeito. Não penso muito nisso na realidade.

Hintf: Nos vídeoclips oficiais aparece a tua filha Laura Duarte. Achas que vai seguir as pisadas do pai e acabar no mundo da arte do espectáculo?

Sérgio: Um orgulho! É uma Artista já e quem sabe possa singrar numa actividade que goste. Não lhe desejo mais nada que a felicidade em tudo o que fizer na vida. Se for a dançar que seja!

Hintf: Alice in Pain, o teu tributo a Alice in Chains tem estado um pouco parado, sei que tem um público muito específico. Que tencionam fazer acerca disso?

Sérgio: Temos um a dois concertos por ano. É um tributo por gosto. Iremos actuar por ocasião do aniversário da morte do Layne Staley no dia 6 Abril (sexta) no RCA CLUB.

Hintf: Hybrid Park é um projecto mais complexo que o normal pois implica 2 vocalistas e samplers. É um tributo caro mas com muita qualidade, como vão tentar gerir este projecto, sabendo que há mais 3 bandas com o mesmo tributo?

Sérgio: É relativamente fácil, já que os Hybryd Park não actuam em bares, apenas em salas de espectáculos e concertos maiores em Portugal e no estrangeiro. Tanto quanto sabemos, os outros tributos existentes estão dimensionados para actuações em bares, pelo que haverá trabalho para todos.

Hintf: A rata Elsa, a vossa mascote da banda RCA já teve outro nome, qual foi? Como surgiu a mudança do nome?

Sérgio: Tínhamos a Rita, mas um dia desapareceu… Apareceu a Elsa.

Hintf: A banda RCA forja versões de música pesada, tocando ao de leve apenas o rock alternativo, É uma banda de covers que tem muitos groupies. Como vês a banda daqui a 5 anos?

Sérgio: Na realidade a banda vai se fundindo com o clube, não sei como será, mas será divertido de certeza.

Hintf: Quais são as bandas que ultimamente te têm cativado a atenção e costumas ouvir?

Sérgio: Na realidade tenho estado a ouvir Soen, Caspian, Devin Townsend e tantas outras coisas boas…

Hintf: E o RCA Club como o vês daqui a 5 anos?

Sérgio: Não faço a mínima ideia! Aqui pesa muito a burocracia do nosso país e tudo o que é feito para (des)ajudar os pequenos empresários. Vamos vendo ano a ano…

Hintf: Quais os teus planos para o futuro em relação a músico versus empreendedor?

Sérgio: Para já consolidar. Tenho muitos investimentos feitos em projectos e não vou investir muito mais para que estes possam usufruir da minha atenção.

Hintf: Queres deixar um recado aos groupies, aos fãs e família que te acompanha nos concertos e vêem o RCA Club como uma 2ª casa?

Sérgio: O RCA CLUB é uma família! Daquelas que gostamos e não das que herdamos. Usufruam da casa como se fosse vossa e protejam-na dos maus elementos. Nós simplesmente tratamos dela para que todos possam usufruir. Vamos tratar da nossa família e ser felizes na nossa casa!!!!!!

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