Mystic Prophecy

Entrevista Mystic Prophecy

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes de mais e para quem só agora teve a oportunidade de conhcer o vosso trabalho, o que nos podem dizer acerca da história menos conhecida dos Mystic Prophecy e o porquê da escolha deste nome para a banda?  

Formados pelos companheiros da banda Valley’s Eve, R.D. Liapakis e Martin Albrecht, inicialmente apenas como um projeto paralelo. O Gus G. foi-lhes recomendado como um desconhecido pelo David T. Chastain, e trouxe com ele o baterista Dennis Ekdahl, que tinha estado a trabalhar em demos com o seu projeto embriónico Firewind. O álbum de estreia foi escrito maioritariamente pelo Albrecht e o Liapakis num curto período de tempo, antes de todos os membros se terem encontrado cara a cara, com canções ainda a serem compostas enquanto o álbum estava já a ser gravado.

O segundo álbum foi escrito nas mesmas semelhantes condições, com o Gus G. a servir de compositor principal ao lado do Liapakis enquanto os membros trabalhavam nos seus outros projetos. Após o lançamento do seu terceiro álbum, o Albrecht e o Liapakis quiseram seguir em frente com os Mystic Prophecy como uma banda a tempo inteiro, pelo que o Gus G. e o Dennis Ekdahl saíram para dar espaço a novos músicos. O Markus Pohl, que se havia juntado como membro ao vivo em 2003, foi promovido a estatuto de tempo inteiro, juntamente com o novo guitarrista principal, o Martin Grimm, elevando a banda a um quinteto pela primeira vez. O Martin Albrecht saiu em 2008, deixando o R.D. Liapakis como o único membro original fundador da banda. O Matt C. veio ocupar a bateria nos Mystic Prophecy para uma tour após a saída do Stefan Dittrich.

Os MYSTIC PROPHECY – tocando música na linha de bandas como Accept, Judas Priest, Exodus, Forbidden ou os Testament – tornaram-se uma das maiores surpresas na cena metal mundial ao longo dos últimos anos, praticando um metal poderoso e dinâmico no seu melhor.

Com o “Satanic Curses” (2007), os MYSTIC PROPHECY saíram da sua zona de conforto do power metal e entregaram “o mais pesado álbum de heavy metal mundial”. Os MYSTIC PROPHECY confirmaram com “Fireangel” (2009) que a banda ainda tinha muita força, o que foi verificado ao vivo com a tour europeia com os Statovarius e também com inúmeras atuações em festivais. Promovendo o “Ravenlord” (2011), a banda superou todas as expetativas como co-headliners da intitulada “Wolfsnächte (Noite dos Lobos) ” tour com os Powerwolf e concertos em festivais como o Metalfest, o Summer Breeze, NOAF ou Prog Power.

2013 viu o lançamento de “KillHammer”, que foi acompanhado por uma tour com os Masterplan no Outono e também headliners numa tour europeia um ano mais tarde. Em 2015, os MYSTIC PROPHECY concentraram-se na escrita de novo material para o vindouro álbum “WAR BRIGADE”.

Depois de uma pausa de quase 2 anos, os power metal alemães MYSTIC PROPHECY apresentam orgulhosamente o seu 9º álbum de estúdio, “WAR BRIGADE”. Mais uma vez não se fazem rogados e produzem hinos poderosos como “The Crucifix”, “The Devil Is Back” ou “Metal Brigade”, que deviam fazer parte de qualquer playlist que inclua os clássicos neck-breakers (parte-pescoços). Estas canções claramente não precisam se esconder por trás de clássicos dos MYSTIC PROPHECY como “Ravenlord” ou “KillHammer”. Os MYSTIC PROPHECY são também conhecidos pelas suas rápidas e agressivas faixas e em “WAR BRIGADE” isto também está presente.

Como a banda se formou no inicio do novo milénio, o nome refere-se ás profecias místicas feitas por Nostradamus e outros acerca do fim do mundo.

Hintf: Tendo lutado com algumas alterações de line-up ao longo destes anos, ainda assim conseguem manter a mística à vossa volta; creem esta ser uma vantagem para aumentar a curiosidade na vossa música?

Pessoas diferentes têm prioridades diferentes. Para alguns, a música está primeiro, para outros é o seu emprego, a sua família, ou então não conseguem conjugar tudo. Não é fácil manter uma vida regular e tirar tempo necessário para a família ou outras coisas, se dás o teu máximo para a paixão chamada música. Todos os anteriores membros eram excelentes músicos, apaixonados e dedicados, mas é com eles a forma como levam as suas vidas. É por isto que houve tantas alterações ao line-up. Claro que cria diversidade na composição, os nossos fãs podem ficar curiosos acerca do novo material com novos membros e de como soará; mas apesar de tudo os Mystic Prophecy sempre se mantiveram verdadeiros ao que são, e assim será no futuro. Cada membro que se junta é uma mais-valia para a música que os Mystic Prophecy defendem.

Hintf: Qual o click que vos faz saltar e criar música, o que realmente vos motiva a persistir a viver de e para a música? Quais são as vossas maiores influências e em que se inspiram para a vossa música?  

Bem, ou bem que o vives ou não – o rock’n’roll é um estilo de vida, não é só apenas algo que gostas, é algo que tu vives. Caso contrário, não vais sobreviver na selva chamada indústria musical. As minhas influências são bastante vastas, a influência mais forte que tenho vem dos gloriosos anos 70 e 80, a música que ouvia nessa altura deixou-me as maiores marcas nos meus gostos musicais. Mas continuo a gostar de todo o tipo de música, desde que esta me apaixone. Se alguém dá o seu máximo a música não tem limites.

Hintf: No ativo como Mystic Prophecy desde o ano 2000 e inicialmente no género power/speed/thrash metal, este 10º longa duração é uma notável coleção de hits pop dos anos 80! Falem um pouco mais deste novo “Monuments Uncovered” e de qual o foi o critério da escolha das 10 canções deste disco?   

Bem, como dizes, é o nosso 10º álbum. E porque não fazer algo especial para o celebrar? Porque não atrevermos a fazer algo diferente? Não queríamos fazer um álbum ao vivo, pois hoje em dia os álbuns ao vivo já não são bem ‘ao vivo’ com todas as correções e overdubs (dobragens). Além de que, se regravas as tuas próprias coisas antigas isso a modos que quer dizer que não apoias o teu próprio trabalho.

Há Já algum tempo que andava a pensar gravar um álbum de covers. No entanto, por ouvir todas estas músicas que passam na radio e na tv a todo o tempo, que me perguntava de que forma soariam com ruidosas e pesadas guitarras. Claro que é preciso coragem, e quanto mais difícil for uma canção, maior o desafio. E isso é o melhor de tudo; levar-me ao limite. Por isso porquê ir pelo caminho fácil, só porque é – bem – fácil? Porque não aceitar o desafio? Sem risco não tem piada!

Para mim, os 70’s, os 80’s e os 90’s foram as melhores décadas para o rock, pop, heavy, blues e o soul.

Hintf: Estão a trabalhar com a editora Massacre Records desde 2005/2006, uma longa e saudável colaboração, depois de um curto período em outras editoras no início da rota dos Mystic Prophecy na cena musical. Como veem hoje em dia o trabalho da indústria musical?

É bastante óbvio que estamos muito satisfeitos com a nossa editora, a Massacre Records. Houve várias oportunidades e ofertas de editoras maiores, mas estamos a trabalhar com a Massacre já há ais de 10 anos, eles tornaram-se uma espécie de família para nós. Fazem um excelente trabalho, temos um apoio enorme deles, e é isso que uma banda necessita para chegar a algum lado. Uma boa editora defende os ideais da banda e a sua música, e claro mais que tudo também os nossos leais fãs. São eles que estão ainda aqui, que vêm aos nossos concertos, compram os nossos álbuns e t-shirts, são os seus olhos que se enchem de alegria e que nos fazem continuar. Sem eles, nós não poderíamos estar onde estamos hoje. Estaríamos praticamente em nenhures. Porque a indústria musical mudou muito. Sem querer mencionar as coisas óbvias como “mais downloads e streaming, menos revivalismo de CDs, Vinyl” e assim, todos falam disso e sabem disso. Muitas mais coisas mudaram. Antes, os músicos e as bandas eram empregados das editoras, enviados para promover o álbum e aumentar as vendas. Era daí que vinha o dinheiro. Hoje em dia, as bandas têm que atuar ao vivo para cobrir as suas próprias despesas. Para as bandas mais jovens isto é muito difícil atualmente, os acordos discográficos não são como antes. E há tantas bandas; hoje em dia qualquer um consegue facilmente gravar um disco, pelo que o mercado está saturado. Temos que nos tornar mais especiais que os outros por um lado, mas ainda assim encaixar na cena pelo outro lado. Não quero dizer que tudo mudou para pior. É apenas diferente, e tens que ser capaz de acompanhar os tempos, criar novas ideias ou no mínimo estar aberto a elas. Isto serve para bandas, editoras, promotores, managers ou seja qual for o trabalho que desempenhas na indústria musical.

Hintf: ‘Monuments Uncovered’ está prestes a chegar às lojas, o 12 de Janeiro está previsto ser a data oficial deste lançamento. Quão ansiosos estão e s fosse possível voltar atrás no tempo o que mudariam, no novo disco ou carreira?  

Não mudaria uma única coisa. As coisas vão e vem como tem de ser. Não se trata sempre de como podia ser e de como devia ter feito. Temos sido capazes de tocar nos maiores festivais, fazer muitas tours em toda a Europa e além disso, tocar em muitas partes diferentes do mundo, os Mystic Prophecy ainda existem ao fim de 17 anos. Vi muitas bandas virem e irem, mas nós ainda cá estamos, os nossos fãs continuam connosco, leais ao longo destes anos. Eles são o mais importante para nós, mantem-nos vivos. E vê-los ainda ao nosso lado leva-me a pensar que devemos ter feito algo bem.

Hintf: Como está a vossa agenda para 2018? Quando tencionam fazer-nos uma visita e trazer-nos os vossos shows?

O ano ainda agora começou. Tantas coisas aconteceram nos últimos 2 ou 5, pelo que vamos ver o que o novo nos traz. Claro que queremos tocar ao vivo, mas também preparar ou até gravar um novo álbum, o nº 11 que pode ser lançado em 2019.

Até agora, ainda não estivemos em Portugal. Mas acho que já é tempo de vos visitar nesse belo país e dar-vos alguns shows. Gostaríamos muito. Quem sabe o que o futuro nos reserva? Talvez aconteça mais cedo que o esperado.

Adoramos viajar, ver novos lugares, novas caras, trazer a nossa música a todos os nossos fãs, onde quer que vivam. A música levou-nos a muitos países e cidades excitantes ao longo dos anos, por isso um dia, será a vez de Portugal também, de certeza!

Hintf: Por fim mas não menos importante, esta linha é aberta a que nos deixem uma mensagem!  

Ok, normalmente este é o lugar para um tipo de discurso de agradecimento a todos. Já mencionamos a importância dos nossos fãs – honestamente, nunca é suficiente dizer como lhes estou agradecido. Mas deixo-vos com um simples: TODOS SOMOS … A BRIGADA DO METAL!

 

R.D.LIAPAKIS

MYSTIC PROPHECY

www.mysticprophecy.net

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