Inkilina Sazabra

Banda: Inkilina Sazabra

Titulo: “Umbria Noite”

Editora: Dicepeca Records

Data de Lançamento: 15.Janeiro.2018

Quando estamos na antecipação da chegada de um novo disco de uma qualquer formação musical a qual vimos a acompanhar ao longo do seu percurso, por norma não estamos a contar que este venha a ser o seu último – sendo esta sempre uma hipótese presente – e o derradeiro ponto final dessa mesma carreira musical.

É pois com um misto de estranheza e já saudosa melancolia que se escuta a última edição do coletivo Inkilina Sazabra, que ao fim de 8 anos sob esta designação decide parar por aqui com a sua atividade. “Umbria Noite” foi largamente anunciado como futura edição discográfica, e esta aconteceu oficialmente na data de celebração da banda, a 15 de Janeiro, mais uma vez pela editora comum aos vários projetos em que se distribuem os elementos dos agora terminados Inkilina Sazabra, a Dicepeca Records.

“Umbria Noite” é um álbum concetual, uma história musicada que acontece numa qualquer noite, numa qualquer cidade mais ou menos movimentada, numa qualquer saída noturna ou numa qualquer noite de introspeção vagueando por dilemas da alma, e em que qualquer dos ouvintes facilmente se poderá identificar, em estado passado recente ou mais remoto das nossas vivências.

“Umbria Noite” explora um pouco do nosso lado obscuro, da dormência do nosso ser em períodos diurnos onde refulge a luz solar e que tal como Umbria significa, assim se esconde e se mostra então no lugar das sombras.

É um disco que contém a essência e a assinatura que distinguiram entre os demais os Inkilina Sazabra, numa composição lírica cuidada, eficaz e mordaz, a par de uma orquestração equilibrada, de ritmos complexos e dinâmicos, onde a extensão homem-máquina se revela uma ténue e frágil fronteira que passamos facilmente protegidos pelo escudo da ambiência musical teatral e sonhadora.

Desde ‘Menina Da Lua Cheia’, a ‘Preciso De Um Copo’ – este com a participação especial de Mafalda Hortas, até chegarmos a ‘Ressaca’, ainda passamos pel’ ‘A Vil Rebelde’, temas estes com uma cadência mais eletrónica e dançavel, ao bom jeito deste Rock Industrial Literário a que os IS nos acostumaram desde “Almas Envenenadas” e “Maldita (Mente) ”.

‘Tu Sabes O Teu Lugar’ fecha este registo com um travo de doce-amargo, e se analogias são permitidas a que faremos a este disco é que este terá que ter um lugar na nossa cdteca, seja ela física ou digital, para em qualquer umbria noite o podermos apreciar, no abrigo do nosso lugar feito de sombras.

Façamos da escuta de “Umbria Noite” a nossa vénia ao legado de Inkilina Sazabra.

Pontuação: 9/10

Por: Paula Antunes

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*