Hamka

Entrevista Hamka

Por: Paula Antunes

Hintf: Comecemos por apresentar a banda, a sua origem e género e um pouco do vosso percurso no cenário musical…  

Olá, eu sou o Willdric. Obrigado por esta entrevista!

Nós somos uma banda de quatro membros: a Elisa C. Martin (Dark moor, Fairyland, dreamaker) é ainda a nossa vocalista principal, na bateria temos o JB Pol (Fairyland, Kerion, Glamory), na guitarra o Sylvain Cohen (Kerion, Fairyland), como segundo guitarrista o Arvikaint e eu, Willdric Lievin no baixo.

Em 1998 eu fundei a banda de metal sinfónico francesa, Fairyland, e em 2003 lançamos o nosso primeiro álbum “Of wars in Oshyria” que teve um enorme sucesso a nível mundial. Fizemos uma tour francesa de suporte aos Sonata Arctica. Com o Philippe (meu parceiro nos Fairyland), tínhamos diferentes orientações musicais e tivemos de nos separar. Durante muitos anos quis ter um projeto paralelo baseado nas civilizações antigas e étnicas, pelo que foi a altura certa para o concretizar e fazer uma nova banda. Foi assim que Hamka nasceu. Com a Elisa sempre tivemos uma verdadeira amizade, pelo que ela decidiu seguir-me nos Hamka. Tivemos um lineup e o nosso primeiro álbum “Unearth” foi lançado em 2004. Tivemos alguns problemas com a nossa editora, que não nos fez a devida promoção e distribuição mundial. Assim alguns meses depois estávamos um pouco desapontados e fizemos um intervalo. Todos tínhamos diferentes projetos e empregos. A banda estava em neutro. Em 2013 eu sentia a falta de Hamka pelo que compus um novo single, “Earth’s call”, e tive que construir um novo lineup. Mas o melhor aconteceu-me, tornei-me pai, o que mudou a minha vida duma maneira positiva, claro, mas tinha também menos tempo para completar o processo de composição de um álbum completo – No ano passado encontrei a inspiração e senti-me pronto para ao menos fazer o novo álbum e surgir das cinzas, Hamka!

Hintf: O que significa o nome Hamka, o que representa e porquê a escolha deste nome para a banda?

No início quando estava a formar a banda e procurava por um nome, um dos meus amigos tinha uma lista com uma série deles, e Hamka estava nessa lista, era suposto ser o nome de uma deusa tibetana, mas difícil de confirmar a sua exata teoria, mas ainda assim adorei o nome, soa místico J

Hintf: Apesar de estarem no ativo desde 2003, experienciaram já uma pausa na vossa carreira e ainda assim a criatividade não se perdeu no tempo com ‘Multiversal’ sendo o vosso segundo longa duração, editado no passado Agosto. Então o que nos podem dizer do vosso processo de criação e composição dos discos?

Algumas das canções foram escritas há muitos anos atrás, até mesmo durante a composição do álbum “Unearth”, pelo que rearranjei algumas canções e dei-lhes uma nova orientação musical, o que não foi fácil. Mas para o resto da composição do álbum eu estava mesmo inspirado e as melodias surgiram rápido e eu foquei-me mais no seu conceito.

Quando componho, eu faço a maior parte das orquestrações finais das partes de bateria e baixo e também das guitarras como uma espécie de rascunho, para obter os melhores resultados possíveis. Então depois passo para as letras mas sem uma nota nas linhas vocais. Tenho uma forma muito particular de trabalhar nas vozes com a Elisa. Ela para mim é como um instrumento (não é pejorativo, ela para mim é a melhor vocalista do momento). Ela sabe como eu trabalho e resulta sempre da melhor forma quando estamos juntos. Estamos no meu estúdio de gravação e passo a passo vamos encontrando as melhores linhas vocais, e gravamos ao mesmo tempo como uma versão final que conste no álbum, para manter a frescura e o resultado mais espontâneo.

E então toda a restante banda se junta no estúdio para gravar as suas partes finais.

Sou muito mente-aberta com a restante banda; gosto mesmo muito das ideias deles, pelo que todos participam no álbum. É quase impossível ficar indiferente às nossas canções; é um verdadeiro trabalho de equipa.

Hintf: Como sentem que as vossas prévias (e outras ainda ativas) colaborações aumentaram e melhoraram as vossas habilidades musicais de forma a trazerem algo de novo aos headbangers?

É difícil encontrar um novo estilo na indústria do metal porque este estilo é tão vasto e rico, mas queria explorar o universo tribal e tentar incluir instrumentos musicais antigos, não como uma componente mas como uma verdadeira parte da composição. Então tive que aprender essas novas culturas. Mas para mim ainda não alcancei exatamente o que quero, o que significa que vou continuar a explorar a faceta étnica, o que me deixa muito por descobrir.

Hintf: Falem-nos um pouco da vossa arte visual e lírica deste trabalho, ‘Multiversal’, em que se inspiraram, quem está por trás dos cenários visuais dos vossos discos? 

Eu fiz uma história conceptual do primeiro álbum “Unearth” que é a nossa história passada, “Multiversal” é o presente e o próximo álbum será o Futuro. Estou a escrever quase todas as letras e o conceito. No que diz respeito à capa, é do Jan Yrlund, da Darkgrove design. Ele fez a nossa primeira capa para o “Unearth”, e fiquei tão satisfeito com o seu trabalho que não pensei em mais ninguém para o “Multiversal”. Ele é simplesmente brilhante porque apenas o expus a esboços de ideias e em apenas algumas linhas ele leu a minha mente!

Hintf: Falem um pouco mais de ‘Multiversal’, a sua ideia conceptual, os seus altos e baixos no processo realização e qual a vossa faixa preferida nele?

“Multiversal” é um álbum conceptual baseado na possibilidade do future do nosso planeta e civilização. “O governo está a tentar encontrar uma solução para fugir, devido à poluição e mudanças climáticas, para outro planeta vivo… sem sucesso. Mas um dos exploradores está perdido e a tentar contactar o seu filho de 19 anos, para lhe dar pistas que o irão conduzir pelo mundo, ajudado por um famoso professor. Eles terão de encontrar “chaves” atrás no tempo em diferentes lugares místicos, em diferentes continentes”. Nós estamos mesmo orgulhosos do nosso segundo lançamento, por muitas razões. Primeiro, levou-nos muitos anos a regressar, e pensar quase que foi por uma boa causa. Em todos esses anos trabalhei, produzindo outros artistas e bandas, o que permitiu expandir as minhas habilidades com o som e com os arranjos musicais. Então, tive tempo para realmente me inspirar. Eu quis fazer um novo conceito, com uma verdadeira história focada em diferentes orientações musicais. Este álbum é mais maduro e para ser honesto, este álbum superou as nossas expetativas. As minhas faixas preferidas são: “Inner Conviction” e “Multiversal Universe”.

Hintf: Planos e objetivos para o futuro dos Hamka?

Estou a iniciar o processo de composição do próximo álbum, porque gostaríamos de lançar um álbum por ano; os fãs têm esperado há demasiado tempo. Estamos acima de tudo focados nas atuações ao vivo, temos muitas ideias para dar o melhor show possível encaixado no conceito, com músicos reais e instrumentos étnicos num grande palco concebido para o efeito! Também temos uma grande tour planeada para a América do Sul em 2018, por isso estejam atentos! O Jb Pol, o Sylvain Cohen e eu somos também membros oficiais da banda Fairyland, estamos a trabalhar no 4º álbum que será lançado em inícios de 2018. Passou algum tempo desde o 3º, “Score to a new beginning”, pelo que estamos a trabalhar muito por este novo disco! No lado da Elisa, ela está a trabalhar no seu primeiro álbum a solo, que também sairá ainda em 2018. Ela tem muitos fãs nível mundial e eles irão ficar espantados com o disco! E então, o ArviKaint, o nosso 2º guitarrista, também tem a banda “ToxxicToyz” com 2 álbuns e estão à procura de um novo vocalista para lançarem um disco novo.

Hintf: Deixem uma mensagem aos nossos leitores e aos vossos seguidores e também aos vossos companheiros na música que estão a tentar encontrar o seu próprio espaço na cena musical!  

Um grande bem-haja aos fãs e leitores da Hintf Webzine, obrigado pelo vosso apoio! Para os músicos gostaria de dizer que a coisa mais importante é acreditar no que fazem, o metal é mais que um estilo de vida, por isso ouçam o vosso coração pois as pessoas irão senti-lo! Mantenham-se metal!

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