Final Mercy

Entrevista Final Mercy

Por: Miguel Ribeiro

Hintf: Muito obrigado desde já por esta entrevista. Gostava que nos explicassem como surgiu o gosto pela música.

-Final Mercy: Uiii! Já lá vão uns bons anos…no geral, tirando o Dan que é o “puto” da banda (risos), começamos a ouvir música, e metal propriamente dito, no início dos anos 90 através de bandas como Maiden, Prong, Slayer, Cynic, Death, Hypocrisy, Pantera, Sepultura, Morbid Angel, Cannibal Corpse e por aí fora. Mais tarde bandas como Dismember, In Flames ou Dark Tranquillity. Na altura tudo era diferente. Os LP’s e as cassetes andavam sempre de um lado para o outro. Não havia internet e tudo era em suporte físico. Tínhamos que juntar os “trocos” todos para ir a concertos (e que concertos!!!) ou comprar o disco da banda A ou B. Tudo era mais genuíno e as capas eram autênticas obras de arte. Éramos miúdos e toda aquela irreverência de artistas como Cuck Schuldiner, Peter Tagtgren ou Chris Barnes era, literalmente, música para os nossos ouvidos. Sentíamo-nos atraídos por aqueles riffs, pelas letras, pela energia, pela diferença e não tardou a ficarmos viciados em heavy metal. Daí a começarmos a tocar um instrumento e a formar pequenos projetos foi um abrir e fechar de olhos e o mais lógico a fazer.

-Hintf: Em que ano nascem os Final Mercy, como aconteceu?

Final Mercy: Final Mercy nasceu em 2006. Depois de outros projetos, o atual baterista, Pedro Azevedo, e guitarrista, Ricardo Martins, juntamente com outros elementos que atualmente não fazem parte da formação de Final Mercy, decidiram iniciar um projeto que lhes enchesse as medidas e lhes permitisse tocar um estilo que lhes dizia muito, um death metal melódico com umas pitadas de trash aqui e ali.

-Hintf: Quem são os Final Mercy? Apresentem-se…

Final Mercy: Bem, vamos começar pela parte mais fácil! Final Mercy é uma banda de death metal melódico. Atualmente é constituída por cinco elementos: Dan Vesca (voz), Ricardo Martins (guitarra), Ricardo Ribeiro (guitarra), Pedro Azevedo (bateria) e A. Sampaio (baixo). A parte mais difícil vem agora. Podemos dizer que o nosso som se caracteriza por uma mistura entre riffs bastante técnicos e rápidos, com riffs mais poderosos carregados de energia e refrões melódicos e dinâmicos. Mas é normal que quem ouça Final Mercy, seja o disco “Insane Behavior”, “Hometown” ou o mais recente “Revival”, possa ter uma opinião ligeiramente diferente (risos) e isso é bom, pelo menos achamos nós (risos).

-Hintf: Como funciona o vosso processo criativo?

Final Mercy: Normalmente temos os nossos guitarristas que debitam riffs e mais riffs. Nos ensaios trabalhamos essas ideias e, já todos em conjunto, propomos alterações e arranjos. Também o Dan, com a dinâmica que pretende para a voz, influencia a construção e estrutura final dos temas. Basicamente é só juntarmo-nos e as coisas fluem (risos).

Hintf: Quais são as vossas influências, quem vos inspira?

Final Mercy: Sinceramente procuramos ter uma identidade própria. Claro que há sempre umas bandas com as quais nos identificamos mais. Olhando para a nossa sonoridade atual, provavelmente teríamos que apontar bandas como Arch Enemy, At The Gates, Lamb of God, Soilwork, Gojira e algo por aí. Não é fácil pois todos ouvimos muitas bandas há muito, muito tempo (risos) e as coisas saem naturalmente. Procuramos não colocar um rótulo do género “isto parece aquela banda” ou “é na onda daquele tema”. Queremos que, quando nos ouçam digam “pá, isto parece mesmo Final Mercy”.

-Hintf: Falemnos um pouco de Revival o vosso último trabalho, como foi recebido pelos fãs e os media?

Final Mercy: Desde logo “Revival” é para nós o nosso melhor trabalho pois é o último (risos). Fora de brincadeiras achamos que “Revival” espelha o crescimento e maturidade musical de Final Mercy. “Insane Behavior” e especialmente “Hometown” foram discos excelentes e fundamentais para atingirmos o patamar de “Revival”, mas somos da opinião de que este último registo mostra uma banda mais confiante, madura e estável. Os fãs têm recebido muito bem o álbum. Os concertos de apresentação têm sido muito interessantes e nota-se, pelo menos acreditamos nisso, uma crescente simbiose entre a banda e o público. Os media têm tido, dentro do possível, um impacto positivo. Claro que esperámos sempre um pouco mais, mas entrevistas como estas, e aproveitamos para agradecer à Hintf e a ti em particular, são sempre um alento para a banda e uma ajuda para potenciar e divulgar o nome Final Mercy.

-Hintf: Foi fácil a integração na banda do novo vocalista (Dan Vesca), a que se deveu essa mudança?

Final Mercy: Foi bem mais difícil para nós do que para o Dan, pois aturá-lo não é fácil (risos). Brincadeira à parte, a adaptação do Dan não poderia ter corrido melhor. Quando o Hugo, por motivos pessoais, abandonou o projeto, tivemos algum receio em não encontrarmos rapidamente um substituto à altura e eis que caído dos céus, ou do inferno, não sabemos bem (risos), surgiu o Dan que agarrou este projeto com seriedade, vontade e garra, que aliás tem para dar e vender. Além disso é um poço de boa disposição. Foi uma ótima solução para o problema criado com a saída do Hugo.

-Hintf: Imaginem,que estão em estudio a gravar um album, e podiam escolher um qualquer convidado especial, quem seria?

Final Mercy: Se calhar cada um de nós escolheria um nome diferente. No entanto, se ainda estivesse entre nós, há um nome que gera consenso: Chuck Schuldiner. Seria uma honra poder partilhar 1 minuto que fosse em estúdio com este grande e eterno músico. Na sua ausência, Peter Tagtgren, pela qualidade enquanto músico e por ser um fantástico produtor.

-Hintf: Numa palavra, como se definem ao vivo? 

Final Mercy: Pode ser em duas? (risos) Pura Energia! Atuamos em cada concerto como se fosse o último, damos sempre o máximo, independentemente da dimensão, condições ou números da audiência.

-Hintf: O que mudou desde o inicio da banda?

Final Mercy: Mudou muito. Como dissemos atrás, mudou a formação e, sobretudo, mudou a sonoridade e a maturidade dos temas.

-Hintf: Como vêem o actual panorama musical em Portugal?

Final Mercy: Na nossa opinião, embora se notem algumas melhorias relativamente há uns anos atrás, o metal nacional – mais do que a música em Portugal – precisa de mais apoio, de mais camaradagem, de mais visibilidade. Fazemos cá dentro tão bem ou melhor do que se faz lá fora, porém por vezes parece que estamos numa prisão sonora e que ninguém nos ouve. E as bandas nacionais têm tanto para mostrar, aqui em Portugal e lá fora. O underground nacional tem um enorme potencial. Existem inúmeras bandas que só precisam de um pequeno empurrão e uma oportunidade.

-Hintf: Quais os vossos maiores objectivos/desejos/sonhos?

Final Mercy: Já não temos propriamente idade para sonhos, esse tempo já passou há uns bons anos (risos). Por isso vamos ser pragmáticos e ficar pelos objetivos. No imediato pretendemos ter mais oportunidades para continuarmos a divulgar o novo trabalho, “Revival”, e conquistar mais fãs, não só para Final Mercy, mas também para o metal nacional.

-Hintf: Planos para o futuro…

Final Mercy: Além do que referimos anteriormente, em 2018 pretendemos trabalhar no novo disco que, esperamos nós, estará cá fora algures em meados de 2019.

-Hintf: Por fim, deixem uma palavra a quem vos ouve e segue…

Final Mercy: Obrigado! É o mínimo que podemos dizer. Obrigado pelo apoio, pela força que nos dão. Final Mercy é uma banda constituída por muitos mais do que apenas estes cinco elementos. Nós podemos compor as músicas, mas vocês são a verdadeira extensão de Final Mercy. Continuem porque nós também continuaremos a trabalhar para não vos desapontar. Um forte abraço a todos.

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