Bob Sneijers

Entrevista Bob Sneijers

Por: Miguel Ribeiro

-Hintf: Muito obrigado desde já por esta entrevista. Gostava que nos explicasses como surgiu o gosto pela música.

Obrigado eu pela oportunidade. Acho que o gosto pela música não surgiu, mas sempre esteve lá. Acredito que cada indivíduo já nasce com propensão para um determinado tipo de expressão musical. Apenas se vai apurando durante o desenvolvimento da pessoa. Vamos descobrindo o que nos agrada e vamos definindo quem somos. O gosto pela vertente mais extrema, pelo death metal e pelo grind veio à superfície quando tinha uns 14 anos de idade, mas lembro-me de pensar que gostaria de ter tido acesso às coisas que ouvia mais cedo. Antes dessa altura ía descobrindo o que havia mais à mão… o heavy metal dos Iron Maiden e algum thrash metal. Ouvia o que conseguia e ía tendo acesso a mais álbuns através de tape trading. Comprava ou trocava fanzines e demos e descobria muito do que se fazia por aí. A certo ponto cheguei a escrever uma fanzine, a Necrological ‘zine, que saiu em ’96 ou ’97. Sentia-me confortável na cena death/black metal da altura.

-Hintf: Quem é o Bob Sneijers?Apresenta-te…

Apenas uma pessoa como qualquer outra, mas com uma motivação extrema de continuar a criar até deixar de existir. Aquilo que um indivíduo cria é único. É aquilo que o imortaliza. A minha vida é a minha família, a minha música e o meu trabalho, que me permite sustentar tudo. Sem um destes pilares, as coisas deixariam de fazer sentido.

-Hintf: Fala-nos sobre o teu percurso na musica,passado presente e futuro…

Tudo começou há 23 anos, quando entrei em Bowelrot. Tinha comprado a demo de ’95 deles e tocava há pouco tempo. Juntava-me com algum pessoal para tocar numa sala da escola secundária e tentava ir de encontro ao que ouvia de outras bandas. Fui convidado a entrar em Bowelrot e a partir daí tudo se tornou mais sério para mim. Bowelrot acabou por se dissolver e surgiu In Tha Umbra. Em finais de ’99 separei-me de In Tha Umbra e criei Fungus. Gostava do que fazia em In Tha Umbra, mas aquilo que eu imaginava que iria acontecer começou a distanciar-se da realidade, e comecei a perder o interesse e a necessitar de algo mais extremo e directo. Depois de alguns anos, juntei-me também à banda de black metal Mystical, com ex-membros de Teasanna Satanna. Entretanto, Fungus crescia e exigia quase todo o tempo que dedicava à música. Tive alguns projectos pelo meio, e em 2012 decidi mudar-me para o meu país de origem, a Holanda. Pouco depois saía o culminar de anos de trabalho e evolução musical em Fungus, com o lançamento do álbum de estreia. Na Holanda passei por Sapiens End, Misophonia, criei Void of Torment e toquei em alguns festivais com os Rectal Smegma. Neste momento estou a dedicar o meu tempo a Fungus, 666 Shades of Shit e Prostitute Disfigurement. Deixei todas as outras bandas para trás para me poder focar nestas 3. Se tudo correr conforme planeado, o futuro será risonho. Em 2019 tocarei em Portugal com uma ou mais bandas, e até lá haverá mais notícias…

-Hintf: Quais são as tuas principais influências,quem te inspira?

Tudo o que oiço influencia-me. Conscientemente ou não. Depende um pouco da banda em que estou a trabalhar em determinado momento. Passo por periodos em que oiço mais black metal, outros em que oiço mais death metal ou thrash. Geralmente os lançamentos mais antigos com que cresci são os meus preferidos, mas também há uma mão cheia de bandas mais actuais que têm um som interessante. Chega a um ponto em que as bandas em que trabalho têm um som característico que me influencia também e fortalece a identidade das bandas. A certa altura, desenvolves um estilo e pouca coisa te volta a moldar tanto como aquilo que ouvias quando começaste a ouvir som. Prefiro falar de álbuns que me influenciaram em vez de bandas. “Covenant” dos Morbid Angel, “The Bleeding” dos Cannibal Corpse, “Blood Ritual” dos Samael, “Human Waste” dos Suffocation, “Extreme Conditions” dos Brutal Truth. Muita coisa, desde Deep Purple e Led Zeppelin até Dissection e Mayhem. De Iron Maiden e Judas Priest a Anal Cunt e Agoraphobic Nosebleed. A lista é enorme.

-Hintf De todos os projectos em que estás e estiveste envolvido achas ser o que pode chegar mais longe?

Definitivamente alguma das que estou envolvido de momento. Uma das razões para eu largar um projecto é quando acho que o mesmo não tem futuro. Fungus tem potencial para percorrer o caminho mais longo. É a banda que tem travado uma batalha incrível contra as mais diversas adversidades desde que nasceu. Também pode chegar a qualquer patamar. Prostitute Disfigurement tem pouco a provar. É uma banda que já está lá. Mas também exige muito trabalho. Não pode falhar. Estamos a trabalhar no sexto álbum e é tudo menos fácil. 666 Shades of Shit começou como uma piada e cresceu inesperadamente. É uma banda com pessoal que já se juntava antes de termos a banda. É também a banda que mais reacções extremas tem gerado. Um fenómeno que tem tanto de inesperado como de hilariante. Muitas opiniões que pouco têm a ver com a música em si, mas mais com a mentalidade de quem opina. Chega ao ponto de me dizerem que não percebem porque toco na banda ou que não “encaixa” com o meu currículo musical. Se há algo com que as pessoas não se devem preocupar, é com aquilo que eu gosto de fazer. Isso também me motiva a continuar.

-Hintf: Numa só palavra,como te defines?

Persistente.

-Hintf: Como vês o actual panorama musical em Portugal?

Saí de Portugal há mais de 5 anos, mas de vez em quando ainda vou seguindo o que se passa por aí. A qualidade dos músicos é excelente. Muita banda com identidade própria que não fica atrás do que se faz fora de Portugal. Se continua a evoluir assim, a cena nacional está saudável. Pelo menos é a imagem que transmite para fora.

-Hintf: Há algum sonho e ou desejo no mundo da musica por concretizares?

Não há limites. Continuo a trabalhar, e os desafios aparecem. É assim que tem funcionado. Duvido que algum dia consiga viver disto, mas acho que esse é o sonho de qualquer músico. Viver da arte e poder dedicar todo o tempo à criação de mais arte. Quanto a desejos, gostaria que as coisas se continuassem a desenvolver como se têm desenvolvido até agora.

-Hintf: Por fim, deixa uma palavra a quem vos ouve e segue…

A quem nos ouve e segue… fico feliz por nos encontrarmos na mesma frequência e agradeço todo o apoio que tenho recebido. Espero que aquilo que me agrada fazer também continue a ser do agrado de quem ouve. Sejam fiéis a vós próprios. Aproveito para agradecer também à Hintf pela entrevista.

 

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