Rasgo

Banda: Rasgo

Titulo: ‘Ecos da Selva Urbana’

Editora: Rastilho Records

Data de Lançamento: 12.Novembro.2017

Torna-se cada vez mais uma árdua mas regozijante tarefa descrever e opinar – e principalmente com a certeza sempre presente que os gostos pessoais são subjetivos (o que agrada a uns poderá não agradar a outros), isto aplicando-se felizmente cada vez mais (passo a redundância) dado o inegável crescendo de excelsa qualidade musical a que somos sujeitos na nossa atual cena tão comummente dita de ‘alternativa / underground’.

E isto porque ‘Ecos da Selva Urbana’, o disco de estreia do quinteto-potência lisboeta Rasgo, se encaixa perfeitamente nesta constatação e não apenas porque os seus integrantes acumulam sábia experiência em projetos díspares como Trinta & Um, Tara Perdida, Sacred Sin ou Shadowsphere (os com maior longevidade).

‘Ecos da Selva Urbana’ é e parafraseando parte da apresentação biográfica oficial da banda, uma autêntica descarga demolidora que entra pelos nossos ouvidos adentro sobre a forma de 9 + 1 (9 temas originais e 1 versão) estilhaços meteóricos e que soam incansavelmente inextinguíveis.

A energia musical contida nestes 39 minutos é arrepiante, sendo inevitável não nos contagiarmos ou exultarmos com os velozes riffs, o estrondoso impacto da bateria que nos acelera o ritmo cardíaco ao limiar do impossível (e principalmente se ouvirmos o disco ‘encarcerados’) e a poderosa voz de comando que entoa os temas cujos refrões por demais orelhudos se colam impiedosamente ao ouvido.

‘Homem ao Mar’, ‘Líder’ ou ‘A Besta’ são só umas dicas sonoras neste disco, uma verdadeira estalada de luva branca, num desafio que de bom grado aceitamos duelar e urgente nos nossos palcos.

De referir ainda que a versão escolhida a integrar este conjunto de temas originais, ‘Cão da Morte’ é uma verdadeira homenagem a seus originais criadores (Mão Morta), rasgadamente vincada de toda a força criativa habilidade camaleónica dos atuais executantes.

Nunca o termo ‘crossover’ assentou tão bem na identificação de orientação musical de um projeto, numa base de thrash do mais puro e verdadeiro espirito e fundente com algum moderno groove e o sempre latente e enraizado punk contestatário.

Rasgo enquanto banda são uma vitória para a nossa cena metaleira e ‘Ecos da Selva Urbana’ obrigatoriamente um Novo Testamento musical.

Pontuação: 9,8/10

Por: Paula Antunes

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