Kaelling

Entrevista Kaelling

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá! Antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e para abrir as hostilidades nada melhor que sabermos quem são os Kaelling e como chegaram a esta formação atual?

João Rodrigues: Os Kaelling (ou Kælling) formaram-se em Janeiro de 2017. A ideia partiu do André Oliveira, que há muito queria lançar um álbum. Convidou-me para fazer parte do projecto e juntos compusemos e gravámos os temas que integram o nosso álbum de estreia, “Lacuna”.

André Oliveira: Originalmente, o que eu pretendia era lançar um álbum a solo, mas senti que as músicas precisavam de voz, então, como já colaborava com o João noutros projectos, convidei-o para cantar, mas acabámos por partilhar mais tarefas, como a composição dos temas e gravação dos mesmos.

Hintf: De que melhor forma descrevem a vossa sonoridade e permitam-nos também saber quem e quais são as vossas principais influências e fontes de inspiração?

AO: A ideia, com este projecto, foi não nos restringirmos a nenhuma sonoridade específica. Podémos explorar ideias diferentes, sonoridades diferentes e a partir daí montar o álbum, tentando manter alguma coesão entre temas. A ter que definir um género para nós, diria Rock/Metal Progressivo.

JR: As nossas influências são variadas, gostamos de muitos artistas diferentes em géneros diferentes. Acredito que neste álbum as influências mais notáveis são Leprous, Porcupine Tree, Karnivool, Tesseract, Tool, Tigran Hamasyan e Plini.

Hintf: Provenientes da cidade de Leiria, que tem um polo artístico multifacetado em vários aspectos na arte em geral, como sentem o atual panorama musical nesta cidade, que vantagens tiram deste vosso ponto de origem e que dificuldades sentem em disseminar a vossa musicalidade a nível nacional?

AO: O crescimento cultural em Leiria, nestes últimos anos, tem sido excepcional. Tem exposto, não só a nível nacional, mas também internacional, muitos dos artistas que temos por cá (não só no prisma musical). Isto faz com se abram mais portas e surjam mais oportunidades para outros artistas poderem vingar.

Hintf: ‘Lacuna’ é o disco que vos faz sair da vossa sala de ensaios e um registo estreante. Falem-nos um pouco mais deste álbum, a sua ideia base, do que nos fala e como se sentem agora que este trabalho está cá fora para gáudio dos ouvintes?

JR: Como foi dito anteriormente, quando compusemos o álbum tentámos não nos restringir a nenhuma sonoridade específica, como tal, obtivemos temas muito diversos. Quando me apercebi de que havia elos de ligação entre alguns temas expus ao André a ideia de incluir um conceito ao longo do álbum, isto é, separá-lo em três capítulos e, para cada um, escolher três temas com uma sonoridade similar. Cada capítulo conta a sua própria história, mas eles estão interligados. O primeiro capítulo, chamado “Empathy”, conta a história de uma personagem que tem a capacidade de sentir o que as pessoas que o rodeiam sentem, mas que, a certo ponto da sua vida, se apercebe de que já não consegue dissociar os seus sentimentos dos sentimentos alheios, de que a vida que vive não é exclusivamente sua, o que o conduz a uma depressão profunda e a uma busca pela própria identidade. Musicalmente é um capítulo mais leve, um misto de nostalgia e contentamento, leveza e intensidade, calor e frio. “Apathy” é o nome do segundo capítulo e, como o nome indica, narra a vida de um sociopata que, pela sua indiferença, consegue ser extremamente bem-sucedido na vida, embora também ele seja atormentado por demónios pessoais. Nunca saboreou as suas vitórias, nunca chorou uma derrota e vive aborrecido pela monotonia de não sentir, o que o leva numa demanda por uma cura para o seu problema. A nível musical é o capítulo mais agressivo do álbum, o mais experimental e, simultaneamente, também o mais melancólico. Finalmente, no terceiro e último capítulo, “Certainty”, as duas personagens cruzam-se e a história gira à volta das revelações e consequências desse encontro. Em termos sonoros, mistura nuances dos capítulos anteriores, mas tem uma identidade muito própria, carregando uma sonoridade mais negra e uma atmosfera mais pesada.

Hintf: Como tem sido a recepção deste disco por parte do vosso público e da Imprensa em geral?

AO: O público tem sido excelente, recebemos feedback maravilhoso. Tem-nos aquecido o coração ler algumas das mensagens que nos enviaram. Não imaginavamos que fosse ser assim e, curiosamente, o apoio internacional tem sido maior que o nacional. Quanto à imprensa ainda estamos a aguardar algumas respostas; temos enviado alguns e-mails, mas foram poucos ainda os que nos responderam.
Hintf: Sendo Kaelling uma formação ainda bastante recente, quais são as perspectivas para o futuro imediato de Kaelling? Planos e objetivos para este iniciante 2018?

AO: O nosso objectivo principal para o ínicio de 2018 é preparar uma rotina de ensaios. Convidámos músicos a fazerem parte do projecto e esperamos conseguir concretizar na prática aquilo que está neste álbum, para mais tarde o tocarmos ao vivo. Futuramente, queremos também que todos os elementos da banda intervenham na composição de um próximo disco.

Hintf: E concertos? Onde e quando poderemos ver Kaelling num palco perto de nós, como está a vossa agenda neste campo? E com quem gostariam de partilhar o palco?

JR: Em princípio, a partir de Maio, já começaremos a dar concertos. Não temos ainda uma data certa, mas já há planos. Quando existirem datas definidas iremos divulgar a informação através do nosso Facebook e do nosso website. Gostaríamos de partilhar o palco com muitos artistas, mas há alguns por quem nutrimos um carinho muito especial: os nossos vizinhos Dream Pawn Shop, os Griot, os  Morphing Treeman, os Esfera, os Ash is a Robot. Internacionais, os Leprous, os Haken, os Karnivool, os Agent Fresco. É uma lista interminável!
Hintf: Esta é uma linha aberta para que possam deixar uma mensagem especial aos nossos leitores e vossos seguidores!

AO & JR: Esperamos sinceramente que gostem da nossa música, que seja uma surpresa agradável e que nos acompanhem nesta viagem na qual estamos prestes a embarcar. Um muito obrigado, de coração, a todos aqueles que nos têm apoiado!

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