Full Report Casainhos Fest 2018

Full Report Casainhos Fest 2018

Casainhos Fest 2018 @ Campo Futebol do Sporting Clube de Casainhos (01.Setembro.2018)

Line Up:  Take Back + ContraSenso + Infraktor + Artigo 21+ Backflip + Vira Lata + Hills Have Eyes + Rasgo + Heavenwood + Bizarra Locomotiva + R.A.M.P.

By: Paula Antunes

Photos By: Telma Silva

[̲̅o̲̅][̲̅f̲̅][̲̅f̲̅][̲̅i̲̅][̲̅c̲̅][̲̅i̲̅][̲̅a̲̅][̲̅l̲̅] [̲̅s̲̅][̲̅p̲̅][̲̅o̲̅][̲̅n̲̅][̲̅s̲̅][̲̅o̲̅][̲̅r̲̅]: Hintf Webzine

Thanks To: Casainhos Fest

#ApoioTotalAoUndergroundNacional
Editor: Miguel B. Ribeiro

Tal como já vem sendo habitual de há uns anos a esta parte, o primeiro fim-de-semana de Setembro assinala não só o findar das abrasadoras tardes e noites que permitem decorram com sucesso os grandes festivais de Verão, mas também a rentrée da temporada propiciante ao refúgio e participação em salas mais aconchegantes e protetoras de condicionantes meteorológicas.

Cumpriu-se assim no passado dia 01 do corrente, a sétima edição de um dos festivais de verão que maior exposição e afluência tem conseguido ao longo do seu percurso, com as valias maiores de termos sempre, edição após edição, um cartaz diversificado onde o Hardcore e o Metal sendo géneros de eleição, estão lado a lado e comunga-se livremente e sem preconceitos o espírito festivaleiro e de união entre almas melómanas com gostos transversais e em comum.

Desta sétima edição há que – e antes de falarmos sobre a prestação das onze bandas escolhidas para este evento – salientar acima de tudo o espírito resiliência e apoio tido e dado, quer por parte do público quer por parte das bandas, face ao extremo calor que se fez sentir durante todo o tempo que levou até o sol decidir dar tréguas. Agradece-se também a Éfeso a sua pacificidade soprando apenas amiúde uma ligeira brisa, mantendo a poeira assente apenas até os humanos metaleiros decidirem abrir os circle pits.

Às 15h00 em ponto, a hora marcada para o inicio dos concertos, a honrosa abertura deu-se com uma actuação de 30 minutos de uns enérgicos Takeback que de imediato assumem o controlo da 1ª linha de frente do público, mantendo-os participativos, com os arremessos sonoros do seu Hardcore, mostrando-nos em temas como ‘Unbreakeable’ (este dedicado ao baterista de Steel Your Crown – a quem também enviamos rápidas melhoras do seu estado de saúde) e ‘Inner Strength’ o porquê de justamente terem vencido o Concurso de Bandas Casainhos e que os trouxe directamente de Aveiro até nós; uma das mais promissoras bandas do Hardcore nacional se fez ouvir, aproveitando também para oficialmente ao vivo apresentarem o seu novo elemento, o Flávio aka Pussy.

Com alguma experiência adquirida em outros projectos e bandas, os ContraSenso sobem ao palco do Casainhos para nos apresentar a sua mais recente edição, o álbum homónimo, do qual se escutaram alto e bom som e numa performance de punk rock exemplar, temas como ‘Sem Desculpas’, ‘Crescer de Novo’ ou ‘Acreditar’, numa perfeita mostra de que o punk não está morto e o rock bem vivo sob a tutela deste colectivo lisboeta. ‘Para Além do Tempo’ fecha a atuação dos ContraSenso com chave de ouro, arrebatando certamente mais alguns futuros seguidores ao seu trabalho.

Sob um Sol abrasador, nem a multidão crescente arreda pé para muito longe, nem uma das bandas sensação do momento do movimento thrash/death metal se dá por vencida; também provenientes de Aveiro, os Infraktor, banda assinante da nacional Rastilho Records, aproveitam a deixa enérgica das bandas anteriores e elevam ainda mais a fasquia motivacional de pits no Casainhos, conseguindo desde logo com a abertura em ‘Blood of the Weak’ levantar as primeiras poeiras e agregando à boca de palco os metaleiros que acatam o apelo de Hugo Silva para fazerem o devido bailarico. ‘Exhaust’, tema título do álbum recente dos Infraktor que foram tudo menos exaustivos, e ‘Son Of A Butcher’, os pontos altos da sua participação, que culminou com uma rodada de shots de Jack Daniels para o público sequioso e merecedor de tal mimo!

Também lisboetas e também uma das bandas-sensação do nosso punk rock nacional, os Artigo 21 já mostraram em muitos outros eventos, a importância que têm vindo a acumular por força não só das suas composições que leve e intensamente abordam os problemas comuns da nossa sociedade mas também da sua força de palco, onde acima de tudo ressalta a sua boa disposição e descontração, o reflexo de que realmente fazem o que gostam, sem se importarem com trends ou caminhos talvez mais fáceis de trilhar. Ainda em fase final para o lançamento do seu novo disco, os Artigo 21 deixaram a sua marca no Casainhos com ‘Ódio Não É Amor’ e ‘Ser Capaz’, dois temas pujantes que versam sobre temáticas diferentes e que no entanto são complementos. Também eles complementaram e muito bem a presença do punk rock a aquecer (ainda mais) a tarde deste evento.

Chegada a vez da atuação dos Backflip, banda muito acarinhada pelo movimento hardcore, tivemos mais uma vez uma excelente prestação deste colectivo, que sempre nos habituou a dinâmicas de interacção com o público, muito interventivos e apelando constantemente à ação do público que acede sem delongas e provoca circle pits e outros brilharetes, crowdsurfing, stage diving, e entoação de temas como ‘To the Bone’ ou ‘Burning High’. São dez anos de carreira na cena hardcore nacional e que com este concerto nos deu um amargo de boca; o anúncio da sua futura pausa por tempo indeterminado, motivada pelas vicissitudes das vidas pessoais dos seus elementos. Esperamos obviamente que seja apenas um breve até já, o gosto de vermos esta força de palco quer manter-se …

Já com temperaturas um pouco mais amenas e com os estômagos a começar a clamar por forragem para os néctares hidratantes, sobem a palco os Viral Lata ‘Punkrock’, imbuídos de muita energia, boa disposição e um set escolhido que se fez de alguns dos seus melhores e mais dinâmicos temas. O punk rock dos Vira Lata é agradável, com uma leve pitada de ironia e comédia, puxando pelo público e pela sua vontade de beber, ‘E Vai Um Copo’, vai sempre bem, assim como ‘Zé Ninguém’ ou ‘És Linda’ – dedicada a todas as mulheres presentes no recinto; fazendo uma excelente ponte sobre a dinâmica punk/rock/hardcore para a parte da noite que se saberia vir a ser ainda um pouco mais intensa.

Rasgo. Chegaram até nós como um autêntico furacão sonoro em finais de 2017 com o seu detonador álbum ‘Ecos da Selva Urbana’, torpedeando o estilo thrash metal que praticam com incisivos temas cantados em português que puxam e bem pelo rastilho individual de quem prazerosamente os ouve e tem a oportunidade de os ver em cima de um palco. A actuação no palco do Casainhos – e devemos aqui aproveitar para parabenizar o pronto e atento desempenho da equipa da Stage Bros – foi demolidora, coisa que não é de estranhar dada a vasta experiência dos elementos de Rasgo, abrindo as hostilidades com ‘Propaganda Suicida’, dando um volteio de riffs electrizantes por ‘Ergue A Foice’, fazendo de ‘A Besta’ o pináculo da sua actuação, uma vez que ainda até à data esta que escreve se arrepia à lembrança da executada em rigor e sem paralelo da versão de ‘Cão da Morte’ para o original dos Mão Morta. Se estas linhas fossem um cartoon usaríamos a onomatopeia Caboom!!

Os Hills Have Eyes, colectivo seguinte no rol deste alinhamento da sétima edição do Casainhos Fest, são também uma das bandas que mais presenças vai acumulando em festivais desta monta, garantindo o ritmo que se quer enérgico, envolvente e intenso, seja na vertente metal ou Rock. Chegados de Setúbal e contando com 12 anos bem vividos de palco, os Hills Have Eyes assinalaram a sua presença de forma limpa, cumprindo com o esperado da sua força de palco, esta ainda mais inflamada após a sua incursão em palcos internacionais (Resurrection Fest 2018). Enquanto aguardamos por novo registo, ouviram-se ‘The Bringer of Rain’ e ‘False Idols’ entre outras pérolas da sua discografia.

Com uma das actuações mais aguardadas da noite veio também e há que dizer em prol da verdade dos acontecimentos, uma das primeiras frustrações. Por total falta de culpa dos portuenses Heavenwood, banda que apesar de muitos conhecerem ainda apenas á custa do seu mais recente disco, ‘The Tarot of the Bohemians’, os Heavenwood são uma das bandas maiores da nossa cena musical dita underground no espectro do metal gótico/alternativo. Com uma existência que se contabiliza já em 22 anos, era grande a expectativa e ansiedade de podermos assistir ao que se avizinhava ser um dos melhores momentos da noite. E atenção, acabou por sê-lo sem dúvida, mas infelizmente os graves problemas técnicos que aconteceram com a qualidade sonora tiraram-nos boa parte do gozo de temas como ‘The Empress’, ‘The Juggler’ e até mesmo ‘Rain of July’, valendo-nos a incansável postura da banda, que não desarmou, puxou sempre pelo público, manteve o sorriso e fez-nos puxar pela nossa memória e conseguimos ainda assim acompanhar a sua actuação sem desanimar. ‘Suicide Letters’ e ‘Frithiof’s Saga’ já nos foram dadas limpas e sem falhas e o que é bom acaba, pelo menos até os podermos rever novamente. Com Miguel ‘Equaleft’ Inglês como vocalista convidado, os Heavenwood em Casainhos foram uma realidade nada virtual e um aconchego para algumas das almas mais góticas que pairavam no recinto.

Diz o ditado que não há uma sem duas e de facto esperemos que não haja uma terceira no sentido negativo do ditado… Volvidos dois anos sobre a sua presença no Casainhos Fest e ainda presente na memória de alguns a curta duração da sua actuação, também nesta edição de 2018 os Bizarra Locomotiva tiveram um começo menos feliz. Com uma longuíssima hora de atraso à custa de equipamento que se danificou, valeu a todos os presentes o profissionalismo de toda a equipa técnica do Casainhos e claro, ao público que apesar de visivelmente impaciente com a demora, se entreteve em convívio e com mais uma voltinha pelas bancas presentes ou com mais uma investida ao bar. E valeu a pena a espera. Indubitavelmente. Os Bizarra Locomotiva são dos nomes maiores e que maior diversidade de público consegue arrastar para as suas actuações. Com um set escolhido que primou por temas intensos como ‘Grifos de Deus’, ‘Mortuário’, ‘Gatos do Asfalto’, ‘Cavalo Alado’ ou ‘Homem Máquina’, apesar de já habituais de ouvir por quem os acompanha, mas sempre com nuances que os destacam de evento para evento. Nesta actuação tivemos um Alfa particularmente agitado, sendo uma das figuras que mais se movimenta em palco juntamente com o imparável Rui Sidónio, que nesta noite optou por mais que uma vez se misturar com o público, descendo do palco se a memória não falhar a esta escriba, três vezes. Toda a ansiedade e frustração foram apaziguadas e a catarse foi feita, como sempre se faz, num concerto único e que por mais longo que seja sabe sempre a pouco. Fecharam ‘O Anjo Exilado’ e ‘Escaravelho’, dupla chave de ouro, como seriam quaisquer outros temas da sua carreira.

E é chegada a hora da actuação do cabeça-de-cartaz escolhido para este Casainhos Fest 2018. Os Ramp. Bandão de peso e relevância-mor no metal nacional, a banda de Rui Duarte resiste à temporalidade da sua existência de 29 anos, com todos os altos e baixos que são normais, sendo os baixos apenas o hiato existente entre lançamentos, o que provoca uma certa terna angústia para se ouvir ‘coisas’ novas.  De novo, os que nos trouxeram os Ramp ao Casainhos foram os novos elementos, entre eles um dos músicos mais dinâmicos e faz-tudo, o ‘Apache’ Neto, baixista de DMS, que veio juntar sangue novo e postura jovial a esta Banda de culto. Com um tempo de atuação que se queria por parte da banda e do público maior, deram os Ramp o seu melhor, sem quebrar e mantendo-se firmes e de espírito inflamado, puxaram pelo público com temas como ‘So You Say’, ‘In Sane’ ou quando se afirmam não ser prestadores de vassalagem com ‘Follow You’, deixando bem claro que a resposta a perguntas como porque razão fazem baladas é apenas ‘… e porque não?…’ e nos deixam sem fôlego numa montanha russa de emoções com ‘Alone’ e o exorcizante ‘Blind Enchantment’: os Ramp foram só nossos, nós os cerca de um milhar de almas que se move entre festivais e salas de norte a sul do país para que o espírito e a chama do metal se mantenha e perdure com a viva força de quem o pratica para nosso belo prazer.

Fecha-se este evento com uma nota mais que positiva, aliás como sempre e quase sempre assim tem sido. As falhas aconteceram e foram técnicas, impossibilitando o célere e escorreito trabalho dos profissionais que trabalharam dia e noite para nos proporcionar um excelente momento musical. Á organização do Casainhos Fest que primou mais uma vez pela simpatia no acolhimento fosse na receção dos festivaleiros fosse na zona de bar, a limpeza e arrumo que é de salientar, apenas podemos e devemos agradecer. O público, que mais uma vez se superou e provou ser o melhor público que se pode ter, bem-disposto, ordeiro e divertindo-se com responsabilidade e entreajuda. As bandas que desfizeram fronteiras (se é que existem) entre estilos e se pautou pelo rigor actuando com profissionalismo e alma. Esperamos que na edição de 2019  se mantenha este espirito e até lá certamente há tempo para se reverem situações que correram menos bem e que assim sejam atempadamente prevenidas. Um bem-haja na pessoa do Tiago Fresco que encabeça e dá a cara por esta organização e que mais uma vez recebeu exemplarmente esta escriba para a Hintf Webzine.

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