Katamarock

Entrevista: Katamarock

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá Katamarock! Antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e aproveitamos também para vos congratular pelo excelente disco que nos faz ter esta pequena conversa convosco! Assim, e começando pelo início,apresentem-se, falem um pouco sobre como tudo começou para os Katamarock!

ALEXANDRE: Muito grato pela oportunidade de falarmos, e bastante agradecido com o elogio. É uma satisfação quando sabemos que as pessoas gostaram do nosso trabalho.

GUSTAVO: Acho que conheço o Alexandre há uns 30 anos. Chegamos a fazer uma jam sem compromisso pouco antes de eu me mudar para Portugal no início dos anos 90. Voltei a tocar bateria quando regressei ao Brasil em 2010, e uns anos mais tarde acabamos nos reencontrando. Em 2015 decidimos criar este novo projeto. A formação inicial teve outro baixista, mas a ideia sempre foi fazer um power trio, por isso o Alexandre resolveu acumular a função de vocalista.

Hintf: O que quer dizer Katamarock e o porquê da escolha deste nome para o vosso projecto?

 ALEXANDRE: Após muito brainstorm sobre nomes de bandas com meu grande amigo e baterista Gustavo Scafuro, percebemos que muito do que pensávamos já existia pelo mundo. Então, ele criou este nome. É uma invenção com boa sonoridade. Tem rock no nome, nossa grande devoção, e soa como o corte de uma espada pesada!

GUSTAVO: Sim é cortante e lembra a palavra Katana, mas não foi por causa disso… Talvez a KAT, que também AMA ROCK, possa explicar kkk. Mas a sério, queríamos uma palavra só, original, que fosse forte e traduzisse aquilo que fazemos. Sugeri diversos nomes, e esse foi o único que pegou

Hintf: De que melhor forma descrevem a vossa sonoridade, sendo que o Rock é um termo cada vez mais lato e sempre aberto a novas variantes?

ALEXANDRE: Penso que a música, assim como todos os subtipos do rock, são atemporais. Nosso som é espontâneo, simples, direto… Gosto de dizer que fazemos um rock pesado, parece um pouco com muitas das coisas que escutamos e ao mesmo tempo, não é igual a nada.

GUSTAVO: A ideia era fazer rock pesado com letras em português, e é exactamente isso que temos feito até agora J

Hintf: Temos atualmente ‘em mãos’ o vosso mais recente e estreante trabalho, o EP “H.A.G.” que tem algumas nuances muito particulares! Falem um pouco deste disco, que dificuldades maiores ultrapassaram para que este visse a luz do dia, sobre o que nos fala e já agora, qual o significado do seu título, em sigla, “H.A.G.”?

ALEXANDRE: A mim foi uma satisfação gravar estas músicas com dois grandes amigos músicos. Espero em breve gravar outras ideias e sons que já temos prontos e costumamos apresentar ao vivo. Aliás, H.A.G. são justamente as iniciais de Haroldo, Alexandre e Gustavo, pra além disso significa “bruxa”! Gostei muito de quando Gustavo apresentou este conceito pois curto muito o Black Sabbath e senti um lado “bruxo” ao nosso trabalho.

GUSTAVO: Acho que a maior dificuldade foi escolher os temas para a gravação! Tínhamos uns 9 prontos e escolhemos 3 que representassem diferentes facetas de nossa sonoridade. Gravamos uns 3 takes de cada música “ao vivo”, com as vozes gravadas em separado. Foram apenas 6 horas em estúdio, e depois enviamos para o Rodrigo Leal que mixou e masterizou em seu estúdio Matchbox em Portugal.

Hintf: As 3 músicas que nos apresentam neste EP são muito díspares umas das outras, com um bom Rock pesado e enérgico, ritmos mais latinos e também um pouco de spoken rock roçando a vocalização mais comumente ouvida em vertentes Hip-hop ou rap… Em que se inspiraram para este disco, quais são as vossas principais influências?

ALEXANDRE: Veja só, nem sabia sobre spoken rock, bem como, não costumo ouvir música latina… Então, acredito que nossa música tenha gênese no que habita nosso inconsciente sonoro, estético. Desde criança ouço muito Sabbath, Hendrix, Motörhead, AC-DC, Venom, Metallica, Slayer, Zeppelin, Purple, UFO, Bowie, The Clash, Ramones, Iggy Pop, The Cult, Stones, Van Halen, ZZ Top, Elvis, Scorpions, Kiss, Thin Lizzy, Judas Priest, Agnostic Front, COC, Sex Pistols, Voivod, Discharge… Do Brasil acompanho de perto Nação Zumbi, Sepultura, Dorsal Atlântica, Golpe de Estado, Caetano Veloso, Tom Jobim, Rita Lee, Titãs,… muita coisa… Aí estão as referências que primeiro me ocorrem, amo em demasia estes artistas, acho que tem a haver um pouco com tudo isso…

GUSTAVO: O Alexandre é o principal compositor da banda, e eu e o baixista Haroldo vamos lapidando com nossas ideias também. É um trabalho coletivo que mostra a diversidade musical de cada um dos integrantes. A pluralidade do rock é fascinante, e é justamente esse caminho que decidimos trilhar.

Hintf: Na vossa pequena biografia falam da colaboração musical entre elementos do Brasil, o vosso país de origem e o nosso Portugal. Como se deu esta colaboração, o que conhecem em termos musicais da música que se faz por cá?

GUSTAVO: Eu morei cerca de 15 anos em Portugal. Nesse tempo toquei em diversas bandas (Hot Stuff, Big Bang, Dear Old Dad, Karma, etc) e conheci outras tantas através do Metal Open Mind, projeto que criei na virada do milénio para promover grupos Portugueses e não só. Para além disso, nosso produtor é filho de um artista popular bem conhecido em Portugal.

Hintf: Como tem sido até aqui a recepção ao vosso disco, quer por parte do público em geral quer pela imprensa especializada?

GUSTAVO: O EP foi lançado exclusivamente no bandcamp no formato digital. A ideia era testar estas músicas e dar a conhecer o trabalho da banda. Por isso lançamos cada uma delas como singles digitais. As críticas ao EP tem sido boas até agora, e nos motivaram a fazer alguns shows na capital de São Paulo.

Hintf: Como estão de agenda para a promoção do vosso EP? Planeiam sair do Brasil e trazer o vosso som até à Europa e quem sabe, Portugal?

ALEXANDRE: Poxa, seria um privilégio receber um convite para tocar em Portugal. Voltei de férias em Portugal na semana passada. O país está lindo, fortalecido. As pessoas amáveis. Temos a língua portuguesa que nos conecta. Adoro os escritores portugueses. Quem sabe? Temos amigos em Portugal músicos também. Nosso baterista tem uma história pessoal, profissional e afetiva muito ligada a Portugal.

GUSTAVO: Acho que ainda é cedo para pensar em cruzar o Atlântico. Apesar de termos muitos anos de experiência como músicos, ainda estamos a dar os primeiros passos com este projeto. Queremos gravar mais músicas, e quem sabe lançar um álbum completo. Os shows que fizemos por aqui foram bem recebidos, e a reação do público tem sido ótima e inspiradora.

Hintf: Por agora deixem-nos então uma mensagem especial aos nossos leitores e vossos seguidores e indiquem também a melhor forma de acompanharmos o vosso trabalho?

ALEXANDRE: Que a música e as artes de forma geral possam servir a todos como expressão e transformação de nossos desejos, sentimentos e projetos! Nós do KATAMAROCK somos movidos e unidos por esta intensidade energética chamada música!

GUSTAVO: Agradecemos todo o apoio e espaço concedido. Nosso trabalho pode ser ouvido ou baixado gratuitamente pelo bandcamp. Quem curtir pode nos seguir pelo facebook e twitter. Lá saberão das novidades que virão em 2019!

 

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