The Ransack

Banda: The Ransack

Titulo: “Decadence”

Editora: Raging Planet Records

Data de Lançamento: 2018

Com uma longevidade de carreira já invejável na cena underground nacional, os The Ransack, coletivo de Barcelos que desde o seu início muito furor fez com o seu death metal melódico, abrasivo e que se tem pautado por um crescente e saudável evoluir a cada bolacha editada, quebram novamente o silêncio que nada mais nos faz senão esperar pacientemente pelo tão aguardado sucessor de “Bloodline”.

Este mês de Agosto marca assim o seu regresso com o anúncio desta futura edição discográfica, intitulada de “Decadence”, e apesar de ainda sem data oficial de lançamento (que se prevê seja para ainda antes do desfecho deste 2018) bem como da inauguração oficial do seu website, a nova casa online dos The Ransack e de seus seguidores.

Apesar de somar um hiato de seis anos sobre a anterior edição, “Decadence” que será o 4º longa duração do quarteto de Barcelos, é um disco de prova de fogo, do paradoxo que o tempo pode provocar e de como uma banda consegue pela paixão da arte que escolheu sobreviver às vicissitudes do dia-a-dia, pessoais ou profissionais.

Do total das 11 canções escolhidas para integrar este registo, o repto é dado logo com a primeira investida sonora, em que ‘Return of the King’ assume o controlo da nossa mente com a força do trabalho de bateria que se revela fulcral ao longo dos 43 minutos que duram este álbum. Cadenciada e vigorosa, servindo de suporte à secção de cordas onde o baixo surpreende como seu gravoso tom e a guitarra se mantém numa constante toada de riffs curtos, deixando que a voz de Shore respire e faça o seu papel de ligação entre instrumentos não humanos.

‘Outcast’, o segundo tema e o escolhido para o lyric vídeo que apresenta este disco não difere muito do anterior mas faz uma excelente ponte para a sonoridade mais técnica de ‘Jigsaw’, aproveitando-se bem neste tema os fluídos momentos de groove que impelem a um headbanging constante e com refrão mega orelhudo.

Das nuances rítmicas mais interessantes deste “Decadence” a escolha recai no trabalho vocal, a forma de interpretação destes temas que se focam essencialmente na decadência humana, da perca de valores e da amoralidade em que se sustenta a atual sociedade e com as suas naturalmente adversas e indesejáveis consequências, extraindo e exprimindo a angústia e a raiva pela impotente realidade de fazermos a diferença e mudarmos o rumo à contra-natura rota da Humanidade.

Esta sensação de angústia e raiva é habilmente repassada pelos pujantes e cortantes riffs, pelos repetitivos blast-beats, onde ‘Motherfucker’ e ‘Rebel’s Manifesto’ contêm a maior dose de core, a catarse pela melodia e pelo arrojo impiedoso dos The Ransack.

Resta esperar deste “Decadence” que finalmente seja lançado em forma física, o digital não vai chegar para saciar a vontade de ouvir e sentir um dos certos melhores lançamentos de 2018, ou não viesse ele com o selo da Raging Planet Records…

Pontuação: 8,9/10

Por: Paula Antunes

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