Marillion

Banda: Marillion

Titulo: “All One Tonight (Live at the Royal Albert Hall)”

Editora: Rackett Records

Data de Lançamento: 06.Abril.2018

Quem não se lembra de clássicos temas como ‘Kayleigh’ ou ‘Misplaced Childhood’ que constantemente rodavam já nas rádios oficiais na áurea década de 1980 e automaticamente sempre soube associar estes temas aos ingleses Marillion, que tinham à altura a irreverente figura de proa, Fish?

Os anos ’80 são coisa de pessoas mais velhas – podem alguns dizer; o vanguardismo quer na chamada música Pop, quer na mais alternativa, não se replica, podem também uns e outros opinar, mas importa acima de tudo perceber a dimensão e o impacto tidos, quer para os agora velhos que nos 80 ouviam com deleite essas vagas musicais, quer entender o percurso feito e escolhido pelos próprios músicos e bandas da altura e que perduram aos dias de hoje, em pleno século XXI.

Assim, quando pensamos em Marillion, fazemo-lo com alguma nostalgia própria mas também com a suposta sabedoria adquirida com a experiência do tempo e que nos permite o devido distanciamento, e só assim passível de se entender a relevância e capacidade artística que neste caso os atuais integrantes do coletivo Marillion continuam a manter.

E tudo isto vem a propósito do visionamento da mais recente edição de Marillion, o DVD duplo que captou na íntegra a também integral apresentação do seu álbum de estúdio “FEAR”, datado de 2016 e que a 13 de Outubro de 2017 aconteceu na mítica sala clássica, o Royal Albert Hall, espaço que apenas alguns poderão apenas sonhar em lá atuar.

Os Marillion fizeram-no, numa casa esgotada, numa performance que se fez de luz, com belíssimas e simples imagens projetadas que acompanhavam o cerne lírico das composições, e o som, perfeito, num equilíbrio majestoso, influenciado e aprendido certamente com espetáculos similares de uns Pink Floyd ou U2.

Dividido este espetáculo em duas partes, em que na primeira a atenção é totalmente dada à interpretação de “FEAR”, o que mais impressiona é a segurança e conforto que a banda transmite e tem, como se este fosse desde sempre o seu natural elemento, com sonoridade rock melódica mantendo a sua linha progressiva e prendendo desde logo o espetador a esta peça.

De salientar que apesar de secretamente ansiarmos por um ‘Kayleigh’, a paixão e entrega com que os músicos atuaram suplanta e abafa estas naturais ansiedades. A cortesia, a simplicidade e cumplicidade criada com a audiência é sublime e constante ao longo das 2 horas e 35 minutos de filme.

Dirigido e posteriormente editado por Tim Sidwell, com o precioso profissionalismo da mistura de som e imagem de Michael Hunter, a segunda parte deste concerto apresenta a incursão dos Marillion em modo orquestral, com relevo para o coletivo sinfónico In Praise Of Folly, composto de quatro violinos, a trompa francesa executada pelo músico solista Sam Morris e a flauta a cargo da solista Emma Halnan.

Nesta segunda partes foram escolhidas algumas das mais importantes melodias de Marillion, com ‘Afraid of Sunlight’ que data de 1995 ou ‘The Space (1989) e que faz a abertura desta parte, conferindo desde logo e ainda mais a atmosfera celestial e uma ambiência ímpar.

Se poderá haver melhor forma de mostrarmos aos nossos filhos ou netos o porquê da saudade do nosso ouvido aos sons dos 80 ou o porquê de carinhosamente nos continuarmos a render ano após ano, obra após obra, a uma Arte tão individual mas que é língua Universal e a forma do Universo comunicar connosco? Sim, sem dúvida. Mas assistir a este espetáculo e permitir o fluir das emoções não está ao alcance de todos, até porque a memória sensorial se faz de momentos como este, ainda que desencadeados por uma banda como os Marillion, que não tem em catálogo apenas a bela Kayleigh.

Em suma, como diria Pops, personagem de cartoon animado, velho mas não do Restelo: ‘…belo espetáculo…!’.

Pontuação: 9,8/10

Por: Paula Antunes

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