Remexido

Entrevista Remexido

Por: Miguel Ribeiro

-Hintf: Falem-nos um pouco do historial da banda, e sobre o vosso percurso até á formação de Remexido, como tudo começou…

REMEXIDO nasceu de um desejo premente de criar um projecto que se pautasse por uma certa frescura nas composições, fugindo a alguns padrões instituídos na música em Portugal, mas tendo sempre presente um enorme respeito pelo que de muito bom tem sido feito ao longo deste últimos anos. A questão fulcral é que não procuramos seguir estilos nem géneros como mote criativo, mas deixarmo-nos embalar pelos nossos universos, mesmo que para tal naveguemos em contramão, por vezes por águas bastanteagitadas. Temos o orgulho de afirmar que possuímos uma identidade própria, assente na convicção de que há sempre algo de novo para descobrir e inventar, com a consciência de que somos parte de um todo de uma sociedade que se reinventa em fracções de segundo. O nosso trabalho consiste em continuar a acreditar na humanidade e depositar uma esperança inabalável, mesmo quando os indícios são menos positivos.

Enquanto músicos, viemos de áreas bastante distintas, por percursos diferentes. Tal facto tem consolidado a coesão das nossas composições e permitido que tenhamos um repertório que se espraia por variadíssimas vertentes, muitas das quais não conseguimos definirem concreto.

Começámos por nos juntar em torno de algumas ideias que ora surgiam da guitarra portuguesa, ora de melodias que ecoavam já algum tempo, fomos persistindo nelas até quase
à exaustão. Em estúdio tudo se tornou mais claro, por ter sido definido à partida um conceito de produção muito focado no que se pretendia atingir. O facto de termos gravado sem pressas, permitiu que maturássemos as nossas composições e, com alguns espectáculos pelo meio tivemos um feedback essencial para concluir o álbum. É certo que ao vivo tudo se processa em tempo real, no estúdio existe uma construção num tempo totalmente diferente, em que não há lugar para dispersões.

-Hintf: Podem explicar-nos o que significa o vosso nome?Porque o escolheram? 

O nome REMEXIDO, ao contrário do que algumas pessoas que nos têm abordado dizem sobre o assunto, não está relacionado com o fascinante guerrilheiro algarvio que semeou o pânico no século 19, durante a guerra civil portuguesa.O nome REMEXIDO expressainquietude, inconformismo, vontade de estar em permanente (r)evolução. Mexer e misturar o que era dado como terminado. Talvez por isso possamos afirmar que as composições de REMEXIDO estão em contínua transformação, mesmo quando concluídas, não estão necessariamente finalizadas.

-Hintf: Como tem sido a progressão a nível de visão/destaque para o vosso projecto?

Sentimos que estamos a entrar num espaço muito restrito que é o coração do público português. Sabemos que há demasiados tiques no mercado da música e acreditamos que podemos ajudar a quebrar o gelo. A partir do momento em que subimos a um palco, compreendemos que para merecer o interesse das centenas ou milhares de pessoas que pagaram bilhete, é urgente ter uma forte convicção de que o que fazes lhes é útil, tem de ser muito especial. Há um limite muito ténue entre a desilusão e o maravilhoso, em especial quando se é puro e não há grande maquilhagem.

Em Portugal não existe lugar para meios-termos, ou sim ou sopas…Nós preferimos ser e estar,independentemente da gastronomia.

-Hintf: Como vêem o actual panorama musical nacional actual?

Abafado e cinzento por parte dos agentes e editoras, criativo e dinâmico da parte dos artistas.São muitos mais do que a televisão e as rádios divilgam. É urgente repensar a estrutura da indústria musical portuguesa, colocar os dedos nas feridas e os músicos têm de ser os primeiros a agir. Não existem revoluções tranquilas, nem a feijões. A maior parte dos artistas em Portugal vive mal. Os cartazes repetem-se demasiado. Pensem nisto…

-Hintf: Como caracterizam o vosso som?

Há uma certa textura que remete para um tango “rockado”ou um fado vindo de Marte (a brincar). Consideramos que de certa forma a nossa música é popular, com laivos de folk, um pouco Indie, mas que não se assume num único estilo ou género. E assim o é a tal ponto que estamos a ser entrevistados por uma webzine que está aparentemente mais relacionada com o Rock ou o Metal. (risos)

Ao ouvires os 13 temas, ficas com a sensação de que o produtor designou 13 bandas para compor um álbume isso, para nós, é enriquecedor. No entanto, acreditamos que a nossa música tem um foco absolutamente assumido, com uma forte unidade. Juntar uma guitarra portuguesa tuning, um piano e uma bateria, vozes sem trejeitos e dar um toque cosmopolita é um desafio imenso, mas dá um gozo bestial.

-Hintf: Como estão a nivel de concertos?

Este tem sido um ano de adaptação do nosso repertório para palco e temos tido muito boas experiências. Há algumas datas para agendar mas estamos já a planear 2019, contando realizar bastantes espectáculos.

-Hintf: Quem e o que vos inspira ?

Quando apanhamos o cacilheiro e vemos toda aquela malta a ir para os seus afazeres diários, muitas vezes com um ar tristonho mas com uma ponta de esperança no olhar, pensamos que não há nada que nos possa inspirar mais do que a vida, o estarmos aqui. O resto são cantigas.

-Hintf: Como estão a nível de trabalhos editados?

Neste momento encontramo-nos a preparar o segundo álbum. Como é evidente, a prioridade será difundir este primeiro por todos os meios possíveis. A maturidade que conquistámos neste trabalho permite-nos acreditar que o formato dos seguintes será um pouco mais refinado e, talvez centrado noutros motivos. Aprendemos com este álbum que é fundamental respirar a reacção do público ao vivo para se tomar decisões em estúdio. As nossas composições têm de maturar, ser partilhadas, tocadas também por outros músicos. Somos absolutamente pela partilha, pela união de diversas formas de estar, e agrada-nos o facto de alguém num bar no Brasil ou na China tocar uma canção nossa, seja em que idioma for. Neste nosso primeiro álbum, tivemos o privilégio de contar com a participação de alguns convidados muito especiais, nomeadamente a Carmen Simões e os La MiseriaDeluxe, que em muito enriqueceram as canções e que fazem parte desta família, pelo talento, magia e entrega.

– Hintf: Falem-nos um pouco do videoclip que lançaram…

Partiu de um desafio que fizemos ao cineasta Edgar Pêra, que muito admiramos pela sua irreverência e pelas escolhas que tem feito no seu percurso. Trata-se de um tema de nome Tarantina, que é uma historieta de gangsters, cuja personagem principal é uma rapariga bastante feroz. Mais não posso adiantar, a não ser para convidar-vos a ir ver a apresentação em Lisboa, estamos a tratar do espaço para o fazer, culminando numa actuação de REMEXIDO com algumas surpresas.

Foi um dia de gravação, em que juntámos uma equipa fantástica com os meios possíveis e uma tremenda vontade de brincar aos pistoleiros, como quando eramos miúdos. Foi absolutamente hilariante e deu-nos imenso gozo, pelo que contamos repetir a experiência brevemente.

-Hintf: Imaginem,que podiam ser um qualquer animal,que animal seriam?

Burricórnio.

-Hintf: Definam-se numa única palavra…

(em algarvio) Marafados.

-Hintf: Deixem uma mensagem aos nossos leitores e aos vossos fãs…

Gostaríamos de vos convidar a experimentar o que REMEXIDO transmite ao vivo. Para quem ainda não conheça acreditamos que pode ser uma agradável surpresa, para quem já ouviu ou foi a um concerto, fica o desafio de presenciar ao nosso primeiro videoclip numa tela de cinema e uma actuação repleta de novidades.

Fiquem atentos!

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