Mass Disorder

Entrevista: Mass Disorder

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes de mais agradecemos o vosso tempo para com esta entrevista e aproveitamos também por vos congratular pela excelente edição lançada e que nos propicia a justiça destas linhas! Assim, e para os leitores que pouco saibam sobre os MassDisorder, apresentem-se e digam-nos como se deu o início desta formação, desvendem alguns dos ‘mistérios’ que estejam por trás deste vosso ainda curto percurso!

MD: Obrigado nós pelo tempo dispensado ao nosso trabalho. É sempre bom receber feedback, ainda para mais sempre tão positivo como ao que já nos habituaram!

Bem… sem mais demoras… somos a desordem da margem sul. É esta zona que levamos em estandarte onde quer que toquemos e assim o vamos continuar a fazer. MassDisorder nasceu das cinzas de um outro projeto (New BornChaos) e que seguiu apenas com alguns elementos. Hoje em dia somos algo nada a ver com o que antes fazíamos mas as origens estão lá.

Hintf: Quando escolheram o nome para a vossa formação, foi desde logo este o final ou havia outras opções? E que género de desordem massiva pretendem provocar? J

MD: Havia vários nomes em cima da mesa. Na altura lembro-me que estavam à nossa espera para lançar o cartaz de um evento mas não sabiam que nome pôr porque estavam à espera que nos decidíssemos. Sem querer desvalorizar as ideias de nomes que surgiram por parte da minha malt mas lembro-me de um em concreto porque fui eu que o sugeri: Symptoms of Chaos. Como vês o conceito sempre foi o mesmo mas MASS DISORDER pareceu-nos a melhor forma de ilustrá-lo. A desordem massiva não somos nós que a provocamos, descrevemos sim a podridão à nossa volta sempre num registo muito direto e sem papas na língua. A única desordem da qual queremos ser responsáveis é no circlepit e da poeira a levantar. (risos)

Hintf: Desde a edição do vosso EP de estreia que passaram por algumas das mais que naturais alterações ao vosso lineup original, de que forma se integraram os novos elementos e que novas contribuições trouxeram eles para a vossa sonoridade?

MD: Tenho dito isto quando me fazem essa pergunta e a resposta é sempre a mesma: seleção natural. Não porque seja staged, mas porque é mesmo verdade. Num nicho da música como o metal, é perfeitamente normal que a banda não seja a prioridade dos seus elementos que trabalham 8h diárias para pôr pão na mesa. Vão sempre existir saídas e entradas em todas as bandas mas é algo que encaramos com naturalidade.

Desde o inicio de MASS DISORDER estou eu (Bruno) e o Nelson e as chegadas do Valter e do André só vieram enriquecer a nossa sonoridade, assim como abrir novos horizontes ao que já fazíamos.

Hintf: Apesar de serem uma banda ainda bastante jovem, contam no entanto com a devida responsabilidade adquirida pela excelente abordagem e interação que sempre conseguiram ter com o público. Como tem sido a receção do vosso novo disco, “Conflagration”, pelos vossos seguidores e Imprensa em geral?

MD: Para já o feedback tem sido muito bom, ainda que não tenhamos apresentado os novos sons ao vivo. Está para breve por isso getready! Sinceramente tenho a opinião que a interação com o público é positiva onde quer que vamos porque somos muito “whatyouseeiswhatyouget”, não há manias, não há peneiras, há 5 gajos que ficam agradecidos ter malta a abanar a carola ao som do trabalho desenvolvido. Óbvio que só podemos agradecer e tentar retribuir ao máximo todo o carinho que recebemos.

Hintf: Iniciam com este disco várias novas etapas diferentes; a mudança de lineup, uma sonoridade mais maturada e complexamente trabalhada e optam por editar sob a tutela da editora nacional ESW. Quais os principais receios ultrapassados com este novo registo e que esperança depositam em MassDisorder após estes 4 anos trabalho?

MD: O lineup já alterou há algum tempo por isso esse receio se existiu, já não existe. É verdade que ao vivo ainda não estivemos todos juntos mas as horas de ensaio a revirar a setlist dá-nos segurança para subir ao palco tranquilos.

Após 4 anos, e olhando em retrospetiva, sentimos que apresentamos um trabalho mais maduro, mais completo e muito mais diversificado do que o anterior. É óbvio que depositamos esperança na aceitação deste álbum mas é algo que não nos preocupa muito sendo muito sincero. O que nos interessava que acontecesse é que este álbum fosse de encontro ao que queríamos enquanto som. Uma clara exclamação de nextlevel e julgo que conseguimos fazê-lo. O que surgir no futuro, só Belzebu sabe (risos).

Hintf: Falem um pouco mais sobre “Conflagration”, um disco muito humano e que mais uma vez debate as maleitas da sociedade que são causa da nossa ‘desumanidade’. Qual o principal foco da mensagem que nos querem passar?

MD: O ‘Conflagration’ é basicamente a continuação da história do ‘TheWay to OurEnd’. Enquanto antes abordámos questões específicas mas em linhas gerais, no ‘Conflagration’ fomos mais a fundo, detalhando e especificando os pormenores da maldade, dos problemas sociais, da demência, da ganância, etc. Costumo dizer que somos uma banda que aborda os temas que todos ouvimos em horário nobre em canal aberto, mas sem censura. Por exemplo, a ‘Modus Operandi’ fala sobre um serial killer que se julga o escolhido e onde descrevemos o seu método de atuação (modus operandi). É uma abordagem mais concreta de comportamentos gerais que nos definem enquanto seres (des)humanos.

A mensagem é simples: já percorremos o caminho para o nosso fim e começámos a deflagrar o incêndio nas nossas mentes. O caldo está entornado e não há volta a dar enquanto cometermos os mesmos erros com um objetivo comum: o mal do próximo.

Hintf: Têm neste disco, o vosso mais que merecido 1º álbum de longa duração, a afirmação de serem uma das nossas bandas de referência no género metalcore/groove. Há sonoridades mais complexas, uma maior tecnicidade e algum progressivo nas melodias e também a participação especial de alguém que também o produziu e mixou. Como foi trabalhar em áreas tão diferentes com esta personalidade J e como decorreram as gravações desta vez na Margem Norte de Lisboa nos FingerprintStudios?

MD: Foi natural. O César da RaisingLegends Lisboa (ex- FingerprintStudios) sabia o que queríamos e as gravações decorreram dentro da normalidade. Em estúdio aproveitámos para nos debruçar em algumas ideias que foram surgindo. Algumas estão disponíveis para serem ouvidas no álbum, outras acabaram por não dar em nada, mas é assim mesmo. Uma banda em estúdio tem que fazer experiências, faz parte do crescimento.

Quanto ao Dourado da Golden Jack Studios, foi também muito rápido e a distância nunca foi um problema. Enviámos exemplos do que queríamos, ele regravou as linhas em bateria acústica que já estavam gravadas em bateria eletrónica acrescentando os seus pormenores pessoais e a coisa fluiu perfeitamente. Ele é uma pessoa muito acessível e ficámos extremamente satisfeitos com o resultado final. Só lhe podemos agradecer a forma empenhada como se atirou ao trabalho.

Hintf: E como estamos de previsão para futuras atuações de MassDisorder? Como está a vossa agenda de promoção a este novo disco e para quando a internacionalização?

MD: Anunciada e confirmada temos já a data de dia 1 de Setembro na Incrível na nossa zona, Almada, com TheBlackKoi. É sempre bom apresentar o trabalho em casa junto dos nossos e de quem acompanhou de perto o nosso trajeto. Contamos com a malta da Margem Norte obviamente. Estamos à distância de um cacilheiro ou de uma ponte e prometemos martelada com fartura a noite fora.

Quanto às outras datas, contamos ir passear o ‘Conflagration’ de norte a sul. Para já é o que temos falado e praticamente fechado mas sem datas em concreto.

Hintf: Falando em internacionalização, para que banda gostariam de abrir em concerto ou que vos fizesse a mesma honra (sim, porque a abertura de um concerto é sempre honrosa!)?

MD: É sempre bom abrir uma banda internacional porque sabe-se que à partida tem uma adesão em massa, mas sendo muito sincero é sempre uma honra partilhar palco com quem quer que seja. Não é politicamente correto, é mesmo verdade. Talvez fazes um concerto com miúdos que dão o seu primeiro concerto e ficam teus fãs/amigos para a vida. Venha quem vier, estamos cá para fazer banzé!

Óbvio que temos as nossas bandas de eleição mas a que está acima de todas é MASS DISORDER. Seja para tocar no coreto da aldeia ou no Wacken a pujança será a mesma e podem contar com energia a disparar em todas as direções.

Hintf: Esta linha é aberta a que nos deixem uma mensagem ou acrescentem algo que considerem importante e que não vos tenha ainda sido perguntado!

MD: Só quero aproveitar para acrescentar que estaremos presentes e prontos para dar a cara. Vamos levar o ‘Conflagration’ aos quatro cantos da Tugalândia e esperemos que gostem dos bónus tracks e outros elementos que incluímos apenas na versão física. Após ouvirem a versão física penso que ficarão com uma melhorpercepção do que pretendemos passar a nível conceptual. Cada música tem o seu prefácio e conta a sua história.

Por fim agradecer-vos pelo acompanhamento que têm dado ao nosso trabalho e a todos que nos dão força para continuar. Vemo-nos em breve!

 

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