Cronaxia

Entrevista: Cronaxia

Por: Mário Filipe Pires

Hintf: Antes de mais, agradeço a vossa disponibilidade e interesse para este curto diálogo. Embora para a maioria sejam uma banda desconhecida, genuinamente os Cronaxia subsistem há vinte e um (21) anos no underground Nacional. Contem um pouco da vossa história.

Obrigado nós pelo interesse na banda e pela oportunidade para divulgar o nosso trabalho.

Cronaxia foram formados pelo Filipe (guitarra) e pelo Maia (bateria) em 1997 com o intuito de construir algo dentro do Death Metal/Grindcore. Naturalmente, começámos a procurar pessoas que se identificassem com o projecto da banda e que estivessem interessadas em tocar connosco e foi assim que, após várias experiencias, encontramos o Renato (guitarra) em 1999 e começamos a tocar com ele desde então. Mais tarde, entraram o Alfredo Cassis (D´Evil Leech Project) e a Carina Martins (Putregod) para a voz e baixo respectivamente e foi com essa formação que demos o nosso primeiro concerto em 2002. Entretanto, após mais alguns concertos, o último já com o Alex Ribeiro, decidimos gravar alguns temas. Na altura a gravação acabou por não ver a luz do dia e quase dois anos depois o Alfredo sai, deixando o lugar livre para o Sérgio Fontinhas que entra para os vocais em 2006. Em finais de 2007 gravámos o nosso EP de estreia “The Solution Above Continuity”, um disco composto por três temas e uma secção vídeo com um clip e o making of, tendo passado o resto de 2008 e 2009 a promovê-lo ao vivo e dando o nosso último concerto no Verão de 2010. Durante os anos que se seguiram, estivemos focados na composição de material para o nosso álbum de estreia, até que, em 2015, a banda decidiu seguir caminhos diferentes do nosso baterista de sempre, Maia, e partiu para a gravação do primeiro longa duração. Para esse processo, como já sabem, contámos com a participação de dois convidados: o Alex Ribeiro e o Rolando Barros de Grog (entre outras!) para completar o line-up no estúdio.

Hintf: Objectivamente foi preciso mais de duas (2) décadas para lançarem o álbum de estreia “Collapsing The Outer Structure”. Quais foram as principais razões / contrariedades para a morosidade?

Foram várias as razões para este timming, sendo que as principais se prenderam com o excesso de perfecionismo aliado ao facto de sermos lentos a aprender, o facto de termos sempre composto material muito moroso para assimilar e tocar convenientemente, tanto para gravar como ao vivo e também o facto de, nestes anos todos, apenas termos tipo o line-up da banda completo com todos os instrumentos durante somente dois anos.

Outros factores que tiveram grande peso na morosidade deste lançamento foram questões pessoais, de saúde e de trabalho que foram surgindo ao longo de todos estes anos. Tudo somado, temos o resultado: 21 anos!

Hintf: Fundamentados apenas por três (3) elementos, recrutaram mais dois (2) músicos de sessão com créditos firmados no movimento para o registo do vosso álbum. A integração do baterista Rolando Barros (ex-The Firstborn, Neoplasmah, Grog) e o baixista Alex Ribeiro (Grog, Neoplasmah, Earth Electric) foram primeiras escolhas?

Sim, foram primeiras escolhas. Conhecemos o Alex Ribeiro em 2001 e ele chegou a tocar connosco durante algum tempo, tanto em ensaios como ao vivo. Desde aí, fomos acompanhando o seu trabalho ele e acabou por ser uma escolha natural; o Alex é alguém que admiramos tanto a nível pessoal como musical e estamos gratos por ele ter conseguido arranjar o tempo necessário para gravar o baixo, tendo sido incansável e sempre aberto às nossas sugestões. O seu contributo foi fantástico!

Em relação ao Rolando, somos fãs do trabalho dele e também temos acompanhado o seu percurso. Achámos que seria uma mais-valia tê-lo a tocar no nosso álbum e ele gravou a bateria num fim-de-semana, o que foi algo de memorável e inspirador de assistir!

Ficamos bastante satisfeitos com o input que eles deram a “Collapsing the Outer Structure”; foi uma prestação bastante enriquecedora para o conteúdo e impacto final do álbum.

Hintf: Quais as diferenças que encontramos entre o EP de estreia “The Solution Above Continuity” (2008) e o novíssimo álbum?

A primeira grande diferença está na produção: desta vez conseguimos captar melhor aquilo que pretendíamos, sendo que contámos com o Paulo Vieira (ex-The Firstborn, Perpetratör) aos comandos. Trabalhar com ele foi uma experiência muito positiva e tornou-se numa mais-valia essencial para o resultado final; toda a abertura, atitude construtiva e incansável disponibilidade foram uma ajuda preciosa durante o processo de gravação.

A nível musical, o conteúdo do álbum está sem dúvida em linha com o que se pode ouvir no nosso EP de 2008, mas num patamar completamente diferente de maturidade, quer em termos de execução, quer em termos de arranjos, resultado dos ensaios e da experiência ao vivo.

Hintf: Como surgiu agora a Nacional Lusitanian Music no vosso caminho? Terem uma editora filiada á edição do álbum foi algo que tinham predefinido, ou aconteceu tudo espontaneamente?

A opção de ter uma editora para lançar o álbum é algo que tínhamos como objectivo desde que começámos a pensar gravar o primeiro longa duração. O nosso único registo até à data, o EP de 2008 “The Solution Above Continuity”, foi edição de autor e não conseguimos praticamente divulga-lo, assim, nada como trabalhar com quem esteja dentro do meio para ajudar a abrir as portas necessários.

Relativamente à forma como tudo aconteceu: assim que finalizámos o álbum, começámos à procura de editora e foi aí que surgiu a Lusitanian Music. Após um primeiro contacto da nossa parte, eles mostraram interesse em lançar o nosso álbum e reunimos com o João e Luís, tendo-nos identificado bastante com o trabalho deles; para além de estarem a construir um catálogo eclético com boas bandas, estão também a reeditar álbuns clássicos de metal e pensamos que poderá ser uma boa parceria para nós.

Hintf: Os Cronaxia estão perfeitamente identificados com o Death Metal. O que têm para oferecer de novo a este movimento? O que o ouvinte pode esperar deste trabalho musicalmente e liricamente?

Temos consciência que não estamos a introduzir nada de novo: é um álbum de Death Metal intenso com muito blast beat, sem solos de guitarra e que utiliza um tom de afinação já pouco em voga no estilo nos dias que correm.

Liricamente, abordamos temas que não são muito frequentes dentro do género e gostamos de caracterizar o conceito por detrás do álbum como uma visão de um futuro não muito distante; uma espécie de minimalismo regenerador e pós-apocalíptico!

Hintf: Com o lançamento agendado para a primeira semana de Setembro, quando vai ser o batismo ao vivo de “Collapsing The Outer Structure”? Para além da release party, já têm programado outras datas de promoção ao vosso trabalho?

Por várias questões pessoais e de saúde temos estado parados no último ano em termos de ensaios. No entanto, vamos agora recomeçar a ensaiar o álbum com a finalidade de o mostrar ao vivo.

Hintf: Qual a vossa opinião sobre o momento actual do underground Nacional? Sentem alguma evolução sustentada no mercado interno?

Das bandas que temos ouvido, nota-se sem dúvida um crescente nível técnico de composição e de execução com o passar de todos estes anos. Temos mais e melhores bandas, temos bandas que começam a sair lá para fora para mostrar o seu trabalho em grandes festivais e com grande reconhecimento. Tudo isto irá com certeza dar os seus frutos no futuro.

Hintf: Teremos que aguardar mais dez (10) anos pelo próximo registo dos Cronaxia? Já estão a trabalhar em novas músicas?

De momento, o nosso foco está na promoção do álbum e também na preparação da divulgação ao vivo, vamos ver como corre o desenrolar deste processo.

Hintf: Para concluir, uma mensagem para os vossos fiéis e para os leitores da Hintf Webzine…

O nosso agradecimento a todos aqueles que de alguma maneira têm apoiado a banda, seja para deixar alguma mensagem de incentivo, pelo tempo dispensado para ler as nossas entrevistas ou para nos ouvir.

Bem Hajam!

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