Heaven Can Hate

Entrevista: Heaven Can Hate

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá! Antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e para abrir as hostilidades nada melhor que sabermos quem são os Heaven Can Hate e como chegaram a esta formação atual?

Miguel – Basicamente, em Novembro de 2016 o André Vieira (guitarra) e o Nuno Tomé (bateria) que tinham pertencido a Behatred, depois da banda terminar, começaram a sentir necessidade de voltar a tocar. Como tal, o nosso guitarrista André Vieira, chamou o Nuno Tomé para fazer jams e para experimentar material que ele (André) já andava a trabalhar há algum tempo. Depois disso, quando começaram realmente a fazer as primeiras músicas, sentiram a necessidade de chamar mais elementos para a banda, para ajudar a compor e foi nessa fase que eu entrei. Já os conhecia há algum tempo e já tínhamos partilhado palco juntos em bandas anteriores, portanto a química foi instantânea. Entretanto, o Luís que também já conhecíamos há algum tempo,foi chamado para as vozes, pois já tínhamos conhecimento dos seus dotes vocais. Experimentámos e como gostámos do que ouvimos e achámos que se enquadrava bem no que tínhamos idealizado para o projeto, ele acabou por entrar na banda. A necessidade de ter um segundo guitarrista fez com que chamássemos o Pedro que tinha tocado comigo na minha anterior banda, portanto um velho conhecido. Neste caso, invertemos os papeis, visto que na anterior banda eu era guitarrista e ele baixista e agora em Heaven Can Hate eu sou baixista e ele guitarrista. Começámos a compor e a fazer este primeiro trabalho “Canvas”. Com o passar do tempo, houve um grande amigo nosso que tinha estado a viver na Alemanha durante 2 anos e decidiu voltar para Portugal. Decidimos chamá-lo para as leads das guitarras, pois estávamos com alguma falta de imaginação para essa fase de composição. Visto que ele tinha voltado e com um grande desejo de fazer musica, tal como todos nós, juntou-se o útil ao agradável que resultouneste trabalho, o nosso primeiro EP “Canvas”.

André – Heaven Can Hate nasceu em Novembro de 2016 com o intuito de fazer uma coisa diferente do que estávamos habituados a fazer, pois estávamos habituados a tocar um estilo um bocado mais pesado e decidimos então fazer algo mais audível para todo o publico. Eventualmente, surgiu a necessidade de formar uma banda completa e assim decidimos chamar outros membros fazendo assim os Heaven Can Hate. A necessidade de ter 3 guitarristas, a meu ver foi mais por umas questão de amizade

Os Heaven Can Hate são um grupo de seis pessoas/miúdos de Quarteira, com um gosto por música, tocar e compor e surgiu a possibilidade de fazermos uma banda todos juntos com pessoas totalmente diferentes, que vêm de estilos diferentes, tendo assim conseguido definir um bocado o estilo próprio de Heaven Can Hate.

Hintf: Os Heaven Can Hate são uma formação ainda muito jovem e conseguiram num curto espaço de tempo produzir e oferecer-nos um excelente disco de estreia. A que se deve esta celeridade criativa?

André –Primeiramente, obrigado pelas palavras ao nosso EP. Esta celeridade criativa vem um bocado por parte de todos, apesar de termos um compositor principal,há sempre o objetivo que todos gostem e contribuam, tirando um bocado de cada um, desde o punk ao metal/hardcore. Basicamente, tínhamos a necessidade de nos expressar através de um estilo musical diferente e não ser uma sonoridade especifica. Decidimos, então, criar algo com o cunho pessoal de cada um e ter um bocado de identidade no que diz respeito à sonoridade da banda.

Hintf: Quais são as vossas principais influências e fontes de inspiração musicais, de que forma conseguem reunir sob a designação HCH estas vossas influências e fazê-las soar fluídas e coesas?

André –As nossas influências vão desde o hardcore até ao punk passando também pelo black metal, pop, death metal, ou seja, um bocado de tudo o que diz respeito à musica pesada. A nossa principal influência (do nosso principal compositor) são os Alexisonfire que é uma das primeiras bandas de posthardcore. Também temos influências do punk e do hardcore que nos ajudaram a chegar à sonoridade de Heaven Can Hate.

Hintf: De que melhor forma descrevem a vossa sonoridade? O que é isto do post-hardcore (para leigos como esta que vos escreve… J )?

André -O post hardcore é um estilo que começou no final do anos 90 com Poisonthewell. É um estilo de música que começou pela necessidade de, não só ter uma parte pesada,mas também ter uma parte melódica. Nós definimos o nosso estilo de forma a ser audível por toda a gente, pois trabalhamos, bastante, com basenas duas vertentes.

Miguel – As pessoas ficam mais recetíveis a ouvir temos partes mais melódicas e refrões “catchy” que ajudam a música a entrar mais facilmente no ouvido do público.

André –Por isso, acabamos por usar também a linha pop que também não é muito usual, principalmente a nível nacional para fazer sonoridades mais pesadas.

Hintf: Optam por ter um nome internacional e também cantar em inglês, alguma razão mais particular para estas escolhas ou foi algo natural quando se juntaram para formar os Heaven Can Hate?

André – O objetivo de cantarmos em inglês rege-se pelo facto de querermos ser entendidos por todo o mundo. Não foi por um motivo especifico. O facto de cantarmos em Inglês abre-nos mais portas a nível internacional e europeu para futuros eventos que possam acontecer,pois se cantarmos numa língua (português) ficamos limitados a essa mesma língua e a esse mesmo público.

Hintf: Falem-nos agora um pouco do EP, “Canvas”. A sua ideia concetual, o principal foco das letras que segundo a vossa pequena biografia é uma abordagem artística a temáticas sempre pertinentes…

André – O nome Canvas teve origem pelo sentido de ser o início de algo, ou seja, é um pouco a analogia como se esta banda fosse uma tela e estarmos a construir o nosso caminho, a desenhar a nossa própria história, a exprimir os nossos sentimentos, perspetivas, opiniões e frustrações, tudo isto com o objetivo de criar arte para os ouvidos das pessoas e delinear o nosso próprio futuro que vai de encontro um bocado às letras do álbum. Muitas das vezes uma tela pode significar o inicio de algo mas também pode significar o fim. A temática principal do EP é de expressar aquilo que nos apoquenta ou nos deixa frustrados ou mais em baixo e a necessidade também de nós conseguirmos de alguma forma “deitar isso cá para fora” de forma a que as pessoas se identifiquem com aquilo que nós passamos e as nossas vivências. Muitas das letras não são literais, mas temos duas que o acabam por ser. A “Social Artifact”, por exemplo, acaba por ser a nossa opinião face à sociedade de hoje em dia. A “Farewell for thebrokenhearted” é um storytelling e um pedido de desculpas a uma pessoa que nos foi querida.

Hintf: “Canvas” tem também um aspeto visual muito apelativo, quem foi o responsável pela criação da imagem de capa e sabemos também que têm um vídeo para o tema ‘Endless Path’; falem-nos também um pouco sobre o vosso vídeo, como se processou a captação e gravação do mesmo?

André –O nosso vocalista era para ter feito a capa, mas é preguiçoso (risos).

Miguel – A capa tem uma história interessante. Inicialmente, era o nosso vocalista que era para fazer a capa, pois já tínhamos uma ideia para a mesma, mas por falta de tempo não a conseguiu fazer. Tivemos, então, de àúltima hora procurar alguém que a fizesse, pois já tínhamos uma data pré-definida para o lançamento do EP. Explicámos a um artworker que já tinha trabalhado com capas de artistas internacionais, a nossa ideia para capa de EP e como gostámos de trabalhos anteriores do mesmo, optámos por trabalhar com ele.A nossa ideia consistia em algo que refletisse a nossa cidade, Quarteira, dai também uma alusão a rochas, pois Quarteira é uma terra rodeada de mar. Por outro lado, queríamos um efeito nublado para a capa que refletisse em parte as telas (das nossas preocupações, pensamentos, desabafos) e esse nublado na capa é um expressar de toda a indefinição em que consiste a vida e os nossos desejos, pois Heaven Can Hate, tanto em fase de composição, como em fase de projeção da banda, estão sempre em busca de algo melhor e nunca estamos 100% satisfeitos com o resultado final do que fazemos. A indefinição de algo é um tema que também está presente no videoclip e na música “EndlessPath” que acabou por ser o nosso single, pois reflecte um dos temas centrais do EP: a indefinição de algo.

André – Em relação às pessoas que trataram do clip, são duas pessoas que nos têm ajudado bastante e que acreditam na nossa música e no nosso projeto.

São eles Luís Mendes e Hugo Poeira que também são artistas (pertenceram a BirthSigns) e que para além de serem grandes fotógrafos e excelentes filmmakers, ajudaram-nos bastante na parte conceptual do clip.

A parte de termos uma pessoa (Alexandra Filipa) que fez o papel de algo que é indefinido, de algo que foi perdido, que não está presente (somente no nosso subconsciente) remete um bocado para o tema do EP. Escolhemos a música “EndlessPath”, pois foi a música que nos tocou mais a todos e a primeira música que fizemos todos em conjunto do início ao fim, a primeira música que houve, efetivamente, ideias de todos presente na mesma. É uma música que define muito bem a banda, pois estamos num caminho em que não sabemos o que vai acontecer.

A gravação do clip foi feita na ARCM (Associação de Músicos de Faro). A gravação foi complicada, pois estávamos em cima de um poço (risos), mas é uma experiência a repetir.

Hintf: Quais são os planos e objetivos principais para o futuro imediato dos HCH? Onde e quando vos poderemos ver e ouvir num palco perto de nós?

André – Os nossos objetivos principais é ensaiar muito e conseguirmos começar a dar concertos. Vamos lançar mais coisas (videoclips) e se tudo correr bem, em 2019 iremos lançar um álbum. Temos,porém algumas surpresas por revelar, basta para isso estarem atentos ao nosso Facebook e Instagram.

Se nos quiserem ouvir podem faze-lo através do Youtube, Spotify, Apple Music, Itunes ou Google Play, entre outros.

Hintf: Por fim, aproveitem este espaço para nos deixarem uma mensagem aos nossos leitores e vossos seguidores e também nos indicarem os melhores links para acompanharmos o vosso trabalho!

André – A mensagem que queríamos deixar era de, primeiramente agradecer às pessoas que nos tem apoiado nesta fase e também de os convidar a ver o nosso videoclip e o nosso trabalho que já se encontra disponível em diversas plataformas de streaming online.

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