Emerging Chaos

Entrevista: Emerging Chaos

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá e antes de mais agradecemos o vosso tempo para com esta entrevista! Comecemos por saber quem são os Emerging Chaos, de que forma se conheceram e o que vos levou a formarem este projeto?

Pedro – Eu e o Jorge já nos conhecemos desde o século passado das loucas noites do Barreiro desse tempo. Quase por brincadeira começámos a ensaiar juntos em 2007 e em 2009 o Lucas juntou-se a nós e surgiu o projeto “Emerging Chaos”. A banda esteve o seu historial de entradas e saídas até que no final de 2014 entrou o Jim para a voz e podemos dizer que foi nesse momento que a formação se solidificou.

Hintf: Contam na vossa atual formação com elementos de origens diversas, de que forma fundem musicalmente estas influências das raízes de cada um e dos gostos musicais pessoais?

Pedro – Na banda existem três nacionalidades e culturas bem diversas, mas essa diversidade ajuda-nos muitas vezes em situação de maior bloqueio musical porque as diferentes formas de sentir/viver a música ajudam-nos a ter sempre ideias de como desbloquear essas situações. Não existe fórmula para a fusão das várias influencias musicais que temos, tudo acontece naturalmente ao longo dos ensaios e sermos pessoas abertas a diferentes sonoridades ajuda todo o processo de criação.

Jim – Eu venho de Ostrobothnia na Finlândia, que é uma área costeira na Finlândia Ocidental. Esta área tem uma vasta população de diferentes tipos de fanáticos religiosos e eu frequentei para a mesma escola que os filhos dessas pessoas. Isso vai sempre ter um efeito eterno em mim e ainda me posso inspirar com isso e com aqueles momentos. Por exemplo, há uma música no nosso álbum chamada “The Recruiter” que foi especialmente influenciada pelas minhas experiências quando era criança, a crescer numa comunidade religiosa.

Hintf: Quais são as principais influências e fontes de inspiração para os Emerging Chaos? O que vos faz ‘saltar’ e compor belas melodias rasgadas e intensas?

Pedro – O ponto comum a todos os elementos da banda foi sempre a necessidade de fazer música potente e agressiva mas sempre com groove e com significado, tentando provocar alguma agitação no marasmo que esta sociedade se encontra. Vivermos nesta realidade atual serve-nos de inspiração continua.

Jim – O nosso compositor principal é o nosso guitarrista Tainan Lucas, que geralmente cria um projeto para uma música através de conexões neurais mágicas e depois vamos a partir daí. Quando é a minha vez, a música tem uma estrutura e eu ouço-a algumas vezes e tento traduzir a sensação que tenho da música em palavras. Com as palavras, eu então procuro encontrar uma melodia vocal que seja dinâmica e dê valor à música. Nesta fase ainda não há certezas de onde as melodias vocais irão ocorrer na música, então decidimos essas partes mutuamente.

Hintf: Após um bem-sucedido EP de estreia, o “The Decay of Mankind”, e alguns concertos por este Portugal fora, é agora a vez de nos presentearem com a edição de autor do vosso 1º álbum de longa duração, “The Roots of Lunacy”. Que principais diferenças marcam estes dois registos?

Jim- Eu diria que “The Roots of Lunacy” vai para lugares mais escuros, mas ainda tem um sentimento maduro de Rock’N’Roll. Nós estamos mais abertos e criativos com a composição da música e podem ouvir que estamos a procurar lugares que não são o thrash metal convencional. Um bom exemplo do que estou a descrever é “The Remains”, eu gosto como a música respira e a força obscura que transmite, mas não consigo categorizá-la num género específico. Então, em oposição a essa dinâmica “mumbo jumbo”, você tem a “Naked”, que é como um violento soco em cheio na cara. “The Roots of Lunacy” define mais profundamente o que é Emerging Chaos e nos expressamos melhor do que nunca. Outra diferença importante é, obviamente, também a qualidade do som, isso foi gravado e masterizado de uma forma profissional com excelente som, infelizmente, isso não pode ser dito sobre “The Decay of Mankind”.

Pedro – Sim, decidimos trabalhar com o Fernando Matias nos “The Pentagon Audio Manufacturers” pois já conhecíamos alguns trabalhos dele e sabíamos que era a pessoa ideal para captar a alma deste trabalho. O Fernando gostou das demos que lhe levámos e utilizou as suas artes mágicas mais potentes em todo o processo de gravação e produção. Estamos bastante satisfeitos com o resultado final.

Hintf: De que forma acham que a vossa crescente experiência de palco contribuiu para o evoluir da vossa sonoridade?

Jim – Não muito porque essa parte é mais trabalhada e desenvolvida no local de ensaio. Os processos de criação, gravação e execução são muito diferentes uns dos outros ainda correlacionados, mas acho que eles não ditam em que direção levamos a nossa música.

Pedro – Sim concordo, não trazemos grandes influências do palco para o processo criativo. O palco serve para apresentarmos o resultado do processo de criação musical e para nos divertirmos com os nossos apoiantes e amigos e também com todos que lá queiram aparecer. 

Hintf: Falem-nos um pouco mais sobre este disco, a sua ideia concetual, quem é o capitão da loucura deste disco e porque acham que a verdade não precisa de ser amplificada?

Jim – A boa música deve ser como uma conversa fluída, espontânea e com reviravoltas que não se pode prever. Nós temos maneiras de criar músicas que são bastante mágicas e como artistas; eu sinto que o ambiente de criação é muito bom em Emerging Chaos. Experimentamos novas ideias e descartamos as que não funcionam sem chorar muito. The Captain of Lunacy é uma personagem fictícia que é isolada ou talvez até rejeitada pela sociedade. É um assunto interessante porque todos nós pertencemos à sociedade, mas quando alguém está fora do que é tolerável, ou não se encaixa em nenhuma categoria ou não cumpre um propósito, essa pessoa não é mais necessária para a sociedade. É mais fácil chamar alguém de lunático do que enfrentar esse desafio real, que é o de que nossa sociedade não é feita para todos os tipos de pessoas. Eu realmente acho que as correntes de uma sociedade disfuncional leva as pessoas à loucura. A verdade não precisa de amplificação porque a verdade tem uma tendência natural de se mostrar, é geralmente uma questão de tempo. Acho que todos devem ser sinceros uns com os outros num nível individual; essa música é mais dedicada a instituições e organizações que praticam o pensamento em massa, mas não o criticismo.

Hintf: Como estão de promoção para este “The Roots of Lunacy”? Que planos nos podem já revelar?

Jim – Somos nós que estamos a fazer a promoção, e tem sido um processo lento, mas também têm liberdade absoluta. Não há planos secretos, fazemos as coisas de maneira tradicional, mas atualizadas para a era digital.

Hintf: E como está até aqui a ser recebido este álbum por parte dos vossos seguidores?

Pedro – Temos recebido críticas muito positivas, tanto por parte dos nossos seguidores como de pessoas ligadas a outros quadrantes musicais e isso enche-nos a alma.

Jim – Organizamos um concerto de apresentação do álbum em Abril, o local estava lotado e o público reagiu ao álbum de uma forma muito animada e participativa.

Hintf: E agora algo diferente… O que andam a ouvir? Quais as vossas escolhas se vos dessem apenas 15 minutos de airplay numa qualquer estação radiofónica o que escolheriam?

Jim – Ultimamente tenho estado a ouvir Joni Mitchell, Tom Waits e Black Metal finlandês. Mas com apenas 15 minutos, eu escolheria um álbum com músicas mais curtas para chegar mais ou menos a meio do álbum. Minha escolha seria Ramones – Rocket to Russia (1977) para os 15 minutos.

Pedro – Oiço de tudo um pouco, mas ultimamente ando a ouvir Seasick Steve, The Devil Makes 3 e também muito metal dos 80s/90s. Em 15 minutos de airplay seria um pouco de Ministry e NIN.

Hintf: Se Emerging Chaos enquanto banda se pudesse transformar num animal, qual seria? E porquê?

Jim – Um Híbrido de alpaca-cisne-golfinho-elefante. Uma alpaca porque às vezes também sentimos vontade de cuspir em humanos, somos profundos e emocionais como cisnes, momentaneamente infantis como golfinhos, mas ainda sábios e nostálgicos como os elefantes.

Pedro – Como na banda existe três nacionalidades e culturas bem diversas acho que se fossemos um animal seriamos um ornitorrinco pois esse animal é uma mistura louca de várias classes de animais… e o ornitorrinco tem dos venenos mais dolorosos do mundo!

Hintf: Esta é uma linha aberta para vocês, acrescentem o que acharem bem e deixem-nos também os links oficiais para seguirmos o vosso trabalho!

Obrigado pela entrevista e desejamos tudo de bom à Hintf. Convido a todos a visitarem-nos em https://www.facebook.com/emergingchaosband/ e se quiserem deixem-nos lá uma mensagem. Estamos também no Spotify e nas principais plataformas de música digital.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*