Fantasy Opus

Entrevista: Fantasy Opus

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá! Antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e para abrir as hostilidades nada melhor que sabermos quem são os Fantasy Opus, e como chegaram a esta formação atual?

Olá, obrigado pela entrevista, somos uma banda de Lisboa suja sonoridade se encaixa mais no espectro prog power metal. A nível de formação, este foi um dos pontos que sempre impediu a banda de evoluir mais depressa. Depois do lançamento e promoção do Beyond Eternity, vários membros da banda saíram, por motivos diferentes e essas saídas foram também espaçadas no tempo. Desse line up apenas o Marcos Carvalho (Guitarra) e o Nilson Santágueda (Baixo) subsistem. Na zona de Lisboa e arredores, arranjar membros capazes tecnicamente e que também sejam fãs do estilo revelou-se uma tarefa nada fácil por isso também o hiato entre o Beyond Eternity e o The Last Dream. Quanto aos “novos” membros, o Ricardo Allonzo entrou na banda pouco depois do nosso anterior baterista ter saído, através de um amigo mútuo. O Ruben Reis é um ex-aluno de guitarra do Marcos Carvalho, que além da vertente humana, tinha um gosto musical que coincidia com o som da banda. O Leonel Silva é um conhecido antigo da banda, conhecíamos o Leonel do trabalho como vocalista dos MindFeeder, e havia respeito e admiração mútuos entre MindFeeder e Fantasy Opus. Quando começámos a trabalhar com ele, revelou também uma vertente humana muito forte e vontade de levar a coisa para a frente.

Hintf: Cumprem este ano a bela soma de 19 anos de carreira, tendo lançado no dia 18 de Maio o vosso 2º álbum “The Last Dream”. Este disco, é o manifesto de Fantasy Opus que nos mostra estarem vivos e de saúde musical exemplar, ou uma ‘pequena’ amostra do que ainda está por vir na vossa carreira?

Bem, pensamos que o “The Last Dream” corresponde aquilo que Fantasy Opus é atualmente. Todas as bandas evoluem e modificam-se ao longo do tempo, seja porque há membros diferentes que infundem novas influências no colectivo, ou simplesmente porque as pessoas vão mudando com a idade e isso traduz-se inevitavelmente no resultado criativo. O plano agora é avançar imediatamente com a concepção do próximo trabalho em paralelo com a promoção do “The Last Dream”. Demorar mais 8 ou 9 anos até ao próximo trabalho é algo que não pretendemos repetir, até porque a ideia que está a ser trabalhada aponta para a continuação do épico de 6 faixas que dá o nome ao “The Last Dream”. Como sabes, este épico termina com o personagem a ter noção de que aquilo era o seu último sonho, e que faleceu durante o sono, mas sucintamente, será aquilo que está do outro lado, mais uma vez retratado de uma forma romântica, surrealista mas talvez menos metafórica do que no “The Last Dream”.

Hintf: É sabido que o tempo de hiato entre lançamentos ou atuações não significa paragem total na criação e/ou desenvolvimento de projetos; assim como têm visto o crescente evoluir e surgir de algumas novas bandas a nível nacional no mesmo género que vós?

Sim, se pensarmos de 2001 para cá, as diferenças são enormes. Haviam bastantes bandas no underground, e continuam a haver, mas a qualidade técnica dos músicos, a qualidade das produções, a quantidade de público, a qualidade das salas e infraestruturas que se vê hoje nos concertos de bandas de vários tipos de metal no underground evoluíram bastante, mesmo até o numero de concertos e festivais underground é muito maior, o que faz com que as bandas tenham mais oportunidades de promover o seu trabalho, vender merch e consequentemente financiar o próximo trabalho. O resultado é que hoje temos uma cena muito mais vibrante e entusiasmante. Continuam contudo, a existir poucas bandas no espectro power/prog em Portugal, pelo menos nós não conhecemos nenhuma. Existem bandas no espectro power como MindFeeder ou Waterland, existem bandas mais na onda prog, talvez as mais reconhecidas serão os agora extintos Artworx e os mais recentes Monolith Moon, e claro muitas bandas em todos os subgéneros do metal, mas que fundam os dois estilos prog/power da forma como nós nos propomos, desconhecemos.

Hintf: Sobre “The Last Dream”, contem-nos qual é este vosso último sonho, em que se inspiraram para o escrever; que maiores dificuldades encontraram e ultrapassaram desde a sua conceção até finalmente o terem lançado?

Bem, existiram várias dificuldades durante a produção, muitas delas derivavam das nossas vidas pessoais, outras de más escolhas que fizemos enquanto banda, daí também o facto de o álbum ter demorado tanto tempo a estar pronto. Outro factor que acabou por ter impacto no tempo de gravação foi uma frase do Leonel Silva, que nos lembrou que só temos uma oportunidade para criar um álbum, a partir daí é eterno. E isso acabou por ditar que não tivéssemos escolhido fazer “daquela forma”, porque “daquela forma” ficava mais barato ou ficava despachado mais depressa. Não foi essa a abordagem; Trabalhámos na concepção e produção do álbum até este ser tão bom quão pudesse ser, portanto não houve “cutting corners” em absolutamente nada, o que nos deixa orgulhosos por ter escolhido esse caminho mas também muito satisfeitos com o resultado final. Esse caminho, contudo, implicou muita coisa, desde haver disponibilidade financeira, até termos disponibilidade das nossas vidas pessoais e esperarmos uns pelos outros, até trabalharmos com músicos estrangeiros para garantir que o resultado final era o mais rico possível. A título de exemplo, a gravação de coros foi feita principalmente aos fins-de-semana (e não todos), e são coros live, não são Plug ins. Havia uma enorme falta de know how sobre como gravar coros e faze-los soar grandes, até isso teve que ser um pouco na onda da “tentativa e erro”, pelo que só a gravação de coros demorou 1 ano.

Hintf: É este vosso disco editado pela internacional Pure Steel Records, editora que inclui também em catálogo os vossos pares, Attick Demons. Como surgiu a colaboração com esta editora e porquê esta em particular? Houve outras propostas na mesa?

Sim, quando o álbum ficou pronto e começámos a sondar editoras, houve ali um período de silêncio total que durou algumas semanas e até causou alguma frustração interna. Depois surgiram três propostas no espaço de duas semanas e escolhemos a Pure Steel principalmente porque era a melhor proposta, mas também porque tínhamos recebido boas referências de algumas pessoas ligadas ao mundo da música, sobre a capacidade da editora em potenciar a banda e ajuda-la a desenvolver-se.

Hintf: Coincidiu a data de lançamento do disco ser também a do vosso aguardado regresso aos palcos, e sabendo a atual sempre preenchida agenda das salas disponíveis, foi esta conjugação de eventos o assinalar de uma nova era para os Fantasy Opus?

A data de lançamento do disco é dia 8 de Junho. O concerto de apresentação no dia 18 de Maio, coincidiu com o período em que era possível fazer pré-encomendas do álbum, por sorte foi uma data possível numa óptima sala no centro de Lisboa, o que não é muito de fácil de conseguir. Nesse ponto queremos agradecer ao Carlos Freitas da Notre Dame Productions que coordenou tudo connosco e tornou o evento possível. Não somos muito adeptos desses conceitos imediatistas como “Nova Era”, “agora é que é”. O caminho faz-se caminhando e é isso que estamos a fazer. Estamos a tentar marcar algumas datas internacionais, canalizar as nossas energias e foco no que podemos efectivamente trabalhar e controlar. Temos também recebido feedback extremamente positivo do álbum desde o Brasil, Austrália (incrivelmente), Reino Unido, o que é muito bom. Vamos fazer um forcing para garantir que temos presença no mercado japonês e sul-americano, pois são dois mercados fundamentais. Contamos também ter alguns Lyric vídeos dentro em breve no nosso canal do Youtube. Todos esses pequenos passos vão somando ao longo do tempo e pensamos que podemos continuar a desenvolver a banda nos próximos anos, do qual também fazem parte os planos para o terceiro álbum, que mencionámos anteriormente.

Hintf: Quem já vos viu atuar sabe que se sentem muito confortáveis em cima do palco. Como estão de agenda para a promoção deste novo disco? Há previsões para pisarem outros palcos que não só os nossos portugueses? Onde e quando teremos Fantasy Opus de novo a atuar?

Para já, o único concerto marcado é em Agosto no Festival Milagre Metaleiro em Pindelo dos Milagres que se estende dias 24 e 25, mas estamos a trabalhar para marcar mais datas, nomeadamente no Porto e fora de Portugal.

Hintf: Planos e objetivos para o futuro próximo dos Fantasy Opus?

Para já, só continuar a promover o álbum, seja com concertos, social media, entrevistas, estabelecer pontes em vários pontos do mundo, e em paralelo trabalhar no próximo trabalho!

Hintf: Por fim e não menos importante, deixem uma mensagem de inspiração aos nossos leitores e vossos seguidores!

Muito obrigado por todo o apoio e entusiasmo com que têm vivido este lançamento. Se vos pode servir de inspiração, que tentem sempre ser a melhor versão de vocês próprios, mesmo quando as circunstâncias são adversas. Não se contentem com o medíocre!

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