Report Escrito METAL KEEPER FEST II

Report  Escrito METAL KEEPER FEST II @ Another Place, Almada 19.Maio.2018

Tank (UK) // Killer (BE) // Attick Demons (PT) // Alkateya (PT) // Witchtower (SP) // Wanderer (PT)

By: Paula Antunes  (Hintf Webzine)

Thanks to : Metal Keeper Fest //  Bruno Rockn Raw

Teve lugar no passado dia 19 de Maio um dos eventos mais aguardados para as hostes metaleiras da nossa cena do Heavy Metal nacional; a 2ª edição do Metal Keeper Fest.

Projeto nascido da junção de vontades de 2 amigos de longa data e após uma bem-sucedida estreia deste evento em 2017, a Galena Produções e os Rock’n Raw Estúdios voltam a reunir forças, mantendo a fasquia da qualidade de bandas escolhidas bem elevada, trazendo para esta 2ª edição um cartaz de luxo, com integrantes de outras nacionalidades. Volta a acontecer no renovado espaço e agora ainda mais condigna e promissora sala de espetáculos, sita em Almada, o Another Place.

É pertinente antes de mais referir a excelente evolução que esta sala teve nos últimos meses, com um melhor arrumo e aproveitamento do espaço, tendo sido criado um mais cómodo e acessível backstage para as bandas e técnicos, bem como a boa área de circulação que existe, permitindo a bancas e público desfrutarem entre si do espetáculo e oportunidades de negócio sem barreiras e com uma maior apetência para o convívio entre todos em geral.

De referir também que nesta 2ª edição além do apelo visual às bancas participantes (Bunker Store, The DeadStore, Black Moon Crafts), contámos com uma pequena mostra do trabalho magnífico que a já renomada artista Joana Cardoso (Joana Cardoso Photography) tem vindo a desenvolver, captando com a sua lente alguns dos melhores momentos de alguns concertos de bandas nacionais e internacionais.

Com abertura de portas marcada para as 16 horas desta que se sentiu muito quente tarde de sábado, de facto cada vez mais organizadores e público primam pela pontualidade e era bastante considerável a afluência de metaleiros trajados a rigor para esta festa do metal, exibindo com orgulho a sua coleção de patches de bandas de eleição, primorosamente cosidos em vestes de ganga, aliando-se de forma muito subtil o apoio à cena metal nacional com as tshirts escolhidas para esta ocasião.

O espetáculo começa impreterivelmente um minuto após a hora marcada (16h46m!) com a honrosa abertura do quarteto portuense atualmente afeto à editora Hellprod Records, e numa mostra vigorosa e destemida de porque são uma das bandas nacionais em franca ascensão no espectro do seu Heavy/Speed Metal.  Já com alguma rodagem de palco bem evidenciada e proporcionando uma das melhores atuações deste evento, os Wanderer apostaram num alinhamento de temas fluido e dinâmico com destaque para o avanço de 2 temas ainda não editados, entre eles o orelhudo e esfusiante ‘Dark Age’, um tema muito rápido com gritantes solos e o refrão ‘…Dark Age Is Coming…’ a colar-se na nossa mente até ao final da noite… Encerram a sua atuação com o tema-título do seu recente EP “Way of the Blade” e a certeza de que termos Wanderer em palco será sempre uma boa aposta.

Com tempo apenas para a toma de algum ar fresco, umas bafarolas e o refrescar de secas goelas, os andaluzes Witchtower apresentam-se em palco para nos presentear com um inesquecível momento de Heavy Metal da velha escola. Atuação pontuada pela total entrega de banda e público, provocam as primeiras investidas ao mosh, apesar da maior atenção que se dava à forma de execução dos seus prolongados e intensos solos de guitarra, da dinâmica troca de posições em palco do guitarrista e do baixista, enquanto cabelos esvoaçam ao som de ‘Better Run’, tema extraído do álbum “Hammer of the Witches” de 2016, ou do incluso no recentemente editado split com os dinamarqueses Blackslash, a virtuosa versão para o tema original ‘The Beast’, da extinta banda dinamarquesa Randy. Da atuação dos nossos ‘vizinhos’ há ainda que salientar o espirito de camaradagem tido dentro e fora de palco, o que ainda mais abrilhantou a sua prestação, que foi louvável.

Com o Sol ainda bem alto, aguarda-se numa célere e eficaz transição de bandas, a apresentação do mítico quinteto lisboeta, Alkateya. Apesar de alguns interregnos na sua longa carreira iniciada em 1986, os Alkateya são uma das figuras de proa do nosso movimento Heavy Metal, mantendo-se à tona das cíclicas marés e aprimorando a sua habilidade enquanto músicos e capturando a jovialidade dos modernos tempos, sem por isso deixarem de ser iguais a si próprios. Isto corroborou-se numa atuação enérgica, com um set escolhido que percorreu os temas mais emblemáticos da sua carreira; ‘Demon Raider (1990) ‘, ‘Insanity (2006) ‘, repescando ‘Hell on Water (2011) ‘ dos Gárgula – formação que nasce em 2007 num dos hiatos de carreira dos Alkateya, aproveitando ainda para nos mostrar o que andam a criar, com o novíssimo e por editar, ‘Midnight Riders’, uma pequena mostra da capacidade de reinvenção artística de Alkateya. Juntos e em uníssono a convite de João Pinto que chama a palco o companheiro de armas metaleiras Artur Almeida (Attick Demons), soltamos o grito, para a canção que deu o mote e o título do registo beneficente em prol da União Zoófila, disponível em formato digital na plataforma de bandcamp da editora Non Nobis Productions e com as receitas a reverter na sua totalidade a favor desta associação. ‘Souls on Fire / Solta O Grito’ enfatiza plenamente o espirito deste evento, as almas estiveram ao rubro e os gritos soltaram-se e o velhinho ‘Rock on, Roll out (1986) ‘ anuncia o fim da atuação de Alkateya, dos quais obtivemos o primeiro encore da noite.

Os Attick Demons, banda que se seguiu neste alinhamento do Metal Keepers Fest II, são além de oriundos de Almada (portanto a atuar em casa), um dos coletivos nacionais com maior longevidade (desde 1996) e que mantém uma firme e diversificada legião de seguidores. Escolhem para abertura de set ‘Circle of Light’, tema que abre também o seu último álbum “Let’s Raise Hell”, assinado pela internacional Pure Steel Records, seguindo-se os hits ‘City of Golden Gates’ e ‘The Flame of Eternal Knowledge’, ambos retirados do disco “Atlantis”, de 2012. Numa atuação eficaz, precisa e sempre sorridente, os Attick Demons são das bandas que mais gozo dá ver e ouvir, talvez pela sonoridade tão tipicamente idolatrada dos Iron Maiden ou simplesmente porque são uma força de palco que prima pela execução de floreados riffs de guitarra ou épicos temas interpretados por uma segura e abrangente vocalização de Artur ‘AD’ Almeida, que incita os Metal Keepers presentes a entregar as suas almas ao Rock’n’Roll… Com ‘Ghost’ surgem os primeiros crowdsurfing da noite e numa pequena teatralização o líder dos Demons encarna a personna de ‘Ghost’, envolto numa capa negra e condizente máscara. ‘Back In Time’ e ‘Atlantis’ fecham uma atuação descontraída e inflamante do que ainda estaria por vir.

Pela primeira vez em Portugal, é a vez de presenciarmos uma das bandas de referência do movimento NWOBHM, motivados e inspirados por sucessos de lendas como Saxon ou Motorhead, os belgas Killer, formam o ‘power trio’ que desde 1980 produzem hits como ‘Kleptomania’ ou ‘Shock Waves’ que fomos presentes a ouvir, entre um articulado e comunicante Shorty que nos fez embarcar numa pequena viagem no tempo com a história das suas criações. Primando pela técnica na execução quer da guitarra quer do baixo, referindo também a da bateria, Shorty e os seus Killer conferiram o glamour do Heavy/Hard Rock do milénio passado, trespassando com a sua sonoridade as paredes geracionais, assumindo-se assim intemporais e ainda capazes da criação de novas e arrojadas melodias, como a ‘Monsters  of Rock’, tema-título do último álbum de 2015. Deste ainda se ouve ‘Back to the Roots’, o tema que nasce da mescla de influências dos ídolos musicais de todos nós, como DIO, Rainbow e mesmo Killer (nas palavras de Shorty…); servindo ‘In the Land of the Pharaoh’ para o momento inusitado da noite, ficando o baterista sozinho em palco enquanto Shorty e Jakke atuam no meio do público e ainda tomam de assalto o bar para se refrescarem com umas cervejas.  A sua primeira canção de sempre ‘Ready For Hell’ fecha esta atuação mas o público pede e temos a cover de ‘Ace of Spades’ dos Motorhead para encore.

Tudo tem um final e também esta noite de festa estava prestes a terminar, em termos de atuações das bandas escolhidas. Mais uma estreia nos nossos palcos, desta vez concretizada pelo convite aos britânicos Tank, visivelmente satisfeitos ante a presença de tão ordeiro público bem como alegremente participante e acolhedor. Com uma existência que remonta a idos de 1980 e alinhando-se como um dos nomes percursores do movimento NWOBHM, apesar das várias alterações na formação da banda e algumas pausas temporais na sua atividade, a inclusão de Tank neste cartaz foi de valias acrescidas, não só pela sua prestação e contributo para a cena Heavy Metal mundial, mas também por podermos estar perante elementos de bandas míticas como Killers, Sodom ou Pink Cream 69. Com uma sonoridade menos Speed e muito mais Hard Rock, os Tank percorrem parte da sua editada discografia, fazendo de temas como ‘Great Expectations’ ou ‘Echoes of a Distant Battle (1983) ‘ ritos de passagem entre gerações. Numa atuação coesa, limpa e eficaz, e mesmo com a hora de regresso marcada para as 3h da manhã, sem pressas os Tank proporcionaram um espetáculo de Heavy Metal ao nível do seu estatuto, grandioso e avassalador, sendo o ponto alto o tema ‘Valley of Tears’ do homónimo álbum de 2015. Houve ainda tempo para um encore de 2 temas e mais teríamos não fosse o tempo literalmente voar… Ficou o entusiamo, o profissionalismo e a magia de uma atuação dinâmica e intensa destes britânicos Tank.

Resta-nos agora elogiar merecidamente e enaltecer a capacidade e empenho tidos neste Metal Keepers Fest II. Tudo fluiu, desde o escrupuloso cumprimento de horários, o acolhimento a todos por parte da organização (Galena Produções) que foi exemplar, desde a receção ao pessoal do bar e demais atento staff, a qualidade técnica do som proporcionado pelo staff dos Rock’n Raw Studios e a excelente iluminação a cargo da Caramelo Produções, as bandas todas elas ímpares e atuando impecavelmente, o convívio gerado e o delicioso aroma da comida disponível para saciar estômagos mais famintos. A festa continuou entre sala e esplanada numa amena noite de 19 de Maio que se anunciou repetir no próximo 18 de Maio de 2019.

Agradecemos também a oportunidade e convite de parceria na cobertura deste evento bem como a hospitalidade com que fomos recebidos. Até breve Metal Keepers!!

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