Raw Decimating Brutality

Banda: Raw Decimating Brutality

Titulo: Era Matarruana

Editora: Vomit Your Shirt

Data de Lançamento: 27.Abril.2018

Proveniente de terras mais serranas, do lindíssimo distrito da Guarda, o quarteto Raw Decimating Brutality (RDB) é um dos coletivos nacionais praticantes do género Brutal Death/Grind metal que maior curiosidade nos provoca dada essencialmente a excentricidade que lhes é característica, no que à sua composição lírica diz respeito.

Contando já com 15 anos de plena atividade musical, apresentaram a nível mundial no passado dia 27 de Abril do corrente, o seu mais recente trabalho, este lançado pela sua também nacional editora, a Vomit Your Shirt, registo este que se posiciona como o 2º álbum de originais, e que tal como o título escolhido indica, abre um novo capítulo na História Mundial; o “Era Matarruana”.

Ora se o anterior disco nos falava das vicissitudes do trabalho na construção civil, aproveitam-se e muito bem os conhecimentos adquiridos na exploração desta temática e aplicaram-se ao longo dos 7 anos de intervalo entre registos para se melhorar e aproveitar o uso destas ferramentas e com o suave e gentil toque que se quer na descoberta dos achados arqueológicos, escavaram até mais não e desenterraram peças dignas de um museu como Tronos e outros artefactos em pedra, musicalmente descritos de forma brutal, com ritmos velozes e contagiantes, que deixam o ouvinte mais desprevenido em total frémito físico, antecipando prazerosamente a participação neste ritual sacrílego.

Aparte as metáforas que se retiram dos 15 temas que alinham neste “Era Matarruana”, estamos perante um álbum que vem reconfirmar a mestria na composição instrumental e lírica dos RDB, produzido e masterizado de forma impecavelmente limpa, numa sucessão de temas que nos mantém despertos, não só pela rapidez de execução dos instrumentos – que por vezes chega a atingir limites ultrassónicos, mas também porque cantados em português estes 28 minutos compelem a um maior foco de atenção e são percetíveis as letras cantadas.

Do alto do ‘Trono Noturno do Matarruano’ brotam acordes de baixo que se destacam em todo o registo, d’ ‘A Fonte de Onde Brotam As Bestas’ jorram copiosos riffs de guitarra e dos ‘Martelos de Larouco’ ecoam as estocadas de bateria, como urros lancinantes produzidos em ‘Devaneio do Homem Cabra’.

Em ‘Invocação da Serpente Colossal’ há o culminar vocal numa récita hipnotizante que se fecha na constatação de para sempre sermos também um ‘Eterno Cro-Magnon Solsticial’.

Nota máxima para a versatilidade poética e fusão orquestral deste “Era Matarruana”, um disco digno de constar do ranking das melhores edições nacionais de 2018.

Pontuação:  9,3/10

Por: Paula Antunes

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