Laughbanging – Comédia metaleira

Entrevista: Laughbanging – Comédia metaleira

Por: Lígia Ferreira

Hintf: Obrigada pela entrevista, é um prazer falar convosco! Como surgiu a ideia para este projecto?

Gustavo: Eu e o Paulo já nos conhecíamos desde os anos 90 porque fazíamos parte do grupo de amigos que ia aos concertos (coisa que raramente fazemos hoje em dia). Anos mais tarde, tomámos também o gosto por stand-up comedy, tendo atuado bastante (coisa que raramente fazemos hoje em dia). Como já nessa altura fazíamos piadas sobre heavy metal, decidimos em 2005 criar um blog (coisa que raramente se faz hoje em dia). Cerca de 10 anos mais tarde decidimos criar página de Facebook e pouco mais tarde criar a versão áudio dos nossos devaneios comédico-metaleiros (se é que essa palavra existe) através de podcast. Mais recentemente aderimos também à componente visual com vídeos de reações a músicas.

Paulo: Faço minhas as palavras do Gustavo, se bem que devem ler as minhas respostas imaginando uma voz mais grossa pois a do Gustavo não é tanto. A minha voz é um pouco parecida à do Peter Steele, se bem que, fisicamente, não temos nada a ver: eu sou magro e ele é mais… quer dizer, ele agora também deve ser magro. (Se este tipo de observação não vos cativou o suficiente para ouvir o nosso Podcast, nada o fará)

Hintf: Quando começaram, alguma vez pensaram vir a ter tanto sucesso?

Gustavo: Ahahah. Peço desculpa, mas não pude deixar de rir quando li a palavra “sucesso”, já para não mencionar o “tanto sucesso”. Sinceramente, não acho que tenhamos sucesso. Se temos, não obtemos esse feedback. Sabes aquela frase que se diz: “Aquela pessoa não é minha amiga. É só uma conhecida.” É isso que sentimos no Laughbanging. As pessoas conhecem, mas não passa disso. Nós somos como os Ramp: um bom projecto, original, com grande potencial, muita gente conhece, mas durante estes anos todos ainda não deu o salto.

Paulo: A média de audições do nosso Podcast no Mixcloud, por exemplo, é na casa dos 50/70 por episódio; no Itunes, o mesmo. Se tiveres em conta que os Podcasts de maior sucesso em Portugal têm médias de mil…

Estamos a fazer algo para uma comunidade pequena – os metaleiros – que, parece-me, gostam mais de memes e ouvir 500 bandas todas iguais do que Podcasts. Isso somado a pouco marketing de nossa parte, faz com que realmente pareçamos os Ramp, mas com menos barriga.

Hintf: Quem são Paulo Rodrigues e Gustavo Vieira? Falem-nos um pouco sobre o vosso percurso pessoal, musical e artístico…

Gustavo: Faço muitas coisas. Sou locutor, dobrador, comediante, tradutor, transcritor, figurante, podcaster, músico… e não sei se há mais alguma coisa. Como comediante já atuei stand-up comedy em vários bares, auditórios, teatros e programas de televisão. Como músico, toco teclado e bateria, tenho alguns projectos musicais a solo, desde música ambiental, new age a até música para bebés (onde até faço versões de heavy metal em “lullaby”). Nas sonoridades mais pesadas, fui baterista de bandas punk-rock como Sat On The Cat e Zero à Esquerda, de thrash metal em D.O.M. e Claymore e teclista de bandas black metal como The Firstborn e Antiquus Scriptum.

Paulo: Actualmente sou Stand-up Comedian, Podcaster e Operador de Call Center (não necessariamente por esta ordem de glamour). No passado grunhi em bandas, mas um problema no maxilar destruiu o meu sonho de ser o Lee Dorian português.

Gostava de poder dizer algo mais, mas o meu CV é muito ao estilo de Napalm Death.

Hintf: Vocês têm também outros projectos paralelos…

Gustavo: Em termos musicais, só mesmo os projectos new age e lullaby. Recentemente participei como convidado nos teclados no novo projecto de doom metal que está aí a aparecer, de nome Blood of Artemis. Em termos de comédia, tenho um podcast de crónicas humorísticas de nome Baboseiras.

Paulo: Para já, o único projecto paralelo que tenho é ser senhorio. Aluguei a minha casa a uns brasileiros, mas vou correr com eles. Estás interessada?

Hintf: Olhando em retrospectiva, há algum episódio que vos tenha marcado mais?

Gustavo: Na história do Laughbanging, talvez realce o facto de algumas personalidades que entrevistámos acederem tão prontamente ao nosso pedido de entrevistas. Não sabia que seriam tão acessíveis. Falo de pessoas como o escritor José Luis Peixoto, o deputado do PCP Miguel Tiago e o ex-baixista de Braindead Nuno Espírito Santo.

Paulo: Como dizia o Ricardo Araújo Pereira num sketch do Gato Fedorento com voz de tótó: “Confere”. Estes também foram para mim os momentos mais altos. Estes e aquela vez em que o Guitarrista dos Delfins, aquele da boina à Che Guevara, fez “Gosto” num post nosso no Facebook. Sim, aconteceu mesmo.

Hintf: Qual é a vossa opinião sobre o panorama musical nacional, acham que há ainda muito a fazer?

Gustavo: Acho que não estamos mal. Há muitas e boas bandas em Portugal. Já fico espantado com a quantidade e qualidade que há. Acho que o que falta mesmo é haver mais espaços para concertos em certos locais. Aqui na zona do Seixal e Almada, por exemplo, há muito poucos concertos de metal. Tenho a ideia que nos anos 80 havia mais.
E falta também sermos conhecidos lá fora. Com todo o respeito pelos Moonspell, já farta o pessoal lá de fora só conhecer essa banda quando se fala de Portugal.

Paulo: Penso que toda a história do metal em Portugal consiste em fazer omeletes sem ovos, pelo que todos os envolvidos em revistas, organizadores de concertos, donos de espaços, estão de parabéns. Contudo, o problema principal continua a ser o mesmo: a profissionalização. Ou semi-profissionalização, vá. Só assim vamos conseguir competir com o que vem lá de fora, seja em que área for.

HIntf: Relativamente às bandas editarem álbuns físicos, pensam que ainda é relevante hoje em dia?

Gustavo: É. Mas está a ser difícil manter isso. É pena porque o formato físico é mais bonito que o mp3. Mas lá está, é mais prático.

Paulo: Vai ser cada vez mais um objecto de colecção. As plataformas de streaming vieram para ficar, sendo que a principal fonte de rendimento das bandas são os concertos. Se bem que continuo a achar que quem gosta mesmo da banda e do álbum, compra o objecto físico. Não por um dever moral, mas sim porque é uma forma de estar mais próximo da banda. Vejo isso por mim.

Hintf: Quais são os vossos planos para o futuro, qual o próximo passo para Laughbanging?

Gustavo: A nossa prioridade agora tem sido o podcast (com especial destaque para as entrevistas) e os sketches em vídeo (reações a músicas).

Paulo: O que o Gustavo disse, mas principalmente escorraçar aqueles brasileiros.

Hintf: Gostariam de deixar uma mensagem aos nossos leitores?

Gustavo e Paulo em uníssono: Oiçam o nosso podcast e vejam os vídeos. E, se gostarem, partilhem, comentem e classifiquem quando possível. É curioso que quando é algo que não se gosta, todos comentam e partilham. Quando é algo que se gosta, não se faz nada.

Quem não nos conhece, fica aqui a lista de links onde estamos.

Facebook – http://facebook.com/laughbanging/

Twitter – @laughbanging

Blog – http://laughbanging.blogspot.pt/

Mixcloud – http://www.mixcloud.com/Laughbanging/

iTunes – http://itunes.apple.com/podcast/laughbanging/id1082156917

YouTube – https://www.youtube.com/LaughBanging

Internet Archive – http://archive.org/details/@laughbanging

Rádio Utopia – http://www.radioutopia.pt/ (Domingos às 18h30, com reposição Terças às 16h30, Quintas às 01h30 e Sextas às 22h30)

 

 

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*