Gerrit Dries

Entrevista: Gerrit Dries (Voz dos H.O.S.T.)

Por: Lígia Ferreira

Hintf: Obrigada pela entrevista, antes de mais.  Quem é Gerrit Dries? Qual a história por trás do homem e músico?

Obrigado pelo interesse! Sou holandês, para começar. Cresci numa aldeia perto da cidade de Arnhem, no leste do país. Mas entretanto já vivo há mais de dez anos em Portugal, no Porto, onde tenho uma família com dois filhos. Embora ter estudado composição e produção de música, a minha vida profissional está mais ligado à área de línguas, também uma das minhas grandes paixões.

Desde que me lembro gosto de música. O meu amor pelo rock e metal surgiu durante a minha adolescência, no “heyday” dos Guns n’ Roses, Metallica, Pantera e a onda grunge. Foi a altura quando comecei a tocar guitarra e a tocar nas minhas primeiras bandas. Desde então tenho tido sempre uma forte ligação com metal, e com o tempo fui sempre explorando mais. Gosto de vários subgêneros, incluindo heavy, prog, power, doom, death e black metal.

Apesar de me considerar um metaleiro no fundo do coração, tenho grande interesse em música em todas as suas formas. Passei a explorar e gostar de muitas tipos de música diferentes, sobretudo durante os meus estudos quando cheguei a participar em projectos em imensos contextos diferentes.
Canto desde sempre, e tenho sempre procurado e participado em projectos musicais, mas nunca tinha sido um vocalista de uma banda a sério até agora. Mas cantar numa banda sempre foi algo que quis fazer, simplesmente, e agarrei a oportunidade quando me apareceu. Tenho de dizer que ainda me tive de adaptar bastante, porque estava mais habituado a usar a minha voz de uma forma diferente, mais adequada para acompanhamento acústico e mais laid-back. No início ainda custou um pouco adaptar-me ao volume e à colocação necessários para uma voz de metal como (ao meu ver) deve ser. Quem teve um papel importante a ajudar-me a soltar mais a minha voz, e a cantar com mais power, foi o Jorge Marques dos Tarantula. Continuo a tentar melhorar a voz gradualmente, e espero poder continuar a assumir melhor o papel de vocalista com a experiência que ganhamos em grupo.

Hintf: Comparativamente com Portugal,como é a cena musical na Holanda?

A última vez que fiz parte de uma verdadeira cena musical foi no meu hometown Arnhem, quando era guitarrista numa banda chamada Closeline, e depois ainda nos If I Knew. Mas isso era por volta do ano 2000, e entretanto é 2018. Houve entretanto uma mudança tremenda nos métodos de divulgação de música, num nível mundial. Isso faz que para mim é bastante difícil comparar as duas cenas. Imagino, no entanto, que na Holanda a cena é um pouco mais profissionalizado, e institucionalizado. Hoje em dia há em Eindhoven uma escola profissional para músicos de metal, imagina… Isso enquanto em Portugal a cena continua mais underground, auto-sustentando-se com apoio externo praticamente nenhum. Há tantas possibilidades em Portugal como noutro sítio talvez, mas fazer que as coisas aconteçam exige simplesmente mais esforço e trabalho. Não há muitas formas de obter ajuda, a não ser do próprio underground. Por isso talvez a cena aqui também seja mais “tight”, mais como uma família, e menos individualista e fragmentada.

Hintf: Como surgiu esta oportunidade de ser a voz dos H.O.S.T.?

Através do meu trabalho conheci a Vera, a nossa baixista que na altura tocava com o baterista Augusto nos Head:Stoned, cujo vocalista Vítor tinha anunciado que queria deixar a banda. Surgiu assim uma vaga nesta banda, e ainda fiz audição, mas concluímos que a minha voz não se adequava muito ao registo vocal do material deles. O Vítor deixou na banda um lugar difícil de preencher, e isso infelizmente foi o fim do caminho para os Head:Stoned.

Não avançámos naquela altura portanto, mas já tinha sido estabelecido o contacto. E efectivamente não demorou muito até o Augusto me contactou para algo novo. Ele juntou os H.O.S.T.: o Augusto, a Vera, e os guitarristas Carlos e Filipe já estiveram juntos os quatro noutra banda, os Cycles. Em parte por eles já terem tanta experiência como músico de metal, e eu de certa forma ter vindo de uma cultura musical diferente, sentia-me no início um pouco um outsider, mas entretanto estou perfeitamente à vontade no grupo. E isso também me dá mais confiança para contribuir na composição e no arranjo das músicas, enquanto na altura do lançamento do nosso EP me preocupava mais com apenas a letra e os vocais. De qualquer forma, sinto que tive sorte a conseguir integrar numa banda como a nossa, eu acho que existe uma dinâmica muito boa no grupo e que os diferentes elementos têm todos pontos fortes que se complementam muito bem.

Hintf: O vosso EP de estreia Bastard Of The Fallen Thrones teve boas críticas da parte dos media e fãs, tendo inclusivamente esgotado, estavam à espera de uma resposta tão boa ao lançamento?

Tivemos muito mais exposure do que eu tinha esperado inicialmente, com interesse por parte de excelentes fotógrafos, webzines, programas de rádio, bloggers e vloggers, colegas de outras bandas, e o público em geral, o que achei muito gratificante mesmo. E mesmo agora que temos tocado mais ao vivo, continuamos a sentir-nos muito apoiados, o que é uma motivação adicional para seguir o nosso caminho. Provavelmente porque a banda tem elementos já com um grande track record na cena de metal portuense, e possivelmente também porque eu sou um desconhecido estrangeiro, o que pode despertar alguma curiosidade, tenho sentido desde o início que havia interesse, que já havia gente a seguir-nos e a espera da edição do nosso EP.

Até pode ser que ganhámos alguns fãs. Nos redes sociais continua a crescer o número de pessoas que nos seguem, e dá gosto ver isso, mas por outro lado, o mundo digital pode facilmente dar uma ideia falsa de popularidade, e é crucial não dar demasiada importância a isso. Muito mais fixe é que, durante concertos nossos, já cheguei a ver alguns espectadores a articular a letra com a boca nos refrões, o que achei uma experiência espectacular. É a prova que a nossa música está a ser ouvida e apreciada, algo que não se compara com likes, claro.

Hintf: De onde tiras inspiração para compor?

A nível pessoal pode ser qualquer coisa, realmente. As composições que faço a solo podem variar muito estilisticamente, e não é fácil apontar alguma fonte específica de inspiração.

Nas letras que fiz para a banda, obviamente optei sempre por temas “dark”. Abordei até agora temas psicológicos, filosóficos, sociais… e até uma pequena história de ficção em “A Blessing Condemned”, uma das nossas músicas mais recentes. Quem sabe, pode ser que futuramente até passo a escrever sobre assuntos mitológicos, ou históricos. Também gosto e não vejo porque não, desde que se enquadre no som da banda.

Em termos de outros artistas que me inspiram, as minhas influências abrangem muito terreno musical. Ouço de tudo, e como compositor gosto de experimentar vários estilos, não necessariamente ligadas ao metal. No contexto dos H.O.S.T, deixo-me influenciar por gigantes como por exemplo o Freddy Mercury, o Ronnie James Dio, e talvez mais directamente o Jørn Lande e o Russell Allen, mas por exemplo também por cantores de soul, ou às vezes até de música clássica. E gosto de grunts, gritos e growls, também.

Hintf: Neste momento já há planos para um novo trabalho? Têm trabalhado em novo material?

O nosso setlist atual já conta com dois temas novos, “Your Host for the Evening”e “A Blessing Condemned” além dos que constam no nosso EP, mais uma cover dos Iced Earth, “I Died For You”. Ainda outro tema novo, que terá o nome de “Wildfire” está agora a ser finalizado. Depois temos mais umas ideias na gaveta que não aproveitámos ainda, mais uns ideias novas que também não faltam… Contudo, sinto que não vai ser para breve a edição de outro EP ou álbum. No nosso EP “Bastard of the Fallen Thrones” deu para aproveitar de bastantes riffs e ideias que acumularam ao longo dos anos, enquanto agora mais material é criado de raiz. Ultimamente também o nosso objectivo tem sido tocar mais ao vivo, e perfeccionar o nosso material existente, em vez de criar material novo.

Pode ser que demore, mas vontade de criar mais e melhor música não falta. Antes disso faltam tempo e disponibilidade, afinal não sou o único dos elementos da banda que têm trabalho e uma vida familiar além da banda. Nem sempre é fácil conjugar as coisas, mas isso é o mesmo problema de sempre, parece-me. Para uma banda é importante não ficar parada, mas por outro lado, é importante entender que às vezes é devagar que se vai ao longe. E apesar das dificuldades, estou optimista relativamente ao futuro da banda.

Hintf: Vocês têm dado alguns concertos recentemente, como tem sido a experiência até agora? 

Tem sido altamente! É mesmo uma experiência nova para mim, e tenho notado que aos poucos passo a sentir-me mais à vontade no palco. A qualidade da música é sempre prioridade para mim, mas ao vivo existem também outros factores importantes, como entretenimento e o contacto com o público. Eu divirto-me imenso no palco, de certeza também na esperança que isso por sua vez crie entusiasmo no público, para tentar criar uma ligação em ambas as direcções. A dinâmica e a interação entre banda e público são diferentes em cada concerto, e fazem de cada show uma experiência única.

Já tivemos o prazer de poder tocar com várias outras bandas espectaculares. E isso é outra razão pelo qual gosto de tocar ao vivo: além de tocar, concertos para mim são sempre uma excelente oportunidade de conhecer e curtir o som de outras bandas novas. Já bastantes vezes fui surpreendido de forma agradável.

O que ainda nos falta fazer, além do concerto no Hard Club, é começar a tocar fora do Porto. Para mim seria outro passo à frente. E por fim, gostaria algum dia de trazer para cá umas bandas amigas da Holanda e fazer alguns shows com eles, e também tocar com os H.O.S.T. na Holanda. Quem sabe, pode ser que um dia acontece.

Hintf: O próximo será a 26 de Maio no Hard Club a abrir para Hourswill, o que podem os fãs esperar para essa noite?

Sobre as outras bandas só posso dizer que pessoalmente estou muito ansioso para tocar novamente com os Scream of the Soul, e também para finalmente poder ver os Hourswill ao vivo, que apresentarão o seu novo álbum naquela noite. Só isso já garante um espectáculo aquela noite.

Relativamente aos H.O.S.T., é garantido que vamos dar todos cem por cento para criarmos uma noite memorável para todos que estiverem presentes, nos próprios incluídos. Para mim vai ser a primeira vez neste mítico palco, e por isso extra importante. Considero até, de certa forma, como um “milestone” para a banda, sendo o Hard Club o lugar onde actuam as bandas já mais renomados. Pouco mais que 2 anos existem os H.O.S.T. agora, e eu nem sequer tinha cantado desta forma numa banda antes, por isso posso dizer que houve bastante progresso. Fui aprendendo ao longo do caminho, e espero conseguir mostrar isso e mais no nosso concerto no Hard Club.

Hintf:  Qual seria o teu conselho para um músico/banda que esteja agora a começar?

De experiência própria: para quem já está habituado a compôr música a solo, mas (já) não a tocar numa banda, é importante entender que a essência de uma banda é o colectivo. O aspecto social por isso é importante. Uma banda envolve mais do que uma pessoa, e cada elemento tem as suas próprias idéias musicais, opiniões, habilidades e pontos fortes. É impossível todos tocarem exactamente aquilo que tens na cabeça. Em vez disso, foca-te no teu papel e no que tu podes fazer para melhorar o total do grupo. Aprende a confiar em cada elemento no que ele ou ela faz melhor. Se cada um conseguir fazer isso, estão num bom caminho para criar algo verdadeiramente próprio. O processo pode ser difícil, mas não é de tudo impossível. Acredita, e tem paciência. No meu caso, a experiencia tem sido optimo.

Hintf: Não tenho mais perguntas, há alguma mensagem que gostasses de deixar aos nossos leitores?

No primeiro lugar: parabéns, aguentaram até ao fim da entrevista. Mas a sério, agradeço muito o vosso interesse na minha pessoa do fundo do meu coração. Espero um dia encontrar-vos num concerto dos H.O.S.T. algures. Até lá, continuem a curtir a verdadeira música!

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Interview: Gerrit Dries (Voice from H.O.S.T.)

By: Lígia Ferreira

Hintf: First of all, thanks for the interview. Who is Gerrit Dries? What’s the story behind the man and the musician?

Thanks for taking an interest! I’m Dutch, for starters. I grew up in a village near the city of Arnhem, in the east of the country. But by now I’ve already been living in Portugal for over 10 years, in the city of Porto, where I have a family with two kids. Although I have a degree in music composition and production, my work is more related to the area of languages, another of my major passions.

I’ve loved music ever since I can remember. My taste for rock and metal grew during my adolescence, during the heyday of Guns n’ Roses, Metallica, Pantera and grunge. Around that time I started to play guitar and form my first bands. Since then I’ve had a very strong bond with metal, which I haven’t stopped exploring until this day. I like several subgenres, such as heavy, prog, power, doom, death and black metal.

Although deep down I consider myself a metalhead, I’m actually very interested in music in many of its other forms too. Over the years I have listened to and developed a taste for various types of music, particularly when I was studying and took part in projects in a great many different contexts.

I’ve always sung, and have always been on the lookout for music projects, but before now I had never sung in an actual band. It’s always been on my to-do list basically, and when the opportunity arose I just took it. I must say that it required quite some adaptation from my part, since I was used to employ my voice in a different way, more laid-back and more suitable for acoustic accompaniments. In the beginning, it wasn’t easy to adapt my voice to the volume and the style needed for what I feel to be a good voice for singing metal music. Someone who helped me greatly with loosening up my voice and singing with more power, is Jorge Marques from Tarantula. Little by little, I still keep on trying to improve my voice, so that I may become a better and singer, also while gaining more experience as a group.

Hintf: Compared with Portugal, how is the Dutch music scene?

The last time I was part of what you could call a real metal scene, was in my hometown Arnhem, when I played guitar in a band named Closeline, and later also in If I Knew. But that was around the year 2000, and by now it’s already 2018. There has been a tremendous change in the ways that music can be made available, on a worldwide level. That makes it very difficult for me to draw a comparison. I imagine, however, that in the Netherlands the scene is more professionalized as well as institutionalized. In the city of Eindhoven, there’s an official professional metal school nowadays, just imagine that… All the while, in Portugal the scene is still very much underground, sustaining itself practically without any external help. There may be as many possibilities in Portugal as anywhere else, but to actually make things happen there’s bound to be more work and effort involved. Aside from the scene itself, there aren’t many places where you can go for help. Maybe that’s also a reason why the Portuguese scene may appear to be a bit tighter, more family-like and less fragmented and individualistic.

Hintf: How did you get the opportunity to sing in H.O.S.T.?

Through my work I met Vera, our bassist who was already playing with our drummer Augusto in Head:Stoned at that time. Their vocalist, Vítor, had already announced to the band by then that he had plans to leave the band. So there was an opening, and I did an audition. We concluded however that my voice was not really the best for Vítor’s vocal register and their material. The spot that was left vacant was difficult to fill by someone else, which unfortunately meant the end of the road for Head:Stoned.

So we didn’t go forward with it at that time, but a connection had been made. And indeed it didn’t take long for Augusto to contact me for something new. He got H.O.S.T. together: Augusto, Vera, and the two guitarists Carlos and Filipe, the four of them already having played together previously in another band, called Cycles.

Partially because of their track record and experience in the same band, and also since I come from a very different musical background, I did feel like a bit of an outsider at start, but by now I am perfectly comfortable in the group. That also gives me the confidence to take more initiative in the composition and arrangement of our songs, whereas when our EP was released, I mostly stuck to my lyrics and my singing. In any case, I do feel lucky to be able to be a part of a band like ours. I believe that the dynamic within the group is really good, and that the strong points of each of the members complement each other rather well.

Hintf: Your debut EP Bastard Of The Fallen Thrones was well-received by the media and the fans, and has even sold out. Were you expecting such a positive response to the release?

We got much more exposure than I had initially expected, with interest from excellent photographers, webzines, radio DJs, bloggers and vloggers, fellow musicians, and the general public, and that was really gratifying to me. And also now that we’ve been out there playing live more often, there’s still a lot of support, motivating us to really keep on doing what we’re doing.

Likely because some band members have already made quite a name for themselves in the metal scene in Porto, and maybe also because there may be some curiosity to find out who exactly that unknown foreign singer is, I’ve always felt that people were interested, following us and waiting for the EP release date.

It’s possible we’ve gained a few fans along the way. Our number of social network followers is increasing steadily, which is fun to see, but on the other hand the digital world easily gives a false sense of popularity. It’s crucial not to think too much of that. Much cooler is that at a few of our shows, I could spot people in the crowd mouthing along the lyrics during a chorus. That felt great, it’s the proof that our music is being listened to and appreciated, something incomparable to social network likes.

Hintf: From where do you get inspiration to compose?

On a personal level, that could be anything really. What I compose outside the context of the band can vary greatly in terms of style, and it’s not easy to point out one specific inspiration source.

In my lyrics for the band, I’ve always gone with dark subject matter, also because I feel that that simply suited Augusto’s artwork for the EP much better. I’ve addressed psychological and philosophical matters, social issues… even a short, fictional story in “A Blessing Condemned”, one of our more recent songs. Who knows, in the future I might even decide to write about mythology or history. Those are also interesting subjects and I don’t see why not, as long as the words fit the sound and the style.

In terms of other artists who inspire me, my influences do cover a lot of musical terrain. I listen to a bit of just about everything, and as a composer I like to experiment with different styles, not necessarily rooted in metal.

In H.O.S.T., I let myself be influenced by giants like for example Freddie Mercury and Ronnie James Dio, and possibly more directly by Jørn Lande and Russell Allen, but for example also by singers in genres like soul or even classical music. And I like grunts, screams and growls, too.

Hintf: Neste momento já há planos para um novo trabalho? Têm trabalhado em novo material?

Our current setlist already features two new original tracks, “Your Host for the Evening” and “A Blessing Condemned”, as well as the Iced Earth cover “I Died For You”, besides the songs off our EP. A brand new one, to be named “Wildfire”, is currently in the final stages of composition. Then we still have a couple of older but still unused ideas up our sleeve, and there’s no lack of new ideas either. A new EP or album still seem to be far off, however. On our EP “Bastard of the Fallen Thrones”, we managed to take advantage of several riffs and ideas that had accumulated over the last few years, yet at this time, more material is created from scratch. Lately, our goal has also been to play live more, and to perfect what we already have, instead of creating new music.

It may still take a while, but the will to create more and better music is definitely there. What isn’t always there, unfortunately, is time and also availability. After all, I’m not the only band member with a job and a family life besides the band. It’s not always easy to combine these things, but I suppose that’s a problem that has always existed. It’s important for a band not to totally stop progressing, but on the other hand, one shouldn’t move too fast either. And I must say I’m quite optimistic about the band’s future.

Hintf: You’ve done a couple of concerts lately, how has that been going until now?

It’s been going really well! It truly is a new experience to me, and I’ve noticed that with each show I feel increasingly comfortable on stage. The quality of the music always comes first in my book, but at a live concert there are also other factors at play, such as entertaining and making contact with the crowd. I have a lot of fun on stage, hoping of course that that provokes enthusiasm among the crowd, so that the connection goes both ways. The dynamic and the interaction between band and audience are different at each gig, and make each of them a unique experience.
We’ve already had the pleasure of playing with several other amazing bands. And that’s in fact another reason I enjoy playing live: besides playing, concerts for me are always a great chance to discover and enjoy the sound of other bands I haven’t heard before. There have been quite a few pleasant surprises already.

Something still on our to-do list, besides our show at Hard Club, is starting to play outside Porto. That would be another major step forward for me. And lastly, someday I’d like to invite over some bands from the Netherlands that I’m friends with and do some shows with them, and also do a few with H.O.S.T. in the Netherlands. Who knows, it may actually happen one day.

Hintf: Your next one will be on May 26th at Hard Club as opening act for Hourswill, what should the fans expect that evening?

About the other bands, all I can say is that I’m absolutely stoked be able to share the stage with Scream of the Soul once again, and also to finally see Hourswill play live, another great band, that will be presenting their new album that evening. Those two bands alone surely already make for a spectacular evening.
H.O.S.T. guarantee that they’ll all give nothing but their best to create a memorable night for everyone present, and that includes ourselves. For me it’ll be the first time on this mythical stage, which makes it extra important. In a way, I consider it to be a bit of a milestone for the band, since Hard Club is really a place where bands play that have already made more of a name for themselves. The band exists for little more than 2 years now, and before that I’d never even sung like this in a band before, so I feel it’s safe to say that quite some progress has been made. I’ve picked up a few things along the way, and I hope to be able to show that, and more, at our concert at Hard Club.

Hintf: What advice would you give to a musician or band that’s getting started right now?

From my own experience: If you’re already used to composing on your own, but not to playing in a band (anymore), it’s important to understand that the essence of a band lies in the collective. The social factor is really very important because fo that. A band involves more than one person, and each member has their own musical ideas, opinions, skills and strong points. It’s impossible to have everyone play exactly what you hear in your head. Instead, focus on your own role, on what you can do to enhance the band as a group. Learn to trust each of the members to do what they do best. If everyone manages that, you’re well on your way to create something truly unique. The process may be difficult, but it’s certainly not impossible. Believe, and be patient. In my case, the experience has been great so far.

Hintf: I don’t have any further questions, is there any message you’d like to pass on to our readers?

First of all: congratulations, you’ve managed to get to the end of the interview. Seriously though, I thank you for your interest in me from the bottom of my heart. It would be great to meet you at a H.O.S.T. show somewhere, someday. Until then, keep on enjoying the true music!

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