Full Report Louder Than All Episode II

Louder Than All Episode II @ RCA Club, Lisboa (05.Maio.2018)

Line Up: Impera // Inner Blast // Blame Zeus // Primal Attack // Childrain

Official Sponsor: Hintf Webzine

Text By: Paula Antunes

Photos By: Hugo Rebelo Fine Art Photography

Thanks: Nuno Santos // SFTD Radio // Hugo Rebelo Fine Art Photography

Aconteceu no passado sábado um dos eventos mais aguardados e apetecidos que se realizasse neste primeiro semestre de 2018, a festa de celebração da Songs For The Deaf Radio, o LOUDER THAN ALL, Episode II.

Quiseram os bons ventos que esta congregação de hostes metaleiras se fizesse numa noite amena e que apesar do dérbi desportivo que acontecia ali perto da sala escolhida, mais uma vez, o RCA Club, não demovesse os fiéis ouvintes desta importante entidade do nosso underground (SFTD) e também já fiéis acompanhantes de percurso das bandas escolhidas, merecedoras dos nossos aplausos, Impera, Inner Blast, Blame Zeus, Primal Attack e os espanhóis Childrain. Motivos mais que sobejos para se marcar presença neste evento que se quer de continuidade e que mais uma vez se pautou pela exímia qualidade e profissionalismo de todos os intervenientes.

Assim, e à hora marcada, as portas abrem para acolher uma já vasta presença de participantes, trajados a rigor e orgulhosamente ostentando as tshirts de suas bandas de eleição e maioritariamente as da própria SFTD, modelos de 2017 e já a nova coleção para 2018.

Escalados para abrir as hostilidades musicais de uma noite que esteve sempre em alta rotação, o coletivo lisboeta Impera, praticante de um groove metal sonante e pujante, não se faz rogados e britanicamente pontual faz desfilar o set de temas que reúne algumas das suas melhores faixas do ainda recentemente lançado álbum de estreia, “Weightless”, em que temas como ‘Diluted’ fazem o aquecimento para o primeiro circle pit da noite, e entre ‘Wings of a King’ e ‘Grasp’ se agradece a presença do ex-guitarrista e se apresenta o recém-chegado elemento, David. Fazemos nossas as palavras de Gustavo, ante o acolhimento que tiveram na sua estreia nesta sala e que serve na perfeição para enfatizar a total entrega que nos deram em palco da sua arte: foi ‘…de p**a madre…’!

Também provenientes de Lisboa, é a vez da banda de cariz metal gótico melódico, os Inner Blast, fazerem a sua apresentação. Aproveitando a energia gerada pelo imenso espirito de convívio que pairava no recinto, a banda liderada por Liliana e que desde logo faz saber aos já muitos presentes que a festa continua tirando da cartola ‘Private Nation’, como abertura do seu set, este marcado pela felicidade estampada nos rostos dos elementos, que com prazer tocam e nos mostram o porquê de se encontrarem em franco crescimento e a quem podemos dar a nossa atenção por muito bem entregue. Há tempo para ‘Legacy’, o single de apresentação do seu álbum “Prophecy” e a fantástica dupla de temas ‘Throne of Lilith’ e ‘Insane’, onde Liliana dá azo à sua maleabilidade vocal por entre voz limpa e doce e pungentes growls.

Percorrendo alguns ainda bastantes quilómetros, os portuenses Blame Zeus são já uma das bandas da nossa cena rock / metal mais acarinhadas pelo público e felizmente que a sua agenda nos permitiu tê-los novamente por terras mouras, para assim uma vez mais (ou pela primeira vez para alguns) desfrutarmos da inegável beleza sonora que produzem, para todo o sempre registada nos álbuns “Identity” e o ainda recente “Theory of Perception”. A ‘família’ junta-se e aplaude as interpretações de ‘Clocks’, ‘Miles’ ou ‘The Moth’, que além de serem também entoados com o devido desafinanço pelo público, nos provocam esgares de prazer e nos fazem dançar. Sem falhas, numa atuação limpa e emotiva, por entre os agradecimentos devidos, ainda somos brindados com a estreia absoluta de um novo tema que figurará no próximo álbum, o moderníssimo e mais pesado ‘Déjà Vu’, tema este que mostra a capacidade de evolução de Blame Zeus, numa maior agressividade rítmica e com a indelével assinatura dos próprios, realçando ainda mais os dotes vocais de Sandra Oliveira. O tempo voa e apesar de termos tido ainda também ‘The Apprentice’ e ‘Undercover’ – este para o fecho, querendo todos ‘…só mais uma…’, respeitam-se os horários e faz-se a devida pausa para o que ainda estava por vir.

Numa fasquia sonora que se colocou desde o início elevada dada a qualidade das bandas participantes, aumenta-se um pouco mais esta mesma, mas agora na medida em que a banda seguinte, os Primal Attack, nos mostrarão também o porquê de serem dos nomes mais apetecidos a figurar em eventos de perfil mais ‘pesado’. Detentores de uma prestação live única, de facto nunca nos desiludem, e com a sua impressionante garra fizeram com que o patrão Nuno Santos passeasse em braços do público sala fora num momento emotivo de crowd surfing e como se não bastasse até a escriba Margarida Salgado tira notas também ‘no ar’! Momentos altos, únicos e irrepetíveis, num estalo sonoro entre ‘Truth and Consequence’, o voltarem atrás em ‘Time To Reset’, numa constante superatividade alternada de circle e mosh pits da ‘Hypersonic Generation’ que fazem os novos metaleiros invejar e também querer esta energia da velha guarda.  Sermos LOUDER THAN ALL é isto, partilhar momentos de cordas que se partem sem se quebrar ritmos, mantendo as hostes em êxtase e levando-as ao clímax com ‘Despise You All’ e ‘Red Silence’.

Sabemos que entramos na reta final desta festa quando muitas almas pedem por bolo; é o momento do alegremente aguardado discurso, em que Nuno Santos, o nome e rosto principal (ou o mais visível) deste crescente e importante projeto da nossa cena musical, a SFTD Radio, apresenta todos os elementos perfilados em palco, dando-lhes a visibilidade e mais que merecido destaque para o trabalho de bastidores que cada um desenvolve, e que são, perdoem, muitos, para também aqui os mencionarmos. Apresenta-se também oficialmente a disponibilidade da nova APP para que de ora em diante não haja desculpas à falta de acesso aos conteúdos da SFTD em qualquer dispositivo móvel, e de descarga gratuita na plataforma do Google PlayStore. A equipa da SFTD é enorme e em todos os sentidos, e esteve nesta noite mais uma vez de Parabéns. Não foram esquecidos os agradecimentos aos obreiros que ágeis fizeram acontecer o desenrolar das atividades no palco de forma ligeira e subtil, bem como a mestria profissional e equipamento técnico cedido da entidade Stage Brothers. Tudo mais-valias e bolo de chocolate!

Ora já reconfortados com o discurso, as novidades e o bolo, entramos no desfecho de uma festa que se encabeçou com uma das bandas em ascensão no metal internacional e que vindos de ali ao lado, os espanhóis Childrain, fecharam com chave de ouro este Episode II.

De facto, a movida é outra, e de forma alguma desprestigiando as nossas fantásticas 4 bandas, (muito pelo contrário, pois avizinhava-se tarefa difícil suplantar as suas diversificadas atuações) apresentam-se numa plenitude de atuação de palco, de onde se destacará certamente o interessante jogo de luzes apresentado para gáudio do batalhão de fotógrafos, despindo-se (uns mais que outros) de pudores e praticando um vigoroso e Louder metalcore. Justificadíssima a escolha dos Childrain para este cartaz, além da grande vontade de regressar aos palcos portugueses, também a vontade conseguida de conviver mais intimamente com o público que os recebeu de braços abertos e aproveitou todas as deixas para o constante headbanging em ‘Blinded By Rage’, para as investidas nos pits em ‘Rebel’ e ‘Lifeshow’. Com um som límpido e frescos como se a noite ainda agora começasse, ‘Silence As A Medicine’ cola-se e o refrão ecoa, arrebatando-nos com o desfecho grandioso de ‘Rise’. Esperam voltar em breve e esperamos também que assim o seja pois o espetáculo foi deveras Bom.

Deste Louder Than All, Episode II, apenas resta dizer: Obrigado SFTD. Por continuarem a acreditar e apoiar as bandas, por irem unindo as variáveis e das exceções irem construindo regras, sabemos que o episódio 3 vai acontecer não tarda, e que soprem tão bons ventos como o desta noite de 05 de Maio, o bolo até pode não ser de chocolate ou talvez sim outra vez, mas que lá estaremos mais uma vez Louder Than All, isso é certo. Certo? J

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