Κenos

Entrevista: Κenos

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes deixem-nos agradecer pelo tempo tomado com esta entrevista e também congratular pelo excelente disco “Inner Rituals”! E para aperitivo diga-nos quais foram as principais inspirações e influências no processo de composição deste disco?

K.: Sois muito bem-vindos; é sempre conhecer alguém a quem a nossa música despertou o interesse. Ainda mais quando esta é qualificada de “excelente”. Eu quis fazer um disco que vos fizesse viajar pelo vosso eu interior, mas não do género todo ambiental. Fui largamente inspirado pelos Behemoth de todas as eras; eles conseguem fazer canções brutais, riffs brutais, e ainda dar-lhes o ambiente mais oculto de sempre. Os Celtic Frost e a sua pura lugubridade, desde as canções rápidas às lentas, também me fizeram querer abrandar quando os descobri (ligeiramente tarde aliás) durante o processo de composição.

Hintf: “Inner Rituals” é o longa duração de estreia deste projeto, ΚΕΝΌΣ. O que significa ΚΕΝΌΣ e que rituais são intencionados ser iniciados com este primeiro álbum?

K.: ΚΕΝΌΣ significa ‘vazio’ em grego. Simplifiquei-o pelo propósito da visibilidade, uma vez que os caracteres gregos não estão incluídos em todos os teclados. Os rituais mencionados no título do álbum referem-se essencialmente ao conceito da catarse.

Hintf: Fale-nos também um pouco mais sobre o seu percurso no cenário musical, como tudo começou, o que o levou a tornar-se um músico?

K: Bem, os meus pais sempre ouviram imensa música, mas eu estava fascinado com o rock, e comprei a minha primeira guitarra elétrica com as poupanças dos meus aniversários quando tinha 15 anos. Pratiquei muito, ouvi uma miríade de outras bandas e artistas desde então, e um dia decidi que havia de tocar a música que gostava mais: black metal.

Hintf: Sendo o único responsável por tocar todos os instrumentos deste disco (excepto o baixo), juntamente com a escrita, a orquestração e a interpretação vocal; qual foi a parte mais difícil deste processo e também a mais agradável?  

K.: Foi muito difícil gravar este álbum. Tive tantos problemas com o meu computador que nem os consigo contar. Estava também numa fase de términus da minha licenciatura nessa altura, pelo que foi ainda mais moroso. Gravar também não é o que maios gosto de fazer, uma vez que não crias nada (excepto se alteras a canção no último minuto), mesmo sendo muito bom ver tudo a tomar forma depois de um longo período de escrita. Escrever é atualmente a minha parte favorita. Tens que criar tudo, pensar em todos os pormenores durante a execução, e conciliar tudo.

Hintf: “Inner Rituals” é um convite a uma viagem por diferentes estilos da música pesada; de que melhor forma descreve a sua música?

K.: Eu tive problemas com isto. Eu diria que toco black metal, com influências de ambiental e doom. Mas entendo que possa ser visto de diferentes formas. É sempre uma questão de perspectiva.

Hintf: Fale-nos um pouco mais sobre o disco, a sua ideia conceptual, o principal foco das letras e também da sua arte visual…

K.: O conceito para este primeiro disco é exteriorizar alguns eventos pessoais mais sombrios do meu passado, e também libertar a minha raiva sobre alguns tópicos. No conjunto, uma catarse. Mas não de uma forma muito direta, eu canto sobre estas coisas, mas tento ocultar o significado numa variedade de mitológicas e ocultas metáforas; dois outros tópicos com os quais sou fascinado. A Mitologia é tão universal e o Oculto está-lhe tão ligado também. Quanto á arte de capa, é do Maxime Taccardi, um artista francês, que na minha opinião é dos melhores da atualidade. A sua arte, em todos os campos (ele desenha, pinta, toca música em muitos projetos e faz muito mais) sempre me atinge no âmago, e é do melhor que tenho visto ou ouvido. A peça para o álbum chama-se “Under the skin (Sob a pele) ”, e adorei a forma como ele combinou os símbolos ocultos e olhou bem dentro da alma.

Hintf: Tem um convidado muito especial a executar o baixo neste álbum, diga-nos quem é e como correu esta colaboração?  

K.: Eu escrevi as partes de baixo, mas como ainda não tenho um, pedi ao meu melhor amigo que o tocasse e gravasse. Ele é conhecido na cena musical como “Maelstrom”. Ele toca em outras duas grandes bandas, os Opprobre que tocam post-black metal, e nos Sunnudagr, um projeto solo de raw black metal que está atualmente a tornar-se uma banda completa. Estejam à vontade para conferir estes projetos, pois ambos tocam música muito interessante. A colaboração correu extremamente bem, tanto que ele fez toda a mixagem e masterização assim que tudo estava feito.

Hintf: “Inner Rituals” está previsto ser lançado pela editora Bloodcrown Records no próximo dia 17 de Abril, quão ansioso está com este lançamento e como estão os seguidores a reagir até agora ao disco?  

K.: Até agora nada ansioso! Apesar de todo o stock ainda não se ter esgotado, temos uma parte significativa que se escoou e a receção tem sido fantástica até agora. Admito que estava ansioso no que toca a como o meu trabalho iria ser apreciado, mas, então, expores-te é a verdadeira essência de se ser artista.

Hintf: Planos e objetivos para o futuro próximo de Kenos? Há já uma agenda de concertos a ser planeada?  

K.: Um segundo álbum está já composto e pronto para ser gravado. Esperar o inesperado a este respeito, ainda que soe como Kenos. E sim, estou a trabalhar por forma a levar Kenos aos palcos em breve. Mantenham-se atentos!

Hintf: Por fim mas não menos importante, deixe-nos uma mensagem aos nossos leitores e aos seus seguidores portugueses!

K.: Bem, muito obrigado pelo interesse, sinto-me muito honrado. Apoiem a cena, mantenham-se atentos! Muito Obrigado!

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*