The Shiver

Entrevista: The Shiver

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes de mais e para quem só agora teve a oportunidade de conhecer o vosso trabalho, o que nos podem dizer sobre o processo emergente dos The Shiver enquanto banda?

Olá, eu sou a Faith, vocalista e fundadora dos The Shiver.

Nós começamos há muitos anos atrás, quando ainda éramos adolescentes, e quando conheci o Finch, o baterista. Começámos por trabalhar em algumas das minhas canções e trabalhámos arduamente em agenciar e promover a nossa banda desde o início, até conseguirmos a nossa primeira tour no Reino Unido. Eu era ainda menor de idade e o nosso primeiro álbum acabado de gravar, passámos por esta grande aventura com a primeira formação da banda. Desde então, tivemos algumas alterações nos membros da banda, e lançamos 4 álbuns, e demos muitos concertos em toda a Europa, desde Portugal à Sibéria, tocando em pequenas salas de underground e lotados recintos de concertos. A última atuação que tivemos em Portugal foi na tour com a Tarja (ex-Nightwish), e atuámos na sala da Aula Magna em Lisboa… foi espetacular!

Hintf: Estão ativos desde 2005 e contam já com uma bela quantidade de discos editados na vossa discografia. De que melhor forma descrevem a vossa sonoridade e quais são as principais diferenças na vossa sonoridade, desde que começaram na cena musical até aos dias de hoje?

… Os anos passaram muito rapidamente! As experiências de estúdio e as tours ao vivo têm sido importantes no desenvolvimento do meu estilo. Eu opto por trabalhar com grandes produtores, e isto faz a diferença entre um disco caseiro e um verdadeiro álbum, onde o produtor artístico te guia e melhora as tuas faixas, e sabes que te vais debater muito com ele mas também aprender imenso… “Inside” foi a primeira tentativa, mas “A New Horizon” foi a minha primeira criatura completa. Estava tão assustada quando foi lançada… Muito nervosa com os feedbacks, até as primeiras críticas estarem online, e estas eram entusiastas. De cada vez que tenho uma nova crítica eu leio-a cuidadosamente, à espera da parte mais difícil, e a avaliação foi sempre muito elevada. Então comecei a compor algo entre o post-rock e o eletrónico, e o “The Darkest Hour” saiu. Para este ultimo álbum, “Adeline”, decidi ser direta e dura – bem, o meu estilo não é duro de todo mas quero dizer, o mais dura que consegui ser neste projeto – e colecionei histórias de todo o mundo, falando de fantasmas e bruxas e coloquei-os na música. Não posso dizer que caminho seguirei estilisticamente, mas sei que não vou comprometer a minha música; vou continuar a escrever o que tenho em mente.

Hintf: Têm mantido uma agenda muito ativa e preenchida, com tours em toda a Europa, ao lado de grandes nomes da cena musical, e partilhando palcos com bandas como os Misfits ou Papa Roach. Que melhores memórias guardam destes concertos e destas experiências partilhadas?  

Cada tour é uma aventura, e nunca sabes bem o quanto podes crescer nestas semanas ou meses. Ao longo destes anos tivemos a oportunidade de ir em tour pela Europa com muitas das minhas bandas favoritas: Misfits (a primeira t-shirt de banda que tive era deles), God is an Astronaut (puro amor), Dead Letter Circus – este foi um sonho realizado, talvez a minha banda favorita de sempre! – Papa Roach, Vanilla Sky, Tarja, e acho que me estou a esquecer de alguém, mas a melhor de todas foi quando fomos à Grécia, com os Poem, Playgrounded e os Tardive Dyskinesia. Divertimo-nos imenso e encontramos verdadeiros irmãos lá!

Finch: São tantas as coisas que aconteceram ao longo destes últimos 12 anos de digressões à volta do mundo… Vou tentar descrever uma delas! 2010, a primeira vez na Russia… Os The Shiver foram escolhidos para serem a banda de abertura para os Papa Roach na sua Russian Tour Leg. Pessoalmente eu comecei a tocar bateria com o tema “Last Resort”, o mega hit dos P.R.! Nunca poderia imaginar tocar a minha música com eles na Russia! O primeiro concerto foi em Yekaterimburg… Achámso que íamos tocar numa sala normal, mas chegámos a um verdadeiro hangar de aviões… Tão grande, tão largo, enorme! Até essa altura nunca tinha tocado num sitio assim. Os roadies colocaram a bateria em palco e esta parecia muito pequena, ehehehe! Tivémos a honra de assistir ao soundcheck dos P.R., e foi impressionante! Depois disto, a produção disse-nos para subirmos a palco para fazermos o nosso soundcheck! Começamos por colocar todos os instrumentos e tocar algumas canções e ao fim de 5 minutos as luzes apagaram-se, ouvi um som como uma explosão e vi 10.000 pesoas a correr em frente ao palco… Eu e a banda ficámos totalmente em choque enquanto o tour manager nos dizia para sairmos do palco! Jamais esquecerei aquele concerto, tocámos por cerca de 40 minutos, e nos coros da “Crushing Down” as pessoas começaram a cantar com a Faith… Eu era muito jovem e sou sincero que não esperava algo assim! A tour foi um estrondo, e foi apenas o primeiro passo para a banda na Russia… Depois desta experiência os The Shiver tocaram na Russia muitas, muitas vezes, fazendo muitos concertos e conhecendo imensos novos fans!

Hintf: Qual é o gatilho que vos faz criar música, o que realmente vos motiva a persistir viver de e para a música?

É algo que sempre tive, este profundo impulso. Comecei a compor musica ainda antes de aprender a tocar guitarra, e ainda que não soubesse cantar muito bem, tinha melodias na minha cabeça. Quando sentes isto, e te sentas a um piano ou tocas uma guitarra, é como um fogo, um excitamento, e acredito que sempre vou continuar a escrever música, é o meu momento preferido.

Viver para a música tem uma razão diferente. Após todos estes anos, eu posso dizer que VIVO da música: sou uma professora de canto, agente de eventos, e fundei uma Academia com o meu companheiro Finch, e esta está a crescer e em expansão com salas em Itália e Espanha. Por isso viver para a música é uma missão, eu tento dar o meu melhor para manter a cena rock alternativa viva na minha cidade e no meu país, e para dar aos mais novos a oportunidade de seguirem os seus sonhos, pois não há impossíveis, apenas tens de ser esperto o suficiente, ser habilidoso e profissional.

Hintf: Temos ainda o gosto de desfrutar do vosso último disco, o álbum “Adeline”, lançado no último ano de 2017. Falem-nos um pouco mais deste disco, as suas principais inspirações, o foco das letras…

Eu adoro livros, especialmente os que nos contam histórias, fantásticas ou históricas, pelo que após dois álbuns de conteúdos de ética e seriedade (matérias sociológicas e politicas), eu decidi que a minha audiência necessitava de uma pausa, de ter tempo em outros universos, sonhar com lugares antigos. Pesquisei por lendas em todo o mundo e escolhi histórias, todas elas se revelaram ser acerca de mulheres… Os principais personagens são as bruxas e os fantasmas, vistas como vitimas desprevenidas de uma sociedade bruta. Em qualquer idade, em qualquer lugar a diferença tem sido vista como perigosa, agora mais que tudo – muitos países fecham as suas fronteiras de facto – mas o que diriam estas pessoas se tivessem voz ativa?

A inspiração gótica é um meio, a cultura gótica é algo para apenas alguns, é algo para os diferentes. Mas honestamente, sempre me senti diferente das massas, e assusta-me a estandardização e a ignorância dos demais.

Hintf: Como está a vossa agenda para o futuro próximo? Principais planos e objetivos e para quando um concerto em Portugal?

Estamos muitas vezes em Espanha, e espero que da próxima vez consigamos alguns concertos em Portugal também, há pessoas à espera disso! E adoro o vosso país. Vamos estar ocupados com a tour no Norte da Europa no próximo Outono, e temos alguns festivais este Verão. 2018 tem sido um ano de transição. Estou a escrever novo material e desta vez a ir por uma direção mais ambiental, mais ao estilo instrumental.

Hintf: E estão familiarizados com a nossa cena musical? O que conhecem do nosso país?

Esta é uma boa pergunta! Eu conheço Moonspell, e também o Hellgarve Fest pois toquei lá há muitos anos atrás. A cena é que nós (Países Latinos), estamos sempre ligados às nossas raízes, e essas são diferentes do rock e do metal, temos muito boa música folk, cantamos nas nossas belas línguas, mas o rock espalha-se por todo o mundo e gostamos de o tocar!

Hintf: Obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e deixem uma mensagem aos nossos leitores e vossos seguidores portugueses!

Algo muito importante que quero dizer ás maravilhosas pessoas que são os Portugueses é: orgulhem-se do vosso belo país! E mantenham a vossa cultura e tradições vivas. Todos vivemos numa década difícil, mas sejam fortes e mantenham as cabeças erguidas! Muitos abraços e vemo-nos em breve!

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