Aura Noir

Entrevista: Aura Noir

Por: Paula Antunes

Hintf: Antes de mais devo congratular-vos pelo excelente disco “Aura Noire”, muito poderoso e de volta às origens da música heavy thrash metal… Comecemos por apresentar a banda, digam-nos o porquê da necessidade de se juntarem enquanto Aura Noir uma vez que todos os membros estiveram/estão ativos em outros projetos…

B- Olá Paula, obrigado pelo comentário. Bem, os Aura Noir foram começados pelo Aggressor (agora baixo e vozes) em inícios dos anos 90, e mais tarde juntou-se o Apollyon (bateria) e eu na guitarra para dar ainda mais consistência ao nome. Desde aí, e com base na mesma visão musical e companheirismo, a banda evolui e assim que o álbum “Black Thrash Attack” (1996) foi lançado, o burburinho começou. Para mim, os Aura Noir pareciam ser uma banda mais descontraída e mais direta que os Mayhem eram nessa mesma altura. Acho que também precisava de um pouco disso… poder filosofar com uma cerveja na mão e canalizar a vibração das bandas da velha escola do Thrash pelas quais os 3 sempre partilhámos da mesma paixão…

Hintf: Os Aura Noir, nascidos em 1993, quando o género thrash metal estava em um os seus pontos altos, vieram para dar um murro no estômago dos metaleiros com alguns borrifos de obscuras notas do melhor metal ao estilo norueguês. Qual é a visão dos Aura Noir sobre a atual indústria musical?  

B- Pessoalmente, acho que o Thrash teve o seu apogeu em 89 e tudo veio vindo por aí abaixo desde então, mas isso sou eu, hehe. Não tenho palavras sábias para poder falar sobre este assunto neste momento, até porque tento não pensar muito nisso. Ainda tenho os meus contactos e as pessoas à minha volta, por isso sinto que as coisas seguem por devem ir. Tendo dito isto, podemos esperar que o pêndulo retorne em breve, se é que me entendem. As coisas foram já tão longe que um passo dado na direção oposta é inevitável.

Hintf: Uma vez que os Aura Noir nascem como um projeto paralelo do Agressor por forma a libertar a ainda restante fúria e criatividade musical, desde logo se tornaram numa completa formação de três elementos e um dos mais relevantes nomes da nossa cena internacional. Alguma vez consideraram alcançar este reconhecimento?  

B- Nah, bem pelo menos não certamente na altura quando começámos. Mas por outro lado, ainda acho os Aura Noir muito enraizados no underground, e também uma banda para apenas alguns. Quero dizer, agora podemos fazer grandes festivais e ter honorários decentes… e também temos os meios para escolher, ser seletivos, mas também sabemos muito bem o que é esta banda e o que não é. Acho que o conhecimento e o reconhecimento são algo de bom e deixa o aspeto mais estressante de fora também enquanto ajuda a definir estilisticamente o que fazemos. Mas no final do dia, estamos naturalmente contentes com o nosso percurso e com o que alcançamos.

Hintf: O próximo 27 de Abril será o dia do lançamento oficial deste há muito esperado 6º álbum, “Aura Noire”, pela Indie Recordings, uma parceria de longa duração nos vossos lançamentos. Como correram as gravações deste novo disco e quão satisfeitos estão com o resultado final?  

B- A gravação em si foi algo estranha uma vez que andámos um pouco para trás e para a frente em relação à parte Sonora e técnicas de gravação, etc., mas acho que no final conseguimos. Não sem problemas, claro, como quando o amplificador Marshall estoirou depois de termos gravado 3 canções e termos de trocar de amplificador e começar tudo de novo. Outra coisa que também nos levou algum tempo extra para acabar, mas faz tudo parte do processo. Vou-me habituando a estes pequenos soluços. Estou muito contente com o resultado, acho, mas depois de me dedicar por tanto tempo a um trabalho, sinto sempre a necessidade de me distanciar antes de voltar e plenamente poder desfrutar deste álbum. Ainda não estou nessa fase mas hei-de lá chegar.

HIntf: Falem-nos um pouco mais sobre “Aura Noire”, a sua ideia conceptual, as suas inspirações e influências?  

B- Acho que todos sentimos esta sinergia enquanto o trabalhávamos, tal como o título do álbum assim o demonstra. Por alguma razão parecia que estávamos de volta a meados dos anos 90 e para mim pessoalmente, tem alguma semelhança com os nossos trabalhos dessa altura, em particular com BTA. Provavelmente não tanto a um nível musical, talvez mesmo na vibração em si. De volta às origens por assim dizer. Inspirações e influências são as que sempre foram, todas as boas bandas dos primórdios dos 80 da cena mais abrasiva do metal.

Hintf: Estando todos os membros de Aura Noir física e longamente distantes uns dos outros, como gerem as vossas ideias para os discos e conciliam as vossas preenchidas agendas?  

B- Bem, alguns riffs foram escritos em conjunto. Atualmente alugámos uma casa em Albufeira para podermos fazer as canções para este disco… talvez já há dois anos trás. Basicamente meteu-se a mobília a um canto e montámos a bateria e os amplificadores e começamos a improvisar (Kudos para o meu amigo Bruno Correia/In Tha Umbra por nos ter arranjado isto). Depois alguns riffs foram feitos individualmente em casa, claro. Eu sei que o Agressor e o Apollyon fizeram o trabalho da ‘Grave Dweller’ em Oslo por eles próprios, eu fiz cenas para a ‘Mordant Wind’, então encontrámo-nos e tentámos materializar o resto, como parte dos ensaios antes de uma tour ou festival ou algo assim. Também fomos á Roménia, Bucareste, para lá trabalhar em estúdio num período de 2 semanas, por isso sim, conseguimos de alguma forma fazer as coisas. Mas sim, este atraso também se deve às outras bandas e agendas (e fizemos algumas digressões o ano passado). Estou atualmente ativo em 3 bandas e o tempo escasseia.

Hintf: Planos e objetivos para o futuro próximo dos Aura Noir? Quando e onde poderemos assistir a um dos vossos concertos?  

B- Vamos fazer algumas pequenas tours pela Europa e tocar em alguns festivais, etc., e então iremos para a Austrália e a Nova Zelândia, e também Singapura ao longo do verão. Muitas datas também na Escandinávia eventualmente… Umas outras ainda por vir, mas vamos com calma. Nada a provar.

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