Dogma

Entrevista Dogma

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá! Antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista e para abrir as hostilidades nada melhor que sabermos quem são os Dogma, e como chegaram a esta formação atual?

Olá! O prazer é todo nosso.
Os Dogma são neste momento Gonçalo Nascimento e Isabel Cristina na voz, Luís Possante e João Marques na guitarra, Miguel Sampaio no baixo e Rui Nunes na bateria.
Os dois únicos novos membros na banda são o João e o Rui. Os restantes são os elementos originais que iniciaram esta saga chamada Dogma no longínquo ano de 1996.

Hintf: Passaram ao longo destes últimos 20 anos de existência por algumas naturais mudanças na formação da banda e com uma paragem de 11 anos, que agora finalmente se assume como interrupção e não como o términus anunciado em 2003. Como foi para os elementos originais de Dogma este hiato musical, mantiveram-se sempre no ativo com outros projetos (sabemos que sim) mas sempre com o frémito de renascer os ideais musicais de Dogma?

Quando Dogma terminou por volta de 2003 era já uma banda bastante diferente daquela que tinha começado em 1996. Dos elementos fundadores só restava eu e a Isabel.
Dogma sempre foi uma banda com muitos elementos a entrar e a sair e aos poucos a ideia original foi-se perdendo e acabou por deixar de fazer sentido a sua existência. A vontade de enveredar por vertentes musicais diferentes acabou por decretar o final de Dogma e o nascimento de Insaniae.
No entanto sempre ficou no ar a ideia de um dia voltar a pegar nos temas antigos de Dogma, nomeadamente os temas gravados na nossa demo “Weltschmerz” de 1997, regravá-los com a qualidade que eles mereciam e que na altura não lhes pudemos dar e conferir-lhes uma dimensão mais atual. Foi com esseintuito que nos voltámos a reunir e foi assim que nasceu o álbum “Reditum”.

Hintf: Os Dogma praticam uma apertada vertente musical nas linhas do gótico e do Doom metal, fazendo saber na vossa biografia que há espaço de manobra para a exploração de outras direções musicais e isto está bem patente neste vosso álbum de estreia, “Reditum”. De que melhor forma descrevem a vossa sonoridade e o que influencia musicalmente a criação e composição em Dogma?

Dogma nasceu em torno das letras escritas pelo Gonçalo, letras essas que começaram por ser na verdade poemas, muito influenciados pela literatura gótica do século XIX e escritores malditos como Edgar Alan Poe ou Marquês de Sade. Esse facto foi decisivo na construção da personalidade das músicas e tornou-se o alicerce da banda em si. O desafio passava, portanto, por construir uma moldura musical que complementasse o que estava escrito. Umas vezes mais melódica e calma, outras mais violenta e agressiva. Sempre nos preocupámos em combinar da forma mais harmoniosa possível a música à palavra sem nos preocuparmos com rótulos ou estilos, mas mantendo sempre uma aura de mistério, escuridão e melancolia.

Hintf: Optaram desde os vossos primórdios (1996) por cantar na nossa língua materna, o belo do português. Continuam a considerar ser esta a forma que melhor exprime os vossos ideais e conceitos ou com esta renovada incursão no mundo da música consideram também a alternativa de poder vir a interpretar os temas na línguauniversal?

A banda nasceu em torno dos poemas escritos pelo Gonçalo que eram todos em português e foi, portanto, de maneira perfeitamente natural que começámos a usar o português logo desde o inicio. Acabou por se tornar parte fundamental da personalidade e da alma da própria banda e não consigo conceber Dogma a cantar em outra língua que não seja a nossa. Simplesmente não seria Dogma.

Hintf: Voltando a “Reditum”, um disco há muito desejado e finalmente conseguido, falem um pouco sobre a ideia concetual deste disco e de que forma melhoraram os temas originalmente lançados na vossa Demo de estreia “Weltschmerz” e que fazem a primeira parte deste álbum?

Quando gravámos o “Weltschmerz” em 1997 debatíamo-nos com muitas limitações técnicas bem como com a nossa própria inexperiência como músicos. No entanto as ideias estavam lá, assim como a vontade de as concretizar. Assim sendo, havia a ideia consensual que tinha sido o melhor possível para a altura, mas também a noção que aquelas músicas mereciam mais e que algures no futuro seria importante conferir-lhes um registo mais profissional.
Foi esse o mote que levou a esta reunião dos Dogma tantos anos depois – Regravar os temas que tínhamos composto entre 1996 e 97 –  Sendo que todos os temas do álbum são  dessa altura, com a exceção da própria música “Reditum” e que dá nome ao álbum e que é a única realmente nova.
Logo nos primeiros ensaios percebemos que, mesmo após vinte anos, as músicas mantinham-se atuais,  plenas de energia, sentimento e vitalidade e os novos arranjos acabaram por surgir naturalmente. Preocupámo-nos em acrescentar segundo aquilo que a música pedia, mas respeitando sempre a sua estrutura original. A experiência que adquirimos enquanto músicos ao longo dos anos foi valiosa, principalmente porque sabíamos que a adição de demasiados elementos novos poderia fazer mais mal que bem e o exagero poderia descaracterizar as músicas.

Hintf: Com a edição deste álbum há também o sempre tão ansiado subir a palco; estão de volta às nossas salas e com uma formação mais alargada, agora de seis elementos. Como foi voltar ao palco sob o desígnio de Dogma? E como tem sido a receção por parte do público em geral aos vossos espetáculos e disco?

Neste momento estamos com o mesmo número de elementos da nossa formação original de 1996. O que é pouco, tendo em conta que Dogma chegou a ter oito elementos aquando do lançamento do EP “Último Grito” em 2000.
Quando pensámos numa reunião o nosso objetivo era apenas gravar um álbum com os temas da nossa demo “Weltschmerz” e mais alguns temas que tínhamos composto na mesma altura, mas que não couberam na demo.
No entanto ficámos tão satisfeitos com o trabalho final que se começou a tornar imperativa a necessidade de o mostrar ao público.
Logo na primeira apresentação do “Reditum” apercebemo-nos de como as músicas funcionavam bem ao vivo e da forma como eram bem recebidaspela audiência. Isso deu-nos um grande incentivo para continuar.
Quanto ao álbum tem recebido críticas extremamente positivas o que nos tem aberto portas para mais concertos.

Hintf: Falando de atuações ao vivo, que mais tendes no futuro próximo agendado para Dogma? Quais os vossos principais planos e objetivos para o imediato?

Para já o nosso objetivo é darmos concertos e levarmos o “Reditum” tão longe quanto nos seja possível. Entretanto, nos intervalos entre concertos, já começámos a trabalhar em novos temas, dos quais dois deles inclusivamente já apresentámos ao vivo.
Estamos a pensar em lançar um novo álbum dentro de uns dois anos. Até lá estamos prontos para tocar onde nos quiserem.

Hintf: Esta é uma linha aberta para que possam deixar uma mensagem especial aos nossos leitores e vossos seguidores!

Quero agradecer a todos os que têm estado nos nossos concertos, ouvido o nosso álbum e que, de uma forma ou de outra, nos têm seguido e apoiado com um comentário e uma palavra de incentivo. Um muito obrigado em especial àqueles que já nos seguem desde 1996 e que foi, também graças a eles, que os Dogma voltaram.
Faço também o apelo a todos que ouçam e apoiem as bandas nacionais.
Muito obrigado por esta entrevista e até breve.

Luís Possante (Dogma)

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