Epidemia

Entrevista Epidemia

Por: Lígia Ferreira

Hintf: Obrigada pela entrevista, O que nos podem contar sobre a história da banda?

Dae: Boas a todos da Hinft webzine, desde já o nosso obrigado por esta oportunidade.

Dae: Bem o Projecto Epidemia surgiu em meados de junho de 2014, por mim Dae (no Baixo) e um baterista local (Barreiro), que já tinha alguns andamentos nas lides do Punk rock em algumas bandas locais aqui da zona de Setúbal inclusivé ERVAS-DANINHAS o Paulo Mongoi, começamos por trocar ideias na altura, e eis que surgem as primeiras jams em sua casa. Após termos uns temas defenidos, resolvemos procurar guitarrista também aqui da zona, e passado nem duas semanas começamos a tocar com o Samuel Romão e assim conseguimos ter o trio que era necessário para rolar a cena toda e o que viria daí em diante, nem nos preocupámos em arranjar vocalista pois mais à frente já com os temas mais sólidos um de nós tomaria essa posição. Já no decorrer de alguns meses o Paulo (baterista) deixou-nos, ficando apenas eu e o Samuel, mas ao invés de recorrer ao processo todo de arranjar baterista, ensinar os temas etc, resolvemos programar nós mesmos as baterias para todos os temas, o que resultou muito bem, tanto para ensaiar em estúdio como para tocar ao vivo. Em janeiro de de 2015 visto que eu e o Samuel tinhamos os temas todos prontos, juntamente com as baterias e já dividiamos também partes da voz, resolvi arranjar um frontman para a banda o que achei que seria mais vantajoso ao vivo para dar outro espírito à banda, depois de alguns tryouts acabou por ficar uma Frontgirl neste caso Raquel Nunes já tinha passado por alguns projectos nas lides dos covers, rock, metal progressivo, tais como BKA ( banda de covers), TEARFUL,banda de Rock com influências goticas, e ZYGON, um Death Metal Progressivo. E assim completamos outra vez o circulo do trio da banda. Desde então que tinhamos estado a preparar a Raquel e eis que em Março desse mesmo ano num bate boca com o guitarrista de outra banda local os HANG THE TRAITOR, atual guitarrista de VERME e também técnico de som Galileu Tavares, surgiu a oportunidade de gravarmos todo o material que tínhamos, até então 9 temas sendo dois deles versões uma de MISFITS (Death comes ripping) e outra de RATOS DE PORÃO que por sua vez também era uma versão de CHAOTIC DISCORD (Fuck of and die) por ele e assim foi, não podíamos perder a oportunidade de gravar o nosso 1º albúm intitulado ( Dregredo Total ) um tanto ou quanto variado sonoramente e que vai beber inspiração ao Punk, ao Crust, ao Thrash e ao Speed Metal. Umas semanas mais tarde viríamos a perder da formação o Samuel, mesmo antes de o albúm sair, eu e a Raquel fizemos uma pausa no entanto para preparar o lançamento do albúm que oficializámos em Fevereiro de 2016, depois disso começámos a procurar guitarrista para a vaga do Samuel, mas neste caso arranjámos dois, a ideia original de trio já não fazia sentido, e ficámos um quarteto mantendo as baterias programas, entrou um puto muito porreiro que apesar de não ter a experiência necessária dava uns toques e tinha vontade de aprender, chamado João Oliveira ou (Venom) e para comatar essa inexperiência entrou o Jorge Matos que tinha feito parte das formações iniciais de SIMBIOSE.

Nesse verão surgiu a oportunidade de gravarmos o nosso 1º video clip oficial por Paulo Soares, baterista de WALL OF DEATH, escolhemos o tema (Veneno Epidémico) que se encontra no albúm. Umas semanas mais tarde perdemos o jorge da formação e até agora a formação é Dae (baixo, back vocal e programação), Raquel (voz), e joão (guitrarra).

Hintf: Porquê o nome Epidemia?

Dae: Foi uma das partes mais cómicas que já tivemos , escolher o nome.

Numa certa tarde eu e o Paulo Mongoi tínhamos estado a beber assim mais que a conta eheheh e começavam a surgir ideias de mijar a rir, como queriamos um contexto de folia , degredo, e caos, toda a merda vinha ao de cima, e uns dos nomes mais cómicos na altura foi JARDIM DAS TABULETAS fodasse, só de me lembrar começo-me a rir, ninguém se chama Jardim das tabuletas eheheh nessa tarde ficámos por aí que não saía nada de jeito. Dois dias depois eis que surge Epidemia definitivamente, pois a nossa cidade era e é uma verdadeira Epidemia e nós fazemos parte dela, desde prédios devolutos, baratas, ratazanas, politicos locais, droga , poluição e por aí fora, fomos buscar todos os podres do Barreiro para nos inspirar.

Hintf: O que pensam do cenário Punk nacional?

Dae:No geral é um cenário em crescimento desde a parte mais comercial ao mais underground. Bandas não faltam por este país fora,e as várias miscelanias de estilos que podemos inserir no punk é um mundo por explorar desde o punk podre em si, ao punk rock mais comercial, ao punk crust, punk dºbeat, punk com os estilos mais puros do metal como o black metal, o thrash, e o speed, para não esquecer o hardcore é um cenário sempre em aberto e contínuo, que mexe com as camadas de todas as idades que se identifiquem com o termo Punk e todos os seus derivados.

Hintf: Podemos esperar um álbum para breve, têm trabalhado em novo material?

Dae: Epidemia e o albúm Degredo Total, digamos que era um projecto/objectivo certo que eu teria de realizar como músico amador independentemente de onde a banda chega-se ou não. Era uma ideia e uma vontade fixa que me corroía o cérebero dia e noite pois era a visão que tinha de homenagear a história punk que em tempos tivémos no Barreiro nos finais da década de 70 até inicios dos 90. Histórias e pessoas relacionadas com a cena, não sou formado em música , muito menos virtuoso, nem pouco mais ou menos algo do género, mas sempre fui muito de ideias fixas sobre os projectos/bandas que inseri como músico e a marca a deixar. Fundei com um luso-brasileiro a banda de black metal OPUS DRACONIS em 2002, dando 8 anos da minha pessoa como vocalista à banda, tive o maior orgulho de ser o último frontman de uma banda nascida nos ínicios de 90 da cena nacional portuguesa os CIBORIUM de Almeirim, depois fundei ANCIENT HORDE desta vez como baixista em que durante 4 anos conseguimos fazer e realizar muita coisa como banda, mas que infelizmente tive de parar a atividade pois a minha vida laboral na altura ia deixar que eu tivesse o tempo necessário para gerir a banda como antes. E agora e por último Epidemia, de momento estamos parados pois a vida pessoal e monetária não nos dá a liberdade e tempo para investir como gostaria, fico contente com tudo o que foi feito e conseguido arduamente em Epidemia até agora, quando surgir uma oportunidade mais folgada certamente que irei reunir as pessoas necessárias e retomar o projecto, tenho já material novo guardado para um futuro trabalho a partir daí é meio caminho andado para retomar as coisas e lançar material novo, mas datas não tenho em mente de momento, é quando me der na real gana eheheh.

Hintf: Em que se inspiram para compor a vossa música?

Dae: O nosso albúm tirando as duas versões como referi atrás, está inspirado pela repugna que temos por qualquer tipo de religião, pela forma como os portugueses são desrespeitados e abandonados pelos politicos nacionais, vai buscar inspiração á vertente mais maléfica do thrash e speed metal, vai buscar inspiração ás noites em que bebemos até cair, e que vomitamos tudo, a todo o tipo de degredo relacionado com o álcool eheheh, á pancandaria, á vertente feios, porcos e maus dos bairros sociais de portugal, ás drogas pesadas, têm um tema a falar no estripador de lisboa, e vamos beber a todo tipo de usos e abusos de forma degradante a que o ser humano sujeita o corpo.

Hintf: O que podem os fãs que ainda não tiveram a oportunidade de vos ver ao vivo, esperar das vossas actuações?

Dae: Desde que começámos como projecto as coisas sempre foram surgindo de forma natural como já referi , desde a oportunidade em gravarmos o albúm, ao seu lançamento, o video clip, como tivemos de lidar com a saída de elementos em alturas em que podíamos dar outro pulo acabámos por retroceder, também tivémos de cancelar alguns convites para tocar, ou porque estávamos em processo de ensaiar algum guitarrista, hórarios laborais que não conjugava, muitos fatores que hoje em dia impedem muita gente de poder dar o tempo necessário ao seu projeto, a realidade é essa, aliada ás condições que nos oferecem, que considerei não serem o suficiente, não pedimos mundos e fundos mas queremos valorizar ao máximo o que fazemos como músicos sejamos amadores ou não e ser valorizados, e tocar longe para caralho por um courato, um sumol e gota para o carro, não acho isso valorizar em nenhum aspecto a cena nacional punk/metal, no passado já o fiz, já aceitei esses termos, mas vendo agora acho que apesar de curtir esse processo na altura vejo que não valorizava a 100% o meu trabalho, pois sai caro ir tocar e não há retorno monetário, mas temos de dar a conhecer o que somos ao vivo faz parte, é um mix de atualmente alguma ponderação primeiro hoje somos mais ponderados no que aceitamos e fazemos as coisas, da oportunidade que tivemos para tocar, demos um concerto digno de caos (de forma positiva), e em 4 anos mesmo sendo poucos elementos já conseguimos algo, se podermos tocar ao vivo mais tarde com tudo novamente organizado nas devidas condições, o pessoal que conhece Epidemia e nos viu ao vivo, vai curtir de caralho… ou não é perfeitamente normal.

Hintf: Têm alguma história engraçada/interessante para contar dos vossos concertos?

Dae: Ironias das ironias, não seguindo nenhum tipo de seita religiosa, já tocamos nas traseiras de uma igreja, com a merda de um cartaz do stº antónio a fazer de fundo de palco, porque tinha o apoio da igreja local, LOL o engraçado é que a nossa intro começa com um padre a prestar sermão para porcos que arrotam e cagam-se à força toda. Imagina o resto/open air/ entrada livre tá o baile armado, curtiram é o que interessa Hehehehe brutal.

Hintf: Quais os vossos planos para o futuro, as vossas expectativas?

Dae: Sendo muito direto, não os temos, nem os podemos fazer, sempre que queremos subir um degrau caímos dois, três, ou de vez, as coisas quando são planeadas podem sair furadas, por inúmeros motivos, logo devemos estar  serenos  e realizar as coisas somente quando temos certeza que se vão realizar, e como temos a vantagem de não ter o stress de datas de porra alguma, as coisas quando forem feitas sairão melhores e sairão quando tiverem de sair de certeza.

Hintf: Têm algum concerto marcado para breve?

Dae: Não, estamos parados de momento, atualmente não nos é viável retomar Epidemia, por motivos, pessoais, laborais/hórarios, distância entre elementos.

Hintf: Se pudessem escolher qualquer artista para se vos juntar em palco quem seria?

Dae: Gostaríamos de realizar uma tour ibérica ao lado de Verme, disthrone, e projectos da onda locais por onde tocassemos. Simples nada de mais.

Hintf: Gostariam de deixar uma mensagem aos nossos leitores?

Dae: SER METAL HEAD OU PUNK OU ROCKER NÃO É APENAS UMA MODA É UM ESTILO DE VIDA PARA A VIDA. SEJAM PUROS E NÃO SIGAM MODAS. SEJAM VERDADEIROS PARA COM OS GÉNEROS UNDERGROUND ABRAÇO A TODOS APOIEM A CENA NACIONAL ACIMA DE TUDO.

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