Hoofmark

Entrevista Hoofmark

Por: Miguel Ribeiro

Hintf: Desde já muito obrigado por esta entrevista.Como e quando é que tudo começou?

A vontade está lá desde os tempos da escola secundária, mas a decisão real de fazer e concretizar tem apenas alguns anos. Quando uma banda de garagem que tive com amigos terminou procurei engendrar um projeto que cruzasse Burzum e thrash dos anos 80, mas sem sucesso. Foi apenas após alguns anos de desencanto com o metal que pouco a pouco me voltei a interessar e surgiu a ideia de fazer HOOFMARK. Existem dois momentos especialmente importantes na origem deste interesse renovado: a descoberta do programa de metal do DylanHughes (na altura chamava-se ManiacMonday, agora é MidniteMadness), que me expôs a música que nunca tinha ouvido e me fez querer continuar a vasculhar, e a criação de um programa de metal com um amigo (SatanMade Me Do It).

No decorrer do processo de escrever a minha demo de estreia,o country e o blues apanharam-me de surpresa e entranharam-se na identidade de HOOFMARK. Faz parte da experiência: determinar o que HOOFMARK é e aquilo que pode vir a ser é simultaneamente apavorante e aquilo que mais me entusiasma.

2016 e 2017 foram anos importantes de concretização e apresentação de um conceito. Tanto a demo “StoicWinds” como os singles “Come Flames” e “Chunks” são trabalhos marcadamente formativos. Este ano e o próximo terão, espero eu, uma importância diferente.

Hintf: Sendo o teu estilo Black Metal, que temas tens mais tendência em escrever nas tuas letras?

Sobre vistas que descarrilo de acordo com as minhas necessidades ou mensagem. HOOFMARK é um produto de corrupção com olhar atento e queda para a desesperança e que se esforça por manter as mãos sujas e os pés molhados. Mais cru que sombrio e decididamente desinteressado pelo sobrenatural ou psicadélico.

Hintf: Em 2017 a Ultraje criou uma editora e assinou contigo, como é que tudo aconteceu? Mudou muita  coisa?

Existiram momentos-chave que ajudaram a concretizar a parceria e existiu o timing certo. Primeiro, o texto que o Rui Vieira (Baktheria, Miss Cadaver…) escreveu para a Ultraje sobre a minha demo de estreia e que muito agradeço. Tive a oportunidade de entrevistar o Rui num episódio de SatanMade Me Do Ite nessa altura aproveitei a ocasião para lhe passar uma cassete com o “StoicWinds”. Não sabia que o Rui escrevia para a Ultraje, por isso quando surgiu o teste no website foi uma enorme surpresa para mim.

Mais tarde, conheci o Joel e o Diogo no espaço que a Ultraje montou durante o Santa Maria SummerFest 2017, em Beja (fomos lá passar música na primeira noite [deu para tocar uma de Johnny Paycheck, foi excelente!]) e ficou o contacto. Depois, a aproximação com fim a assinarem com HOOFMARK deu-se por volta de agosto.

Correu e tem corrido tudo na perfeição. Boa gente. Trabalhadora e com o coração no sítio certo. Desejo-lhes o melhor para a revista e agora para a editora. Para HOOFMARK significou muito e naturalmente que no topo da lista das coisas que mudaram foi a exposição e divulgação nacional e internacional.

Hintf: Consideras correcto afirmarem que  juntas black/punk e country?

Considero que o que mais gosto de ouvir coincide com o que mais gosto de fazer: black metal dos anos 80 (que, nos seus exemplos mais ilustres, tem um forte bafo hardcore) e country blues via ManceLipscomb, Lightnin’ Hopkins e, aqui um bocadinho mais desfasado, Townes Van Zandt. O que fiz até aqui foi sobretudo (com exceções) trabalho compilatório. A ideia para o futuro, antecipando a próxima pergunta, é combinar de maneira orgânica uma abordagem pessoal de black metal primitivo com as características terrenas do blues que adoro.

Hintf: Quais são os planos para o futuro?

Todos os meus esforços para HOOFMARK vão no sentido de terminar o primeiro álbum e lançá-lo antes do final do ano.

Hintf: Define Hoofmark numa só palavra…

Naïve, suponho eu.

Hintf: Se pudesses ter nascido num outro país que não Portugal,que país seria e porquê?

Só consigo responder a esta pergunta com motivos meio palermas, portanto vamos a isso! República Checa lideraria a minha lista porque a língua é excelente para cantar black metal (soa como um sonho em Törr e Master’sHammer) e o country é grandito por lá (é uma porra dum fenómeno estranho, mas confere). Hungria. A língua também se parece proporcionar à cantoria de black metal sacanão. Fora da Europa, provavelmente Colômbia (Engendro 666!!) ou México. O México é, de resto, um dos países que mais quero visitar pela combinação aparentemente soberba de paisagens, história, cultura, música, cozinha… E os Xibalba, caraças! Culto eterno ao álbum de 94.

Lembrei-me de Gibraltar também. Não é um país (é uma confusão, na verdade), mas aquele rochedo é sublime.

Hintf: Como vês o actual panorama musical nacional?

É excelente. Músicos, DJs, labels… Overload de talento. Sem exclusividade ao metal: ScúruFitchádu, Filipe Felizardo, Pega Monstro, label Príncipe, Disthrone, Irae continua a lançar álbuns estupendos… SystemikViølence é do caraças!

Hintf:  Se pudesse escolher uma estrela da musica nacional ou internacional,com quem mais gostarias de trabalhar, e porquê?

Existem imensas pessoas em Portugal com quem gostaria de trabalhar, mas talvez seja insensato dizer que pessoas. Melhor falar com elas primeiro diretamente quando chegar o momento oportuno hehe

Uma coisa é certa: se um dia concretizar o desejo de escrever um disco de schlager toda a ajuda vai ser pouca.

Hintf: Que mensagem gostavas de deixar para os nossos leitores e teus fãs?

A melhor música de sempre já foi escrita e chama-se “Die byPower”.

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