Balmog

Entrevista Balmog

Hintf: Olá BALMOG! Obrigada por aceitarem esta entrevista, é um prazer conversar convosco!

O prazer é nosso, é sempre interessante responder aos meios portugueses devido à estreita relação que temos já há muitos anos com a cena portuguesa. Esperamos que as respostas esclareçam alguns pontos sobre a banda.

Hintf: Podem dizer-nos o que significa Balmog?Porquê esse nome para uma banda de black metal?Tem algum significado especial para vós?

O significado de Balmog é guerra negra ou guerra das trevas, pelo que é um nome que representa o conceito da banda  adequadamente. A nossa ideia com balmog sempre foi transmitir, através da música, uma sensação de violência e agressão, por isso pensamos que continua a ser um nome muito fixe para uma banda de Black Metal como nós. Balmog é o caminho que nos permite expressar toda essa agressividade acumulada, e tambem aprofundar  ideias que, de outra forma, seriam difíceis de lidar.

Hintf: Porque é que escolheram tocar black metal?Qual é a vossa relação com ele e quais foram os primeiros contactos que tiveram com o estilo?

Todos os membros de Balmog são pessoas com idades compreendidas entre os 36 e os 45 anos, de modo que o nosso contato com o black metal vem de longe, dos anos 90. Crescemos a ver como esse estilo mudou e evoluiu, com momentos realmente poderosos e outros momentos de autêntica decadência onde o estilo perdeu grande parte da essência que a tornava única. O black metal, como entendemos , é algo mais do que música, transcende o musical para tornar-se também em algo vital, um elemento que faz parte da nossa vida diária. Do nosso ponto de vista a magia deste estilo está em entender o black metal não só como uma expressão artística, mas também como algo que determina a vida diária. Quanto ao motivo que nos levou a este estilo, acho que é devido a que este estilo nos permite aprofundar aspectos que outros estilos não permitem.

Hintf: Em Portugal temos muitas bandas de metal, já devem ter ouvido falar em Moonspell, o que acham do seu trabalho?

Moonspell é provavelmente a banda de metal extrema mais conhecida fora de Portugal, é uma banda realmente grande com uma importante história, e respeitamos isso profundamente. Para ser honesto, é uma banda que não sigo desde há muitos anos, mas isso não impede que eles tenham publicado obras realmente importantes. As demos de Moonspel e especialmente, Under the Moonspell, são trabalhos realmente impressionantes, muito inspiradores. O Wolfheart, Irreligious ou o Sin/Pecado, são albums que não tenha gostado no momento, mas com o passar do tempo, aprecio cada vez mais. Tenho que tentar  ouvir o seu material mais recente, com certeza que vou encontrar algo interessante.

Hintf: Satanismo, anti-religião, guerra, mitologia nórdica, ódio pelo mundo…diriam que as vossas letras lidam com esses temas?

Nas nossas músicas falamos sobre os mistérios que nos rodeiam e que nos inundam, com esse objectivo, utilizamos diferentes correntes filosóficas, religiosas e espirituais. Não estabelecemos limites, usamos a vontade, o que nos convence e isso nos ajuda a explicar certos aspectos que nos interessam. Isso significa que se um texto de uma religião monoteísta nos servir, vamos usá-lo, não estamos preocupados com o facto de que ele é judeu-cristão, se ele nos serve, nós o usamos. Nesse sentido, não somos a típica banda de black metal que grita satã 666 vezes, tentamos ir além dos clichés do black metal, aprofundando sem impor nenhum limite.

Quanto à mitologia nórdica, honestamente nunca entenderemos por que uma banda espanhola ou portuguesa fala de uma cultura totalmente estrangeira. Não entendo como alguém pode falar sobre drakkars depois de comer um bacalhau ou uma paelha … Antes de falar sobre os Vikings, prefiro falar sobre os bosquímanos, acho mais interessante.

Hintf: O que pensam sobre o panorama musical do black metal em Espanha?

Acho que nos últimos anos a cena de black metal e metal extremo em geral atingiu um certo status. Bandas como Teitablood, Proclamation, Domains, Graveyard ou 13th Moon, são bandas consideradas de culto por muitos sectores, e isso é algo que nunca aconteceu  nesta cena. Ao contrário da cena portuguesa onde existe uma tradição de metal extremo desde o início dos anos noventa, em Espanha não houve uma cena forte e credível fora das nossas fronteiras. Isso não significa que não houve bandas interessantes, mas não chegou ao nível de cenas similares da “periferia” como Portugal, Itália, Grécia ou França. Agora, o assunto é diferente e o respeito que existe além das nossas fronteiras para as bandas espanholas é muito maior, mas ainda há trabalho a ser feito e acima de tudo para mostrar que as bandas estão  num nível de profissionalismo apropriado.

Hintf: O que nos podem dizer sobre o vosso novo álbum?

Vacvvm é o trabalho mais sombrio e violento que gravamos. Uma viagem através das profundezas do subconsciente humano. Musicalmente o que o ouvinte encontrará é um manifestação de  black/death metal, conceitualmente, deparar-se-ão com um ataque à humanidade.

Hintf: Foi um prazer fazer esta entrevista, gostariam de deixar uma mensagem aos vossos fãs?

Foi um prazer poder transmitir as nossas ideias ao público português. Já temos vários assaltos programados para Portugal em 2018, o primeiro será a 2 de junho no Masmorra Fest, em Lisboa, mas esperamos que haja muitas ocasiões para visitar o território português, a nossa segunda morada.

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