Ministry

Banda: Ministry

Titulo: “AmeriKKKant”

Editora: Nuclear Blast

Data de Lançamento: 09.Março.2018

Muita tinta se usou já para escrever sobre a arte de Al Jourgensen e sua banda mais relevante de sempre, os Ministry. Dispensando obviamente muitas introduções sobre o seu legado musical, é importante no entanto ressalvar que quando estamos presentes a uma nova edição discográfica (de originais, claro) temos que ter em linha de conta a liberdade assumida deste artista ímpar de criar e desenvolver vertentes musicais díspares do anteriormente feito. É impossível pensarmos em MInistry de tempos de “The Mind Is A Terrible Thing To Taste (1989)” sem pensarmos que antes houve um “Twitch (1986)” e que tivemos também já um “Psalm 69 (1992)” ou um “Dark Side Of The Spoon (1999)”. Al Jourgensen, ou o tio Al como alguns carinhosamente gostam de a ele se referir, é um espirito livre, um provocador de liberdades e faz desta libertinagem de expressão o seu estandarte. E nós orgulhosamente o vemos/ouvimos esvoaçar e marulhar no marasmo social em que somos forçados a viver.

“AmerKKKant”, a mais recente edição discográfica de Ministry, um álbum de originais editado pela Nuclear Blast no passado dia 09 do corrente, é mais um arrojo artístico e mais uma pérola que requer paciência e algum conhecimento da obra e artistas por trás da mesma para sua melhor compreensão e audição.

No desenrolar dos 48 minutos que duram a escolha deste set de 9 temas, espera-se sempre por aquele tema-hit que vai avivar pistas que se animam com sonoridades mais pesadas, com mesclas de estilos metal/industrial. Há que saber esperar; ‘I Know Words’ é o tema de abertura que reflete toda a estranheza e audácia musical de Ministry, mas que é também o gentil preparar do terreno para o que se segue; ‘Twilight Zone’ é longo e arrastado mas já ‘pica’ e o frémito provocado pelos riffs e vocalização áspera e mandatória impulsionam o ouvinte a continuar num crescendo de antecipação.

‘We’re Tired Of It’ chega e buum! Eis o tema porque esperávamos; curto, direto, agressivo e disrruptor de clichés, perfeitamente encadeado com ‘Wargasm’, onde neste se destaca o trabalho de masterização e mixagem, confundindo-se a interpretação do tio Al com a voz em fundo da personagem (já pertença da História Moderna) alvo das duras criticas liricamente endereçadas sob a forma deste “AmeriKKKant”.

“AmeriKKKant” não é somente um álbum de Minstry, é o álbum de Ministry que representa musicalmente o último par de anos da atual democracia mundial e que a cada tema nos vergasta e em simultâneo expia os nossos pecados de passivos seres mais humanoides que humanos.

É disco para se ter e guardar religiosamente, pode não ser o mais brilhante ou original da sua carreira mas é um disco de Ministry e só por isso deve ser devidamente apreciado e consumido.

Pontuação: 9/10

Por: Paula Antunes

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*